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Sessão de Terapia no GNT

03/10/2012

Infelizmente, devo iniciar esse post com um pedido de desculpas, pois ele está sendo publicado com, no mínimo, dois dias de atraso …

A nova serie Sessão de Terapia do GNT já estreou na segunda-feira dia 01/10, mas como ainda é possível correr atrás do atraso, vale muito a pena a dica. Os episódios perdidos poderão ser assistidos em reprises no final de semana. E devem …

A série acontece em um formato totalmente diferente e que é justamente um dos pontos altos dela. Os episódios são diários e em cada dia da semana é retratada a terapia de um cliente. Assim, toda segunda-feira é dia de Júlia, interpretada magnificamente por Maria Fernanda  Cândido.

Sendo assim, para tirar o máximo proveito da série, é imperativo que se assistam aos episódios na ordem certa.

Essa série se tornou em um grande sucesso mundial (já comentamos da versão americana – In Treatment –  aqui no BLOG) e tem várias versões em muitas nacionalidades. A brasileira, além do elenco escolhido com muito carinho, tem Selton Mello por diretor e promete repetir a história de sucesso dos outros paises onde já foi ao ar.

Assista a esse bloco do programa Saia Justa também da GNT, onde o diretor conta um pouco mais sobre os bastidores e prepare-se para também se apaixonar por ela :

Selton Mello no Saia Justa

Patricia Gebrim – Cuidado com essa carência, ela afasta as pessoas de você …

28/09/2012

“Quando alguém carente se aproxima das pessoas, essa aproximação quase nunca é descompromissada ou relaxada. Existe sempre uma certa tensão”
Pessoas carentes são como polvos gigantes, esses seres maravilhosos de que fala Julio Verne. Nas páginas dos livros são encantadores e cheios de magia, mas na vida real… acabam afastando de si mais gente do que gostariam.
Carência é esse sentimento incômodo que muitas pessoas carregam, percebida por elas como um tipo de buraco, uma fome constante que chega a doer. Às vezes é fome de afeto, de amor… mas também pode aparecer como fome de atenção, como o desejo de estar sempre no palco das relações, sendo valorizado, cuidado, tratado de forma especial.

É uma exigência, muitas vezes inconsciente, uma expectativa de que os outros supram você de alguma maneira, desejo esse que costuma se impor à sua capacidade de perceber o outro como um ser individual que tem direito a escolhas e limites.

Uma pessoa carente sempre exige, mesmo que de forma disfarçada, que o outro lhe dê o que quer. Não compreende que o outro tem o direito de dizer não. O outro tem o direito de não querer lhe dar algo. O outro tem o direito de não gostar de você. (Afinal, quem é amado por “todas” as pessoas?)

Quando alguém carente se aproxima das pessoas, essa aproximação quase nunca é descompromissada ou relaxada. Existe sempre uma certa tensão. Por um lado os carentes polvos querem agir sempre adequadamente, para garantir que serão aceitos. (Sua liberdade de ser, ser simplesmente quem são, está limitada pela necessidade de saciar a suposta fome). Por outro lado, aproximam-se na expectativa de receber. Raramente aproximam-se para dar algo ao outro.

Como polvos ambulantes, pessoas carentes estendem na direção da vítima seus enormes tentáculos, tentando trazer em sua direção o que necessitam. Me dê… me dê… me dê… Essa é a mensagem inconsciente que acabam transmitindo, mesmo que o discurso seja muito diferente.

Só que, por ironia do destino, por mais que tentem disfarçar suas intenções, o outro acaba pressentindo os tentáculos e na maior parte das vezes se afasta de você. Isso faz com que a pessoa carente se sinta rejeitada, o alimento lhe foi negado, a fome aumenta e ela tenta com ainda mais intensidade, numa bola de neve sem fim.

Quando vamos com sede demais ao pote acabamos derrubando-o, e lá se vai nossa chance de beber seu conteúdo. As pessoas se afastam quando percebem alguém se aproximar na expectativa de ser suprido, como um náufrago desesperado em busca de algo a se agarrar. E a pessoa fica lá, sozinha no meio do oceano. Como uma brincadeira maldosa do destino, a pessoa acaba afastando cada vez mais a possibilidade de receber o que quer.

Ora, a pessoa carente não faz isso por que queira ser má, ou lesar o outro. Na verdade ela age baseada na falsa crença de que não consegue suprir a si mesma. Talvez venha de um lar onde não tenha se sentido amada, ou querida. Talvez tenha até recebido amor, mas por algum motivo não tenha conseguido sentir que isso tenha acontecido.

Por trás dessa atitude carente, existe uma dor e uma ilusão. A dor de uma criança ferida. A ilusão de que não se é nada mais do que essa criança.

Entenda: hoje você não é mais uma criança que precisa de alguém para cuidar de você. Aceite a ideia de que hoje você é grande o suficiente para cuidar de si mesmo!

Se a pessoa carente conseguir perceber que, não importa o que lhe tenha acontecido, isso é passado. E que hoje existe dentro dela uma força capaz de curar qualquer ferida. Se conseguir se identificar com seu lado adulto, parando de esperar que a cura venha de fora, ou das outras pessoas. Se conseguir pegar sua criança ferida no colo, e dar-lhe todo o amor, e atenção, e carinho… esse é o caminho para a transformação.

Se em vez de estender seus tentáculos na direção das pessoas, usar todos aqueles braços para abraçar, proteger e acariciar a si mesmo… se fizer isso, algo mágico começará a acontecer. O polvo vai aos poucos se transformando em uma espécie de ninho, seguro e quentinho… e nesse ninho você conseguirá se lembrar de sua verdadeira essência, e de lá sairá assumindo sua verdadeira forma, a da mais bela ave, e seu canto será tão pleno que todas as pessoas sentirão o desejo de se aproximar e acariciar suas suaves plumas.

De mãos dadas com o adulto que existe em você, sua fome será saciada por você mesmo. E a sua relação com as pessoas se transformará. Deixará de ser uma busca de alguém que supra suas necessidades infantis e passará a refletir o prazer e a alegria de uma troca genuína e adulta com outro ser humano. E com certeza, essa mudança fará com que as pessoas parem de se afastar de você e passem a querer estar a seu lado.

Leila Ferreira – Obsessão pelo Melhor…

28/09/2012

Estamos obcecados com “o melhor”. 

Não sei quando foi que começou essa mania, mas hoje só queremos saber do “melhor”.

Tem que ser o melhor computador, o melhor carro, o melhor emprego, a melhor dieta, a melhor operadora de celular, o melhor tênis, o melhor vinho.

Bom não basta.

O ideal é ter o top de linha, aquele que deixa os outros pra trás e que nos distingue, nos faz sentir importantes, porque, afinal, estamos com “o melhor”.

Isso até que outro “melhor” apareça e é uma questão de dias ou de horas até isso acontecer.

Novas marcas surgem a todo instante. 

Novas possibilidades também. E o que era melhor, de repente, nos parece superado, modesto, aquém do que podemos ter.

O que acontece, quando só queremos o melhor, é que passamos a viver inquietos, numa espécie de insatisfação permanente, num eterno desassossego.

Não desfrutamos do que temos ou conquistamos, porque estamos de olho no que falta conquistar ou ter.

Cada comercial na TV nos convence de que merecemos ter mais do que temos.

Cada artigo que lemos nos faz imaginar que os outros (ah, os outros…) estão vivendo melhor, comprando melhor, amando melhor, ganhando melhores salários.

Aí a gente não relaxa, porque tem que correr atrás, de preferência com o melhor tênis.

Não que a gente deva se acomodar ou se contentar sempre com menos.
Mas o menos, às vezes, é mais do que suficiente.

Se não dirijo a 140, preciso realmente de um carro com tanta potência?

Se gosto do que faço no meu trabalho, tenho que subir na empresa e assumir o cargo de chefia que vai me matar de estresse porque é o melhor cargo da empresa?

E aquela TV de não sei quantas polegadas que acabou com o espaço do meu quarto?

O restaurante onde sinto saudades da comida de casa e vou porque tem o “melhor chef”?

Aquele xampu que usei durante anos tem que ser aposentado porque agora existe um melhor e dez vezes mais caro?

O cabeleireiro do meu bairro tem mesmo que ser trocado pelo “melhor cabeleireiro”?

Tenho pensado no quanto essa busca permanente do melhor tem nos deixados ansiosos e nos impedido de desfrutar o “bom” que já temos.

A casa que é pequena, mas nos acolhe.

O emprego que não paga tão bem, mas nos enche de alegria.

A TV que está velha, mas nunca deu defeito.

O homem que tem defeitos (como nós), mas nos faz mais felizes do que os homens “perfeitos”.

As férias que não vão ser na Europa, porque o dinheiro não deu, mas vai me dar à chance de estar perto de quem amo…

O rosto que já não é jovem, mas carrega as marcas das histórias que me constituem.

O corpo que já não é mais jovem, mas está vivo e sente prazer.

Será que a gente precisa mesmo de mais do que isso?

Ou será que isso já é o melhor e na busca do “melhor” a gente nem percebeu?

“Sofremos demais pelo pouco que nos falta e alegramo-nos pouco pelo muito que temos.”   (Shakespeare)

Karina Possa Abrahão – O poder de um sorriso!

09/09/2012
Ótimo texto escrito por 

Dizem que quando você beija alguém na boca movimenta diversos músculos faciais, mas existe um outro uso desses músculos que pode disparar efeitos psicológicos mais fortes em outras pessoas: sorrir. O sorriso é uma das feições que não me parece ser afetado pela cultura. Eu não conheço um relato de uma região no mundo na qual seja proibido sorrir ou que um sorriso represente qualquer outra coisa que não satisfação, alegria e felicidade. Da Terra del Fuego aos esquimós do extremo norte, “um sorriso vale mais do que mil palavras” e, por isso mesmo, não preciso descrevê-lo.

Digitei a palavra “smile” (sorriso em inglês) em uma das bases de dados mais frequentadas pelos cientistas de todo o mundo (pubmed.com) e descobri que o artigo mais antigo que trata desse assunto, registrado nessa base, é intitulado: The Nature of the Smile and Laugh de autoria de George V.N. Dearborn da Harvard University, publicado na revista Science (uma das revistas mais prestigiadas na área científica) em 1o de junho de 1900. Já se vão mais de 100 anos que estudamos cientificamente o poder do sorriso. Em seu texto, George Dearborn descreve que os sorrisos verdadeiros vem de estímulos que causam realmente prazer. Outros estímulos, sarcásticos ou dolodoros, desencadeiam o que ele chamou de “smile-like” (ou “gesto parecido com um sorriso”). Na minha opinião é muito importante que aprendemos a distinguir entre diferentes tipos de sorrisos para não nos enganarmos com as intenções das outras pessoas. Prestem atenção em olhos e altura dos lábios.

Outro ponto importante colocado por George Dearborn foi que mesmo em um recém-nascido já é possível observar que os olhos e, especialmente a boca, mostram um sorriso incipiente que pode ser traduzido como um reflexo mecânico facial da sensação de prazer. É muito interessante notar que um bebê pode não ter um domínio completo do movimento de suas pernas, braços e mãos (por exemplo, ao tentar colocar a mão na boca, um bebê erra inúmeras vezes), mas é evidente que um bebê tem um controle eficaz dos músculos faciais, uma vez que pode controlá-los para gerar uma expressão facial como o sorriso. Essa expressão envolve a ação simultânea de mais de uma dúzia de músculos de cada lado da face. O sorriso pode ser uma característica inata e não menos importante do que as ações mecânicas inatas de sucção de leite ou digestão. Por uma questão evolutiva tanto o chorar quanto o sorrir parecem fazer parte da comunição inicial de um recém-nascido. O senhor George Dearborn ficaria surpreso hoje em dia com as ultrasonografias que mostram que bebês, mesmo dentro da barriga das mães, já expressando feições sorridentes.

E outros animais? Podem eles expressar sorrisos? Veja as fotos do site: “smiling-animals-world-smile-day“. Alguns exemplos estão abaixo. Para mim todos eles parecem estar bem satisfeitos com a situação a qual foram expostos. Desde 1900, George Dearborn descrevia que: “Dogs and monkeys are not infrequently seen to smile, and there are many who consider certain joyous manifestations in other animals as properly laughter.”. Sei que este ponto é discutível, mas com certeza o ser humano é afetado positivamente por feições como essas abaixo, mesmo quando vindas de outras espécies.

A expressão do sorriso é tão importante para a comunicação humana que, mesmo em ambientes virtuais, nos utilizamos de artifícios para essa expressão, como por exemplo o  tão popular Smile. Essa carinha sorridente amarela é utilizada milhões de vezes ao dia por intenautas do mundo inteiro. É a melhor forma de expressão desatisfação e alegria em relação a um evento qualquer quando não temos nossa própria face para expor nosso sentimento. Digita-se dois pontos seguidos do parênteses de fechamento – : ) -. Muitos programas já trocam esses símbolos pela figura ao lado.

E eu com meu viés científico relacionado à teoria da recompensa e do sistema neuronal associado com a motivação, não posso deixar de comentar que uma boa gargalhada também causa uma sensacão de prazer, ou seja, não só o prazer causa um sorriso mas ele por si induz prazer. Um sistema positivo de retro-alimentação muito interessante. Será que é por isso que as vezes tenho crises de riso? Esse efeito é associado biologicamente à liberação de neurotransmissores como dopamina e serotonina em regiões de recompensa cerebral. Além disso, um sorriso relaxa o organismo e contribui para a melhora da saúde!

Em resumo, sorria:

Com tantas vantagens do sorrir, aparentemente podemos abusar dele. Além de nos fazer bem, ele afeta fortemente outros ao nosso redor. Como mencionado pelo palestrante do vídeo colocado acima, Ron Gutman: um sorriso pode causar sorrisos em outras pessoas e criar um ciclo vicioso no mínimo curioso. Um exemplo disso, utilizado em publicidade de uma forma brilhante, foi uma promoção da Brastemp de 2010 : “O dia em que um sorriso parou São Paulo”. Na realidade, eu acho que as pessoas nem precisariam estar ouvindo o rádio para sorrir de volta!

SORRIA!!!!!!

Urologista Miguel Srougi

28/08/2012

Interessante a matéria…tanto para os homens quanto para as mulheres. Vale muito a pena lê-la até o final.

UROLOGISTA MIGUEL SROUGI  (entrevista)

O urologista, que cuida da saúde do “PIB”  brasileiro, fala sobre os principais  temores masculinos, como problemas na próstata, disfunções sexuais e  decadência física. Não tem nem o que questionar: quando se fala em urologia, e  principalmente  em saúde masculina, primeiro nome da agenda e da confiança dos principais políticos, empresários e brasileiros em geral é o do médico Miguel Srougi. Considerado o número 1 do Brasil em Cirurgias de câncer de próstata ( já realizou 2.900), atende em seu consultório gente como o presidente Lula, José Alencar, José Serra , Geraldo Alckmin, Joseph Safra, Lázaro Brandão, Abílio Diniz e  Antônio Ermírio de Moraes, entre outros pesos pesados. Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, 35 anos de carreira, uma dezena de livros publicados e outra centena de artigos espalhados mundo afora, Srougi tem a simplicidade daqueles que muito sabem, pouco ostentam e continuam lutando. Ele se dedica integralmente ao que faz – trabalha todos os dias, das 7 da manhã às 10 da noite -, abriu mão da vida pessoal – é casado, pai de dois filhos – e  não tem receio de dizer que se envolve demais com seus pacientes. “Sofro muito e esse sofrimento é um dos fatores de sucesso da minha carreira, porque acabo me entregando mais aos doentes.” Embora viva intensamente entre os limites das dores da perda e alegrias dos resgates da vida, Srougi, aos 60 anos, se abastece lecionando na Faculdade de Medicina, “uma de minhas razões existenciais”. No ano passado inaugurou um moderno centro de ensino e pesquisa para seus alunos, garimpando verbas junto aos seus pacientes poderosos. A sala ganhou o nome de Vicky Safra, mulher de Joseph Safra – em homenagem ao banqueiro que doou a maior parte dos recursos.  Nesta entrevista, o maior especialista em câncer de próstata do país afirma que “todo homem nasce programado para ter a doença” e que, se viver até os 100 anos, inevitavelmente vai contraí-la. Fala ainda sobre medos, fantasmas masculinos, impotência, novos tratamentos e seus sonhos pessoais.[E conta por que trocou o Hospital Sírio-Libanês pelo Oswaldo Cruz depois de 30 anos. A seguir, os principais trechos.

ASSOMBROS MASCULINOS

Os homens têm uma certa sensação de invulnerabilidade – isso faz parte da cabeça deles. Passam boa parte da sua vida livre de todos os incômodos que a mulher tem, fazendo com que relaxem mais com a sua saúde. Com o passar dos anos, começam a perceber a sua vulnerabilidade e passam  a dar um pouco mais de valor aos cuidados médicos. O que mais os atemoriza hoje? Problemas com a próstata, disfunções sexuais e a decadência física, que mexe muito com a cabeça das mulheres, mas também com a deles. As mulheres pautam muito a vida em função da beleza e os homens, da força, da virilidade, da capacidade de agir, raciocinar. E na hora em que surgem falhas nessas áreas, ele percebe que, talvez, não seja aquele ser imortal que achava que fosse.

ENVELHECIMENTO

Há dois profundos temores hoje nos homens: o primeiro é o crescimento benigno da próstata, um fenômeno que ocorre em praticamente todos eles: ela aumenta de tamanho depois dos 40 anos e, dessa forma, o canal da uretra fica ocluído. Isso faz com que o homem comece a urinar sucessivas vezes, a não ficar em uma reunião prolongada, tem de levantar à noite, prejudica o sono, acorda mal, pode ter descontroles de urina. O crescimento benigno é quase inexorável: todos os homens vão ter em maior ou menor grau – felizmente, apenas um terço, 30%, tem sintomas mais significativos que exigem apoio médico. Nesses casos, há medicações que desobstruem parcialmente a uretra e fazem o indivíduo urinar e viver melhor; apenas de 4% a 5% dos homens têm de fazer uma cirurgia para desobstruir a uretra por causa desse crescimento benigno. Essa é uma cirurgia, que se faz com segurança e sem os inconvenientes de uma cirurgia maior nos casos de câncer.  Ela remove apenas o fator obstrutivo, o homem passa a viver melhor e sem nenhuma seqüela. Esse crescimento não tem causa conhecida, surge por um desequilíbrio hormonal no homem maduro, ou seja, as células da próstata passam a se proliferar em decorrência dos hormônios. Não tem como prevenir.  Existem algumas medidas, mas nenhuma consistente.

OBESOS E FUMANTES

Existe a idéia de que o obeso e os fumantes teriam menos crescimento benigno da próstata. O que é interessante é que a próstata seria o único lugar no organismo que eles deixam de ter todas as desvantagens, mas a realidade é meio dura: recentemente se apurou que eles são menos operados da próstata, mas não porque ela não cresce, mas pelo receio dos médicos de operá-los porque complicam mais e também porque muitas vezes não vivem o suficiente para ser operados – morrem antes. É uma realidade perversa.

REALIDADE NUA E CRUA

O câncer na próstata adquire maior relevância porque tem uma grande prevalência: 18% dos homens – um em cada seis – manifestarão a doença.E
também porque o tumor, que ocorre com muita freqüência dentro da próstata, é eliminado com sucesso em 80%, 90% dos homens. Se esse tumor não é identificado no momento certo e se expande, saindo para fora da próstata, as chances de cura caem para 30%. É um tumor muito comum e se for detectado a tempo, tem como resgatar esse paciente. Dos 18%, somente 3% morrem – a medicina consegue curar 15% dos homens,ou seja, a maioria. Mas vale dizer que todo homem nasce programado para ter câncer de próstata. Ou seja, nós temos, nas nossas células, genes que as estimulam a virar cancerosas e eles ficam bloqueados durante a nossa existência. Quando o indivíduo envelhece, esses mecanismos de bloqueio deixam de exercer o seu papel e o câncer começa a se manifestar. Com isso vai aumentando a freqüência da doença e todo homem que chegar aos 100  anos vai ter câncer de próstata.

SEM FANTASIA

O exame de toque – um dos meios de se detectar a doença – gera na cabeça dos homens fantasias negativas e receios, mas, na verdade, eles tem muito medo da dor. Tanto é que os que fazem pela primeira vez, no ano seguinte perdem o medo. Leva três ou quatro segundos e não dói. Então, um dos fatores de resistência é eliminado. Existe um segundo sentimento, que é muito forte: expressar, exteriorizar uma fraqueza se a doença for descoberta. O homem tem pavor disso porque, de acordo com todas as idéiasevolucionistas, só vão sobreviver aqueles que forem fortes. É comum você descobrir um câncer no indivíduo, e ele entrar em pânico, não pela doença, mas porque as pessoas vão descobri-la. Porque o câncer é muito relacionado com morte, decadência física, perda da independência, dependência dos outros. O homem não aceita essa idéia, e prefere fechar os olhos e enfiar a cabeça  debaixo da terra a enfrentar, mostrando para o mundo e às pessoas que ele é um ser mais fraco. Isso vai afetar a imagem dele, acha que vai perder poder sobre outras pessoas, porque ninguém obedece a um fraco, alguém que vai morrer. Isso vai contra a idéia que temos de ser mais fortes para sobreviver.

A PERFORMANCE DO ROBÔ

Estamos fazendo cirurgias com robô, que permite uma visão muito mais precisa do campo cirúrgico, elimina os tremores da mão do cirurgião, permite incisões pequenas, uma operação muito mais perfeita porque os movimentos dele são muito suaves. Isso é muito novo no Brasil. Fiz o primeiro caso há dois meses, no Sírio-Libanês. E agora, o Albert Einstein tem e o Oswaldo Cruz está adquirindo. Nos Estados Unidos se faz cirurgia robótica em larga escala. Lá, o robô ganha em performance do cirurgião médio, mas ele ainda perde do habilitado. Tenho mais de 2.900 pacientes operados de câncer de próstata pessoalmente. Eu sou o terceiro cirurgião do mundo nesse quesito – só perco para dois americanos e eles estão parando de trabalhar. Apesar de ter essa grande experiência, quando comecei a operar, 35% ficavam com incontinência urinária grave. Agora são só 3%. Impotentes, todos também ficavam. Hoje, se o  homem tem menos de 55 anos, a incidência é de 20% – antes era 100%. Há também enxertos de nervos, porque a impotência se deve à remoção de dois nervos que passam perto da próstata e nós estamos fazendo esse enxerto quando somos obrigados a retirá-los nos casos em que o tumor fica grudado. Entre os pacientes que fizeram os enxertos, metade voltou a ter ereções com o tempo.

IMPOTÊNCIA, O QUE FAZER?

Esses novos remédios para tratar a disfunção sexual contornam 1/3 da impotência, tanto após a cirurgia quanto depois da radioterapia. Se os
comprimidos não atuarem, existem injeções. Há ainda próteses penianas que são muito desenvolvidas e produzem uma ereção que quase não tem nenhuma diferença em relação à normal. Isso permite que o homem reassuma a vida sexual plenamente e que as mulheres tenham muita satisfação. Os homens ficam extremamente felizes – são hastes colocadas dentro do pênis. Não fica marca, nem cicatriz. Nos Estados Unidos, entrevistaram as mulheres sobre os homens que tinham prótese e as respostas foram positivas. Ela funciona muito bem.

O PAPEL DAS MULHERES

Os homens são resistentes: eles relutam muito em ir ao médico fazer um exame de próstata e só vão quando a mulher os empurra: dois terços dos
pacientes no consultório de Miguel Srougi são trazidos por elas. “Ligam para marcar a consulta, os acompanham. A gente não vê mulheres jovens trazendo homens jovens para fazer exames. A gente vê mulheres maduras. Claro que o jovem não está na faixa de risco. Mas existe um outro
significado da importância da mulher. Primeiro, que ela é pragmática e incentiva o marido. “Mas, por que ela quer isso? “Porque quem ficou vivendo bem 30 anos e conseguiu superar todos os embates da vida conjugal é um casal que o tempo consolidou. E aí a mulher tem um sentido de preservação da família muito mais forte que o do homem. Passadas as tempestades e oscilações do relacionamento, ela não quer que o marido morra. É real. Toda vez que tenho um paciente e ofereço dois tratamentos: um que aumente a existência dele, mas vai, por exemplo, causar alguma deficiência na área sexual. E ofereço um outro tratamento, que cura menos, mas preserva melhor a parte sexual, o homem balança na decisão. A mulher nunca hesita. Ela prefere aquele que aumenta a existência, mesmo ocorrendo o risco de comprometer a vida sexual dele e do casal. Poucas vezes vi uma mulher aconselhar um tratamento que dê menos chance de vida e aumente a possibilidade de ele ficar potente. Dá para contar nos dedos. Ela quer o companheiro, quer preservar aquela pirâmide que foi construída, que é rica.”

SOFRIMENTOS E PRIVILÉGIOS

Eu me envolvo muito com meus pacientes. Sofro muito. E esse sofrimento é um dos fatores do sucesso da minha carreira, de 35 anos. Nesse sofrimento eu acabo me entregando mais e mais aos doentes. Isso é ruim, porque não tenho vida pessoal, minha vida familiar é feita nos intervalos. Felizmente, os momentos bons prevalecem sobre os ruins. É por isso que eu sobrevivo. Um doente que coloca a cabeça no meu ombro e agradece por ter feito algo por ele, ou deixa correr uma lágrima na minha frente, me faz deletar, superar aqueles momentos em que me senti totalmente impotente. Uma das coisas importantes é o médico saber e demonstrar que a medicina não é infalível e ele não se sentir onipotente. O urologista tem um privilégio. O oncologista mexe com câncer avançado, já no fim do caminho – eu lido com o inicial. Eu consigo salvar muita gente. É um privilégio para mim.

MEDO DA SEPARAÇÃO

Nós não queremos morrer. Primeiro, pela incerteza do porvir. Segundo, porque a morte implica extinção e o ser humano não aceita a aniquilação. A nossa cabeça nasceu para ser imortal. A morte está relacionada com dor, sofrimento, à decadência física, à desfiguração, à perda do papel social, desamparo da família, perdas dos prazeres materiais, da independência. Mas a causa verdadeira é o nosso horror de nos separar das pessoas que amamos. Bem material não deixa ninguém feliz. Há tanta gente rica se suicidando, tomando droga para sair da realidade. Os médicos não compreendem isso. Se as pessoas têm medo de se afastar das pessoas do seu entorno, você precisa tratar o entorno também. Não é o médico que apóia o doente nas fases difíceis – é a família. Eles reagem raivosamente contra a família, querem afastá-la do processo, sem perceber que um doente só vai ter paz, tendo a morte pela frente ou não, se a família estiver ao lado.

A SAÍDA DO SÍRIO-LIBANÊS

Os verdadeiros templos na Terra são os hospitais – não as igrejas. Nas igrejas tem muito ouro, riqueza. Aqui não,  você conhece o sofrimento, o valor da existência humana. Os orgulhosos e os soberbos ficam humildes, ricos e pobres são iguais; os ruins, os autoritários e os maldosos se tornam condescendentes: eles ficam despidos, tiram a máscara; é aqui que você conhece o que é viver, que resgata para a vida, não em uma igreja qualquer, que o sujeito entra lá, reza dez minutos e sai. Ele pode até sarar, cicatrizar a sua alma. Mas aqui nós curamos a alma e o corpo. Esse é o verdadeiro templo, onde o ouro é a vida. Você entende o impacto que a desigualdade social tem sobre o ser humano, a pobreza, a falta de instrução causa doenças. Depois de 30 anos no  Sirio-Libanês eu mudei para o Oswaldo Cruz. Achar que eu vou ter novas salas, três enfermeiras a mais, é brutalizar o que passou pela minha cabeça. Mudei porque não estava vendo esse lugar como um templo. Eu vivo intensamente, por isso tenho esses sentimentos.

UM POUCO DE FILOSOFIA

A melhor forma de se transmitir as virtudes é pelo exemplo, pela coerência. Certa vez perguntaram para Sócrates como a virtude poderia ser transmitida –  se pelas palavras ou conquistada pela prática. Ele não soube responder. Então, Aristóteles, depois de uns anos, respondeu: “A virtude só pode ser transmitida pela prática e por meio do exemplo”. Aqui, eu posso tentar ser o exemplo. Mudando o cotidiano das pessoas, transformando a sociedade e construindo um novo mundo.

CINCO MEDIDAS PREVENTIVAS

Segundo Miguel Srougi, a prevenção ao câncer de próstata é feita de forma um pouco precária, porque não existem soluções para impedi-lo. Na prática, há o licopeno, que é o pigmento que dá cor ao tomate, à melancia e à goiaba vermelha. “Talvez diminua em 30% a chance, mas esse dado é controvertido, por causa disso a gente incentiva os homens a comerem muito tomate, só que deve ser ingerido pós-fervura, ou seja, precisa ser molho de tomate. Não pode ser seco ou cru.” A vitamina E também reduz teoricamente os riscos em 30%, 40%. Mas, se for ingerida em grandes quantidades,  produz problemas cardiovasculares. Na verdade, se o homem quiser se proteger, deve tomar uma cápsula de vitamina E por dia. Acima disso, não é recomendável. O terceiro elemento é o Selênio, um mineral que existe na natureza e é importante para manter a estabilidade das células, impedindo que elas se degenerem, que é encontrado em grande quantidade na castanha-do-Pará.  “Qualquer homem pode ingerir em cápsulas, mas se ele comer duas castanhas por dia, recebe uma certa proteção”, diz o especialista. Uma quarta medida é comer peixe,  três porções por semana – rico em ômega3 e tem uma ação anticancerígena provável. E, uma quinta, tomar sol. “O homem que toma muito sol sintetiza na pele vitamina D, que tem forte ação anticancerígena. É por isso que os homens da Califórnia desenvolvem muito menos a doença do que os de Boston”, afirma Srougi.

     Obs.: Estas 5 Medidas Preventivas, penso que sejam válidas para homens e mulheres, pois já ouvi e lí em outros locais, estas mesmas recomendações para prevenir outros tipos de câncer.

Como preservar os filhos durante a separação ? (Entrevista concedida ao Jornal Primeira Página de São Carlos)

28/06/2012

Quando o divórcio ou a separação é inevitável e o casal possui filhos é preciso que haja cautela ao lidar com os pequenos, que muitas vezes ficam no meio da briga dos pais, o que poderá causar danos dolosos no psicológico da criança. Outra questão é que nesse momento é preciso tomar decisões importantes, como a guarda dos filhos.

“Todo divórcio é complicado, tanto para o casal, como para os filhos que presenciam todas as brigas e discussões do casal até a decisão final de se separar. Atualmente, com o avanço do Código Civil, existe a guarda compartilhada que é um instituto novo, criado para tentar minorar a agressividade do divórcio na vida dos filhos. A guarda compartilhada consiste na possibilidade da prole passar bastante parte de seu dia, semana, mês, como for convencionado entre as partes, com os dois genitores,

na tentativa de diminuir os danos causados pela dissolução familiar.Salientando que neste tipo de guarda deve existir o consenso entre os pais”, afirma a advogada Michelle Francelin.

O psicólogo cognitivo comportamental Flávio Mesquita, alerta sobre como os pais podem lidar com os filhos durante o processo de separação. “Existe um mito de que os pais são obrigados a ficar casados, por causa dos filhos. É melhor lidar com a ideia de que a criança esteja em meio a uma separação saudável, do que no meio de uma relação desgastada e destrutiva, em que há muita instabilidade emocional. Isso mostra para a criança que ela não tem o direito de tomar decisões importantes em prol da sua felicidade, durante sua vida”, explica. “Outra coisa fundamental é tirar qualquer traço de que a criança seja a culpada pela separação. As crianças, principalmente as pequenas, têm uma tendência a sentirem-se culpadas pelas brigas do casal. Por isso cabe aos pais a responsabilidade de explicar o quanto elas são amadas, que o problema é entre eles e que mesmo separados continuarão amando e dando toda atenção a elas”, complementa.

“Os pais jamais devem denegrir a imagem um do outro para os filhos. Nunca colocar em risco o vínculo parental da criança. Uma coisa é o relacionamento do casal que não existe mais, e outra é a ligação que o filho tem com a mãe ou com o pai”, ressalta o psicólogo.

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conteudo original acessível em : http://jornalpp.com.br/cultura/item/11493-como-preservar-os-filhos-durante-a-separacao

O ATENTADO

24/06/2012

Tudo caminhava como havíamos planejado. Nossos filhos nasceram e cresciam saudáveis, cheios de vida, bem educados, e correndo para realizarem seus sonhos.

Queriam ser vencedores na vida, e propiciar a nós, a eles e a seus descendentes, o que qualquer família mais deseja: honra, dignidade, respeito e paz.

Aprenderam desde cedo que nada cai do céu, que nada se consegue sem luta. Os sonhos se realizam, mas demanda muito trabalho e obstinação.

Recebiam de nossa parte, todo o apoio possível para vencerem as etapas, e continuar a escalada rumo ao sucesso.

Havia os pequenos contratempos: alguns desentendimentos de casal, briguinhas entre irmãos, amigdalites, gripes… Mas logo eram superados.

Tudo dava certo, tudo se concretizava, tudo caminhava bem.

Pensava comigo mesmo: Somos uma família sólida, respeitada e espiritualizada. Estamos protegidos das maldades absurdas do mundo atual.

Nossos filhos vão ser alguém na vida.

Mas, sem menos esperar, sofremos um violento atentado.

O ataque foi certeiro e dentro de casa.

Guardando as devidas proporções, compara-se ao atentado sofrido pelos Estados em 11 de setembro de 2001, quando sua soberania foi abalada.

Assim como eles; não sabíamos quem era o inimigo; nem mesmo o nome, e como nos defender.

O estrago foi grande. As estruturas do lar foram seriamente abaladas. Quase veio tudo abaixo.

Com ajuda de pessoas experientes conseguimos identificar o inimigo, como age e o que pretende.

O que parecia impossível aconteceu. A droga havia entrado em casa.

Um de nossos filhos agora é um dependente químico.

Não tem mais sentimentos nobres, não tem mais respeito por ninguém, não tem mais sonhos, praticamente não tem mais vida. Só pensa em conseguir a próxima pedra. Vive num submundo de momentos de prazer, e horas de sofrimento.

Dói muito em nós também, arranca lágrimas, dilacera nossos corações.

Mas esse crack filho da mãe, não sabia com quem estava mexendo.

Não sabia que estava entrando na casa errada.

Não sabia que encontraria uma família estruturada, que ama e defende suas crias com unhas e dentes.

Deu-se mal, porque além de lutarmos por nosso filho e nossa família, não vamos medir esforços para ajudar outras famílias mais fracas, a resistirem a seus ataques, ou recuperar seus dependentes.

Estamos atracados numa luta feroz. Na verdade um duelo onde um dos oponentes vai ser aniquilado, e tenho certeza absoluta que não seremos nós, porque temos as três armas mais poderosa do universo: CORAGEM, AMOR E DEUS.

Ele não vai matar nosso filho.

I.D. e Zelso Rigolão. Coordenador do grupo experimental de Amor-Exigente de Ibaté SP.  

PROCRASTINAÇÃO… O que está por trás desse disturbio?

20/06/2012

Procrastinação é o adiamento de uma ação. É aquele velho habito de deixar tudo para depois …. de “empurrar com a barriga”….

Embora procrastinar seja muito comum, o fato de não cumprir com suas responsabilidades pode resultar em stress, sensação de culpa, perda de produtividade e vergonha. Isso pode ser um sinal de um disturbio crônico e nocivo, mostrando assim, uma possível desordem psicológica e a saúde fisica também acaba sendo abalada.

O procrastinador é alguém que faz várias pequenas coisas ao mesmo tempo, exatamente para não fazer aquilo que realmente deve ser feito, priorisando coisas menos importantes em vez de direcionar suas ações para aquilo que seria o mais importante. E assim, vive a ilusão de que adiando, tudo sera solucionado.

O adiamento, na maioria das vezes proporciona um alívio temporário, porque o procrastinador acredita que tudo dará certo no final.

Frequentemente as consequências são danosas, quando se olha para trás e se percebe quanto tempo foi jogado fora por falta de ação.

A partir daí, o procrastinador quer empreender grandes mudanças, querendo mudar tudo de uma vez só como num passe de mágica.

Claro, que suas tentativas serão frustradas, porque nada se faz do dia para a noite, precisamos de muito tempo e empenho para conquistar nossas grandes realizações.

Como isso tudo começa?

Na grande maioria das vezes na infancia quando as crianças são extremamente cobradas pelos pais, acreditam que não conseguirão realizar suas tarefas de modo satisfatório e acabam postergando por medo e insegurança tudo que for importante.

E também o outro lado da mesma moeda, ou seja, crianças extremamente protegidas, pois acreditam que sempre alguém fará por elas. Tornando-se assim, adultos inseguros para agir quando alguem não as tiver auxiliando.

Dicas importantes:

-Faça uma lista dos seuas afazeres diários. Analise numerando o que é mais importante e comece a ação por ele.

– Enfrente situações que antes procrastinaria. Isso proporcionará sensação de alívio após concluir uma tarefa e perceber que livrou-se dela de maneira positiva.

 – Reconheça que procrastinar vai lhe trazer mais dor do que realizar a tarefa. Na maioria das vezes, as coisas são menos complicadas do que pareciam ser.

– Avalie o que vai deixar de ganhar ou no que pode perder caso não realize essa atividade.

 – Quando perceber que está querendo procrastinar de novo, proponha-se a atuar por apenas alguns minutos na ação que está tentando evitar.

– Se a tarefa for muito desagradável, dê uma pausa e faça algo importante. É imprescindível não parar de agir.

Transtorno obsessivo-compulsivo em jovens é alvo de estudos no HC

10/05/2012

O Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP está fazendo pesquisas sobre métodos de tratamento do TOC (transtorno obsessivo-compulsivo) para crianças e jovens e sobre a hereditariedade do transtorno.

Um dos estudos vai comparar a eficácia de iniciar o tratamento com remédios e/ou com terapia cognitiva-comportamental. Os participantes receberão acompanhamento por um ano.

A pesquisa seleciona voluntários entre crianças e jovens de seis a 17 anos que tenham pensamentos, impulsos ou comportamentos repetitivos.

Um segundo estudo está avaliando a possibilidade de pais com transtornos de ansiedade terem mais risco de gerar filhos que vão desenvolver esse tipo de problema.

Podem participar da pesquisa pais que receberam diagnóstico de TOC, pânico, ansiedade e fobia social, com filhos de três a 17 anos.

Inscrições para os estudos podem ser feitas pelo telefone 0/xx/11/2661-7594.

Fonte: Folha de São Paulo


Auto-sabotagem : existe isso ?

10/05/2012

Comecemos pelo fim … e, para tanto, peço ajuda de Einstein que em uma das suas mais brilhantes citações filosóficas, nos alerta que :

“Uma mente que se apropria de uma ideia nunca mais volta a seu tamanho original.” 

Isso não é fantástico ? Pense bem, quando nós nos apropriamos de um saber, este passa a ser integrante de nosso repertório de conhecimento, nós nos ampliamos na capacidade de compreender aquilo que estava sob investigação … é nosso, ninguém mais tem como tirar.

Com excessão de talvez de uma pessoa apenas : nós mesmos.

E é justamente aí que entra a auto-sabotagem. É muito mais comum do que se imagina se deparar em terapia com pessoas que parecem atreladas a um padrão de negativismo.

Este se apresenta de várias formas em um gradiente ilimitado de gravidade, pode ir desde uma mera tendência ao sedentarísmo (onde se boicotam o cuidado com o corpo, estudo, trabalho, planos pessoais, responsabilidade nas inter-relações, etc), passando pela auto-estima degradada, vulnerabilidades aos vícios (tabagismo, comer compulsivo, álcool, drogas lícitas ou ilícitas), depressão (em menor ou maior grau) e chegando mesmo a auto-mutilação (quando a pessoas recorre ao extremo de impingir-se a dor, física ou psicológica, como forma pervertida de prazer ou de “sentir-se viva”).

A origem dessa condição é, como em tudo na psicologia, multi-determinada e seria leviandade apontar uma ou outra causa como determinante, mas a investigação de como essa pessoa foi estruturada em seus recursos de enfrentamento desde a primeira infância é uma necessidade terapêutica e campo promissor na perspectiva de mudança.

Crianças que cresceram em lares onde elas foram alvos recorrentes de crítica, ou usadas como válvula de escape da violência doméstica subjacente, tendem a introjetar uma tendência a sempre verem-se enredadas no negativo e acabam investindo ao longo da sua vida em uma série de situações que lhe são reconhecidas como familiares : chamam a atenção para si através de padrões de vitimização, masoquismo, hipocondria, dependências, fragilidade, etc.

Ou tornam-se eles próprios críticos contumazes, sempre projetando no outro os defeitos que sua baixa auto-estima não permite que ele enxergue de frente na sua própria sombra.

Em eventos de maior clareza e enlevados pela inquietação (que pode eventualmente se transformar no combustível necessário para a mudança), questionam razões pelas quais parecem sempre estar tropeçando nas coisas da vida: parceiros errados, trabalhos insatisfatórios, performances as mais variadas aquém do desejado, ou seja, parece que sempre existe um “freio de mão puxado” ou uma “nuvem cinza” que paira sobre suas cabeças.

Parece até que sabem o que precisa ser feito para mudar e chegam mesmo a planejar as ações necessárias, mas na hora “h” falta-lhes recursos e acabam reincorrendo nos mesmos padrões … afinal de contas “nem vale a pena tentar, pois como não vou conseguir mesmo, assim pelo menos a frustração é menor.”  Protegem-se do fracasso garantindo que não terão a vitória.

Para romper com esse ciclo vicioso, precisamos lembrar do nosso amigo Einstein lá do início do texto e nos rendermos a ideia de que apenas nós mesmos podemos nos dar conta de que se existe uma tendência, um viés que me faz paralisar frente ao novo, me aterroriza diante do desafio, ou me faz “roer a corda” frente aos compromissos estabelecidos comigo mesmo das ações reconhecidas como necessárias … muito provavelmente eu esteja me auto-sabotando.

A terapia é o campo adequado para se aperceber desta condição e também um aliado poderoso no sentido de aparelhar-se adequadamente para empreender no movimento correto para sua superação.

Mas essa oportunidade só pode ser oferecida a si próprio quando a pessoa se dá conta e busca o amparo psicológico. Compete a cada um investigar o quanto já “patinou no mesmo lugar” e o quanto ainda está disposto a sofrer, ou se chegou a hora de virar o jogo em seu próprio favor.

Terapia é um ato de escolha deliberado, exige engajamento e disponibilização de recursos não podendo, desta forma, ser considerado algo para “fracos”, ao contrário, é para aquelas que já tem a determinação necessária de enfrentar o que precisa ser enfrentado em busca de uma vida mais plena.

Separação: como lidar com o problema (Entrevista concedida ao Jornal Primeira Página de São Carlos)

02/05/2012
Quando não há mais nada em comum, uma solução pode ser a separação

Quando a vida afetiva está desgastada e o casal percebe que não há mais nada em comum entre os dois, uma alternativa sadia pode ser a separação. Mas como saber qual o momento certo para tomar essa importante decisão, já que no caso dos casais que são casados, moram juntos, ou tem filhos, há um desgaste maior e um lado jurídico a ser resolvido? E como lidar com a dor causada para aqueles que seguem esse caminho?

Se o casal já não se fala como deveria, se não há respeito, cumplicidade, paixão e amizade, é hora de fazer uma análise e avaliar o que ainda vale a pena ou não na relação. Caso as duas partes concluam que não a mais nada em comum e que a vontade de ficarem sós é maior, ai é chegado o momento da separação, mesmo que isso seja doloroso. “Uma medida que poderá trazer benefícios para a crise é que o casal procure uma terapia especializada, em que o profissional poderá orientá-los melhor e deixar alguns pontos esclarecidos. É importante avaliar os prós e os contras, colocando todas as questões na balança. Não vale a pena ficar em uma relação que só traga desprazer. Nessas horas a comunicação é fundamental, ouvir o parceiro, saber colocar-se diante das situações e entender a perspectiva do outro, ajudará no momento de uma possível separação”, diz o psicólogo cognitivo comportamental Flávio Mesquita.

Enfrentar as perdas é uma das maiores dificuldades do ser humano. Qualquer decisão tomada na vida implica em ganhar algumas coisas e perder outras. “As pessoas envolvidas na separação precisam entender que a vida continua e que isso trará novos acontecimentos. É preciso pensar nas vantagens que a decisão trará a curto e longo prazo. Entenda que para ser feliz, não dependemos de outras pessoas, e sim que a felicidade é um estado de espírito que está dentro de nós mesmos”, afirma Flávio Mesquita.

Do ponto de vista jurídico a advogada, Michelle Francelin, ressalta que o termo separação não existe mais, nesse caso ocorre o divórcio, que pode ser feito de forma amigável ou litigiosa. “A melhor forma de fazer um divórcio é que ele seja consensual, onde ambas as partes concordam com a dissolução do casamento e que por consequência vão concordar com todas as cláusulas decorrentes do processo, como, por exemplo, divisão de bens, guarda dos filhos, pensão alimentícia, entre outros. Agora quando as partes não concordam entre si, seja qual for o motivo, é preciso que cada um constitua um advogado que irá defender seus interesses. O que torna o processo de separação mais longo e conturbado”.

conteúdo original acessível em : http://www.jornalpp.com.br/cultura/item/11492-separacao-como-lidar-com-o-problema

O Poder dos Quietos – Matéria da Folha

10/04/2012

SUSAN CAIN

tradução ANA CAROLINA BENTO RIBEIRO

Nossas vidas são moldadas tão profundamente pela personalidade quanto pelo gênero ou código genético. E o aspecto mais importante da personalidade –“o norte e o sul do temperamento”, como diz um cientista– é onde cada um se localiza no espectro introversão-extroversão.

Nosso lugar nesse contínuo influencia como escolhemos amigos e colegas, como levamos uma conversa, resolvemos diferenças e demonstramos amor. Afeta a carreira que escolhemos e se seremos ou não bem-sucedidos nela. Governa o quanto temos tendência a nos exercitar, a cometer adultério, a funcionar bem sem dormir, a aprender com nossos erros, a fazer grandes apostas no mercado de ações, a adiar gratificações, a ser bons líderes e a perguntar: “E se?”

Apesar de descobertas animadoras, esses pesquisadores, auxiliados pela tecnologia mais avançada, fazem parte de uma longa e histórica tradição. Poetas e filósofos têm pensado sobre introvertidos e extrovertidos desde o início dos tempos. Os dois tipos de personalidade aparecem na Bíblia e nos escritos de doutores gregos e romanos, e alguns psicólogos evolucionistas dizem que a história desses comportamentos vai muito além: o reino animal também apresenta “introvertidos” e “extrovertidos”, como veremos, de moscas da fruta a peixes e macacos.Isso se reflete nos caminhos do nosso cérebro, nos neurotransmissores e nos cantos mais remotos do nosso sistema nervoso. Atualmente, introversão e extroversão são dois dos aspectos mais pesquisados na psicologia da personalidade, despertando a curiosidade de centenas de cientistas.

Como outros pares complementares –masculinidade e feminilidade, Ocidente e Oriente, liberais e conservadores–, a humanidade seria irreconhecível, e imensamente diminuída, sem os dois estilos de personalidade.

Veja a parceria de Rosa Parks e Martin Luther King Jr.: um formidável orador recusando-se a ceder seu lugar em um ônibus segregado não causaria o mesmo efeito de uma mulher modesta que claramente preferiria manter-se em silêncio, não fosse o que a situação exigia. E Parks não teria o necessário para eletrizar uma multidão se tivesse tentado se levantar e anunciar que tinha um sonho. Mas com a ajuda de Martin Luther King, ela não precisou fazê-lo.

ESTILOS

No entanto, hoje abrimos espaço para um número notavelmente limitado de estilos de personalidade. Dizem que para sermos bem-sucedidos temos que ser ousados, que para sermos felizes temos que ser sociáveis.

Vemo-nos como uma nação de extrovertidos –o que significa que perdemos de vista quem realmente somos. Dependendo de que estudo você consultar, de um terço a metade dos norte-americanos é introvertido– em outras palavras, uma em cada duas ou três pessoas que você conhece. (Considerando que os EUA estão entre as nações mais extrovertidas, o número deve ser pelo menos tão alto quanto em outras partes do mundo.) Se você não for um introvertido, certamente está criando, gerenciando, namorando ou casado com um.

Você só precisa abordar o tema deste livro com seus amigos e conhecidos para descobrir que mesmo as pessoas mais improváveis consideram-se introvertidas.Se essas estatísticas o surpreendem, provavelmente é porque muitas pessoas fingem ser extrovertidas. Introvertidos disfarçados passam batido em parquinhos, vestiários de escolas e corredores de empresas. Alguns enganam até a si mesmos, até que algum fato da vida –uma dispensa, a saída dos filhos de casa, uma herança que permite que passem o tempo como quiserem– os leva a avaliar sua própria natureza.

Faz sentido que tantos introvertidos escondam-se até de si mesmos. Vivemos em um sistema de valores que chamo de “ideal da extroversão” –a crença onipresente de que o ser ideal é gregário, alfa, sente-se confortável sob a luz dos holofotes. O típico extrovertido prefere a ação à contemplação, a tomada de riscos à cautela, a certeza à dúvida. Ele prefere as decisões rápidas, mesmo correndo o risco de estar errado. Ele trabalha bem em equipes e socializa em grupos.

Gostamos de acreditar que prezamos a individualidade, mas muitas vezes admiramos um determinado tipo de indivíduo –o que fica confortável sendo o centro das atenções. É claro que permitimos que solitários com talento para a tecnologia que criam empresas em garagens tenham a personalidade que quiserem, mas estes são exceções, não a regra, e nossa tolerância estende-se principalmente àqueles que ficaram incrivelmente ricos ou que prometem fazê-lo.

DECEPÇÃO

Introversão –com suas companheiras sensibilidade, seriedade e timidez– é, hoje, um traço de personalidade de segunda classe, classificada em algum lugar entre uma decepção e uma patologia. Introvertidos vivendo sob o ideal da extroversão são como mulheres vivendo em um mundo de homens, desprezadas por um traço que define o que são. A extroversão é um estilo de personalidade extremamente atraente, mas a transformamos em um padrão opressivo que a maioria de nós acha que deve seguir.

O ideal da extroversão tem sido bem documentado em vários estudos, apesar dessa pesquisa nunca ter sido agrupada sob um único nome. Pessoas loquazes, por exemplo, são avaliadas como mais espertas, mais bonitas, mais interessantes e mais desejáveis como amigas. A velocidade do discurso conta tanto quanto o volume: colocamos aqueles que falam rápido como mais competentes e simpáticas que aqueles que falam devagar.

A mesma dinâmica aplica-se a grupos, em que pesquisas mostram que os eloquentes são considerados mais inteligentes que os reticentes –apesar de não haver nenhuma correlação entre o dom do falatório e boas ideias. Até a palavra “introvertido” ficou estigmatizada –um estudo informal feito pela psicóloga Laurie Helgoe mostrou que os introvertidos descrevem a própria aparência física com uma linguagem vívida (“olhos verde-azulados”, “exótico”, “maçãs do rosto salientes”), mas quando se pede para descreverem introvertidos em geral eles delineiam uma imagem insossa e desagradável (“desajeitado”, “cores neutras”, “problemas de pele”).

Mas cometemos um erro grave ao abraçar o ideal da extroversão tão inconsequentemente. Algumas das nossas maiores ideias, a arte, as invenções –desde a teoria da evolução até os girassóis de Van Gogh e os computadores pessoais– vieram de pessoas quietas e cerebrais que sabiam como se comunicar com seu mundo interior e os tesouros que lá seriam encontrados.

Sem introvertidos, o mundo não teria: a teoria da gravidade; a teoria da relatividade; “O Segundo Advento”, de W.B. Yeats; Os “Noturnos” de Chopin; “Em Busca do Tempo Perdido”, de Proust; Peter Pan; “1984” e “A Revolução dos Bichos, de George Orwell; “O Gato do Chapéu”, do Dr. Seuss; Charlie Brown; “A Lista de Schindler”, “E.T.” e “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, de Steven Spielberg; o Google; Harry Potter.

ESTÍMULOS

Como escreveu o jornalista científico Winifred Gallagher: “A glória da disposição que faz com que se pare para considerar estímulos em vez de render-se a eles é sua longa associação com conquistas intelectuais e artísticas. Nem o E=mc² de Einstein nem ‘Paraíso Perdido’, de John Milton, foram produzidos por festeiros.”

Mesmo em ocupações menos óbvias para os introvertidos, como finanças, política e ativismo, alguns dos grandes saltos foram dados por eles. Figuras como Eleanor Roosevelt, Al Gore, Warren Buffett, Gandhi –e Rosa Parks– conquistaram o que conquistaram não “apesar de”, mas por causa de sua introversão.

Mesmo assim, muitas das mais importantes instituições da vida contemporânea são criadas para aqueles que gostam de projetos em grupo e altos níveis de estímulo. Nas turmas infantis, cada vez mais as mesas das salas de aula são arrumadas em forma de concha, a melhor para encorajar o aprendizado em grupo, e pesquisas sugerem que a grande maioria dos professores acha que o aluno ideal é um extrovertido.
As crianças assistem a programas de TV em que os protagonistas não são crianças como qualquer uma, mas estrelas do rock, por exemplo, como Hannah Montana.

Quando adultos, muitos de nós trabalhamos para empresas que insistem em que trabalhemos em grupo, em escritórios sem paredes, para supervisores que valorizam “um bom relacionamento interpessoal” acima de tudo. Para avançarmos em nossas carreiras, espera-se que nos promovamos descaradamente.

Os cientistas cujas pesquisas conseguem financiamento muitas vezes possuem personalidades confiantes, talvez até demais. Os artistas cujos trabalhos adornam as paredes de museus de arte contemporânea posam de forma a impressionar nos vernissages. Os autores que têm seus livros publicados –tidos no passado como uma raça reclusa– hoje são avaliados pelos editores para assegurar que possam participar de programas de entrevistas. (Você não estaria lendo este livro se eu não tivesse convencido meu editor de que sou suficientemente pseudoextrovertida para promovê-lo.)

DOR

Se você é um introvertido, também sabe que o preconceito contra os quietos pode provocar uma profunda dor psicológica. Quando criança, pode ter ouvido seus pais se desculparem pela sua timidez. (“Por que você não pode ser mais parecido com os meninos Kennedy?”, repetiam constantemente os pais de um homem que entrevistei.) Ou na escola você pode ter sido estimulado a “sair da sua concha” –expressão nociva que não valoriza o fato de que alguns animais naturalmente carregam seu abrigo aonde quer que vão, assim como alguns humanos.

“Ainda ouço todos os comentários da minha infância em minha cabeça, dizendo que eu era preguiçoso, burro, lento, chato”, escreveu um membro de uma lista de e-mail chamada Refúgio dos Introvertidos. “Quando eu tive idade suficiente para entender que eu simplesmente era introvertido, a suposição de que algo estava inerentemente errado comigo já era parte do meu ser. Queria encontrar esse vestígio de dúvida e tirá-lo de mim.”

Agora que você é um adulto, talvez ainda sinta uma ponta de culpa quando recusa um convite para jantar para ler um bom livro. Ou talvez você goste de comer sozinho em restaurantes, podendo passar sem os olhares de pena dos outros clientes. Ou lhe dizem que você “fica muito na sua cabeça”, uma frase muitas vezes utilizada contra os quietos e cerebrais.

É claro que há outro nome para pessoas assim: pensadores.

Conteúdo original em : http://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/1069287-o-poder-dos-quietos.shtml

Será que “calar-se” é mesmo a melhor atitude ?

30/03/2012

O tema “silêncio” frequentemente está a meu redor … seja por minha escolha, fruto da minha preferência a ambientes silenciosos ao invés de barulhentos, seja no setting terapêutico quando o cliente está ainda emaranhado nos arcabouços dos processos de recalque ou imobilizado frente a conteúdos que teimam em ficar “varridos para baixo do tapete” …

Isso é normal e até esperado na vida de um terapeuta. Mas nessa semana o “silêncio” esteve mais presente em minha vida, quase que gritando ao meu ouvido.

Eu assisti dois bons filmes a título de estudo de caso (adoro esse recurso, pois une o útil ao agradável). O primeiro foi Precisamos falar sobre o KevinWe need to talk about Kevin / asssita a um CLIPE – e o outro foi Silêncio de MelindaSpeak / CLIPE.

Ambos tem como um dos elementos subjacentes a todo o contexto o silêncio. Ambos também são repletos de temáticas do âmbito psicológico / psiquiátrico e merecem ser vistos por quem gosta. Poderíamos desenvolver uma série de perspectivas e de elementos relevantes nas duas histórias, mas por hora o meu foco fica na questão do silêncio, por razões que ficarão mais claras logo a frente.

Em Precisamos falar sobre Kevin, somos convidados a testemunhar todo o enredo de uma dinâmica familiar que acaba por ter um fim trágico, mas que vai sendo construído (muito bem, diga-se de passagem) desde antes mesmo do momento da concepção do sujeito em questão. É uma somatória de ocorrências, posturas e escolhas que vão lapidando o que vem a se conformar como um psicopata que protagoniza um massacre em uma escola de ensino médio.

“Viagem” holliwodiana ? Será mesmo ? O número de ocorrências parecidas com essa (mesmo que não tenhamos acesso a privacidade dos bastidores das famílias em questão) atesta justamente o contrário. Eva, a mãe de Kevin amarga um misto de sentimento de inadequação, despertencimento, fracasso e culpa que acaba por deixá-la absolutamente refém de Kevin, que tripudia dela, manipula e chantageia ao sabor de sua perversão. Sobretudo a culpa faz com que Eva se cale frente aos acontecimentos e o silêncio parace acabar por ser seu maior algoz.

Paradoxalmente, quando parece que ela se dá conta disso e profere a frase que dá título ao filme (… precisamos falar sobre o Kevin …) em um telefonema desesperado ao marido … já é tarde demais … Falar mais, seria estragar o filme.

Em Silêncio de Melinda, outra situação que infelizmente é muito mais freqüente do  imaginamos : o abuso sexual. Após ser vítima de um estupro, Melinda opta por calar-se. Recalca o mais fundo possível o drama e a angústia que vive. Usa esse recurso como um auto-flagelo ao mesmo tempo que uma penalização àquelas pessoas que não a acolhem nesse pedido de socorro, mas a armadilha é que quanto mais se cala, mais afasta e mais difícil fica acessá-la … que se torna ainda mais carente, em um ciclo vicioso sem fim e extremamente doloroso.

Passa-se praticamente um ano, em que tendo optado pelo silêncio, amarga agora a percepção dos outros como sendo a “estranha” e é marginalizada cada vez mais no processo de bullying que sofre dos colegas. Pais ausentes afetivamente complementam a receita para que o colapso não esteja muito longe de acontecer. A saída não podia ser outra … acontecimentos levam a que ela finalmente bote para fora, “vomite” o que a está envenenando e, finalmente o ciclo de auto-destruição começa a se desconstruir.

Desncessário dizer que isso acontece muito recorrentemente em terapia : a pessoa recalca e guarda até não conseguir mais e quando finalmente “explode” pela necessidade de expressar-se, ser ouvida, entendida e respeitada, passa a sentir uma melhora gigantesca assim como se diz no dito popular “tira um piano das costas” !

Muito bem, nessa semana eu recebi um presente que orbita a essa temática. Uma cliente minha com grande dificuldade em se expressar, em  falar sobre conteúdos mais profundos, chegou ao ponto de insight na terapia em que finalmente percebeu a necessidade de colocar-se e compartilhou comigo material privado do mais alto valor. Esse momento é muito gratificante para um terapeuta !

Sendo assim, eu quis fazer uma homenagem … um agradecimento público, mas ao mesmo tempo privado por que só ela sabe que ela é ela ! Obrigado pela confiança depositada e parabéns pela coragem de, finalmente, colocar isso tudo para fora !

Divorciada antes dos 30 – Entrevista concedida ao Site Vila Dois / Portal Terra

13/03/2012
Divorciada antes dos 30Na série “New Girl”, a personagem Jess se separou muito jovem depois de morar na casa do namorado Foto: IMDB

Toda mulher sonha em encontrar o príncipe da sua vida para poder dividir os problemas, ser companheira e receber muito amor e carinho. Quando finalmente é oficializado o casamento, após anos de namoro e noivado, temos a sensação de ter feito a escolha correta e de realmente ter encontrado o “homem perfeito”, mas nem sempre é o que realmente acontece.

Brigas, ciúmes, falta de companheirismo e união fazem com que muitos casamentos cheguem ao fim, pouco depois de terem começado.

O transtorno que é causado devido ao fim do relacionamento faz com que muitas mulheres fiquem deprimidas, abaladas e não consigam recomeçar uma vida sozinha, como explica o psicólogo clínico cognitivo comportamental, Flávio Mesquita: “Algumas pessoas sentem dificuldades para se reorganizar, reestruturar, voltar a ter autoestima adequada e se habilitar a novos relacionamentos com um mínimo de confiança”.

E o que fazer quando o divórcio bate à porta antes dos 30 anos? Para o psicólogo, a mulher precisa fazer um mergulho em sua própria essência, buscando aquilo que lhe é mais profundo e real. E com autonomia, deve se desvencilhar de padrões, respeitar-se e encontrar alguém que vibre nessa mesma sintonia, estabelecendo uma relação que tenha pilares sólidos, ao invés de fantasias e ilusões fugazes.

“Quando esse sonho da vida a dois acaba, é preciso ‘acordar’ e reorganizar o elenco deprioridades, valorizando o real em lugar do ideal e buscar a manutenção de uma situação que seja ao mesmo tempo provedora de satisfação e sustentável por longo prazo”, comentou.

O especialista ainda afirmou que a experiência vivenciada pode contribuir para o amadurecimento da pessoa, fazendo com que ela se calce em critérios mais sólidos e aprenda a ser mais tolerante e flexível, o que garantirá a possibilidade de iniciar um novo relacionamento sem medos e diminuindo a chance de novamente “fracassar” e, consequentemente, sofrer outras frustrações.

“Para não cometer os mesmos ‘erros’ é preciso saber exatamente quais são eles. É totalmente diferente de jogar a culpa sobre o outro, acreditando que sempre ele foi o errado e o culpado por tudo de ruim que aconteceu na relação”, comentou o psicólogo.

E acrescentou: “É preciso saber ‘virar a página’. É claro que ninguém vai esquecer e apagar da memória um relacionamento que fracassou, mas não há porque continuar investindo em uma postura belicosa ou de rancor. É muito mais saudável permitir que a ferida se cicatrize, sem o ônus de carregar um fardo de rancor nas costas”.

E não tenha medo de amar novamente. Não existe uma fórmula para que o amor não acabe entre um casal, mas isso não significa que ele tenha que acabar, afinal de contas é possível amar alguém não por ele mostrar apenas as suas qualidades, mas também por compreender os seus defeitos. “Creio que os relacionamentos bem-sucedidos estão muito mais calçados na ideia de que os parceiros se amam, tendo ou não a paixão existida no início do relacionamento”, concluiu Flávio Mesquita.

Por Stefane Braga (MBPress)

 

Conteúdo original acessível em : http://vilamulher.terra.com.br/divorciada-antes-dos-30-3-1-30-1098.html

Comportamento assertivo (com vídeo)

25/02/2012

Percebemos o quanto está repercutindo o tema da assertividade! O comportamento assertivo é o conceito mais buscado dentro do nosso BLOG e com certeza um foco de interesse muito grande de quem pesquisa na internet.

Gostaríamos de explorar mais o assunto, contribuir mais e também receber compartilhamentos de quem lê.

Encontramos um vídeo compilado por Eliane Amaral, e como está disponível no Youtube, gostaríamos de disponibilizá-lo a quem nos acompanha, visto estar bastante alinhado com a nossa proposta a partir da perspectiva da psicologia Cognitivo Comportamental.

Em um dos trechos, a autora comenta:

“A base do comportamento assertivo está

na sua auto-estima e no seu auto-conhecimento”.

Sim! Exato… concordamos plenamente com isso e nos orgulhamos justamente de promover  um dos recursos mais potentes na conquista desses dois argumentos: a psicoterapia!

Assista e comente:

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Patrícia Mantovani e Flávio Mesquita

Cuidado com a frustração

25/02/2012

A frustração pode ser um círculo vicioso e descendente. Se você se frustra com o seu trabalho, este se torna ainda mais difícil, o que leva a mais frustração. Quando você se frustra com as ações de outras pessoas, suas atitudes frequentemente reforçam o comportamento ofensivo delas, o que aumenta sua frustração.
Na frustração existe ressentimento, mas também o desejo de melhorar. Esqueça o ressentimento. Ele só serve para tornar a situação ainda pior. Em vez disso, concentre-se na motivação necessária para transformar essa situação em algo proveitoso.

Use a energia de sua frustração não para responder com raiva e ressentimento, mas para seguir em frente de maneira positiva. Não veja sua frustração como uma desculpa para sentir pena de si mesmo. Considere-a como uma forma de identificar oportunidades de crescimento em sua vida. Esforce-se para eliminar o ressentimento e a auto piedade da sua frustração, e ela se tornará uma força poderosa e positiva.

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(Autor Desconhecido)

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Aproveitando o tema, achei oportuno um poema:

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BORBOLETAS

Quando depositamos muita confiança ou expectativas em uma pessoa, o risco de
se decepcionar é grande.

As pessoas não estão neste mundo para satisfazer as nossas expectativas, assim como não estamos aqui, para satisfazer as dela.

Temos que nos bastar… nos bastar sempre e quando procuramos estar com alguém, temos que nos conscientizar de que estamos juntos porque gostamos, porque queremos e nos sentimos bem, nunca por precisar de alguém.

As pessoas não se precisam, elas se completam… não por serem metades, mas por serem inteiras, dispostas a dividir objetivos comuns, alegrias e vida.

Com o tempo, você vai percebendo que para ser feliz com a outra pessoa, você precisa em primeiro lugar, não precisar dela. Percebe também que aquela pessoa que você ama (ou acha que ama) e que não quer nada com você, definitivamente, não é o homem ou a mulher de sua vida.

Você aprende a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem gosta de você.

O segredo é não cuidar das borboletas e sim cuidar do jardim para que elas venham até você.

No final das contas, você vai achar
não quem você estava procurando, mas quem estava procurando por você!

Palestra – Mario Sergio Cortella – Você sabe com quem está falando?

16/02/2012

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Excelente ! Bom para colocar as coisas sob perspectiva …

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Recente aumento de “surtos” divulgados pela mídia – Entrevista concedida ao Jornal de Piracicaba

16/02/2012

Alguma coisa mudou no mundo?

Não há como não ter mudado … Penso que todos os processos que tem alguma influência sobre nós estão aceleradosou potencializados, desta forma o meio acaba tendo uma potência muito maior de interferir em nossas vidas. É como se estivéssemos muito mais vulneráveis aos acontecimentos, digo isso sob uma perspectiva psicológica. O “mundo” nos afeta muito mais … e nós nos deixamos afetar muito mais por ele.

Quer um exemplo ? Em 2004 tivemos um tsunami no Oceano Índico que contabilizou cerca de 230.000 mortes. Em 2011 foi a vez do Japão ser acometido por um terremoto seguido de um forte tsunami, embora haja discrepância na contabilidade de mortes, ela deve ficar na casa das 25.000.

Sem dúvida nenhuma, ambos acontecimentos foram catastróficos e extremamente desconcertantes, mesmo para quem estava apenas “do outro lado do mundo” …

Mas de qual deles você se lembra de ter visto mais imagens e vídeos, recebido mais informações e ter se sentido mais “afetado” por testemunhar os dramas vividos pelos sobreviventes e familiares de vítimas ? Veja que são apenas 7 anos de distância entre um fato e outro e o primeiro somou quase 10 vezes mais mortes do que o segundo …

É claro que o acontecimento no Japão teve muito mais cobertura midiática e dessa forma fomos assolados por informações, vídeos, imagens, relatos que acabam nos sensibilizando muito mais. Esse é um fenômeno sem volta. A informação é muito mais rápida e disponível a todos nós, mas o que fazemos com ela é que o problema.

Se ela servir como um constante agente estressor que fica, a todo momento, nos lembrando o como somos frágeis, vulneráveis e devemos nos proteger dos “males” que nos rodeiam, muito provavelmente esse sujeito, que concedeu à informação esse poder, vai desenvolver um quadro de instabilidade emocional.

Veja que o que faz a diferença é a maneira como a pessoa lida com a informação. Não se trata aqui de sugerir que a pessoa se torne uma alienada em prol de não estar vulnerável a este stress, mas que ela tenha o discernimento de saber filtrar e se postar de forma adequada frente ao problema.

Não podemos perder também a dimensão de que existe uma “indústria do medo” que se beneficia pela ideia de “fisgar” o sujeito pela ideia de que ele está prestes a sofrer as consequências de tudo que está crescendo a sua volta.

Para quem tem interesse sobre o assunto sugiro assistir ao fantástico documentário de Michael Moore chamado Tiros em Columbine (2002), onde ele investiga um massacre acontecido em uma escola nos EUA e compara a cultura desse país com seu vizinho o Canadá. Vale muito a pena assistir e saber mais sobre a cultura do medo …

Por que as pessoas estão perdendo o controle? Há explicação?

Na resposta à pergunta acima, eu criei a hipótese de que um dos fatores relevantes nesse processo é o excesso de pressão de informação e o significado a ele concedido pelo sujeito. Mas o ser humano é extremamente complexo e multideterminado, sendo assim não podemos banalizar uma teoria, investindo apenas em uma perspectiva …

Outro viés importante seria, talvez, tentar investigar onde ocorre com mais frequência esse tipo de acontecimento. É um fenómeno universalizado ? Ou existe uma maior concentração, por exemplo, em grandes centros urbanos ou locais que vivem sob a influência de algum outro fator desestruturante sob o critério de bem estar, tranquilidade, etc ?

Em psicologia eu costumo dizer de que aquela máxima de que “cada caso é um caso” tem sua expressão máxima de verdade, sendo assim, essas situações que aconteceram em um passado recente podem sim estar enredadas sobre uma mesma classe de fatores, mas também podem ter vertentes absolutamente subjetivas de cada um de seus protagonistas, portanto, há que se investigar …

Uma coisa que me parece ser universal é que vivemos sob uma ode de “falta de limites”… é como se pudéssemos (e devessemos mesmo!) nos sentir capazes de tudo. Não podemos mais envelhecer, não sentimos mais dores, não temos rugas, celulite, estrias, barriga, não perdemos a virilidade sexual … somos “super” em tudo. Sonhamos até com a possibilidade de não “precisar” morrer.

O entorpecimento, seja pela via lícita (álcool) ou ilícita (drogas de todos os tipos), estão cada vez mais solapando a integridade das pessoas em todo o mundo, numa busca vã pelo acesso ao prazer ilimitado …

Isso tudo vai aos poucos minando nossa referência existencial e vamos nos tornando uma caricatura de nós mesmos … E o preço que se paga é a falta de estrutura emocional, a inversão de valores e a carência de enfrentamentos adequados aos fatos inerentes à vida.

Nós nascemos, vivemos, envelhecemos e morremos … E no meio do caminho temos muitas conquistas e prazeres, mas também fracassos, perdas e degeneração, não há quem não tenha e não se preparar para isso parece ser extremamente danoso.

Talvez devêssemos parar “para fazer um balanço” do que estamos fazendo com nossas vidas de forma a poder nortear nossas prioridades e escolher objetivos mais adequados e, assim, viver a vida com mais intensidade, mas também com mais responsabilidade, conscientes de nossos limites e das consequências das ações empreendidas.

É estresse? medo? ansiedade?

Por que não os 3 juntos ? Vejamos, por exemplo, a vida em uma cidade com São Paulo ( eu posso falar de lá, pois sou paulista de nascimento e “fugi” de lá com 27 anos, ou seja a 19 anos, em busca de mais qualidade de vida). É extremamente comum encontrar relatos de pessoas que moram ou frequentam a capital, carregados de um sentimento negativo em relação ao ambiente onde vivem / trabalham.

As pessoas estão extremamente estressadas, pelo ritmo alucinante da rotina do dia a dia, pelo transito infernal, pela falta de cordialidade que existe no trato entre as pessoas. Existe um medo que parece onipresente na atitude das pessoas, que se sentem vulneráveis a assalto, sequestro relâmpago, enchentes, etc … E daí eu te pergunto : como não estar acometido por uma sensação de ansiedade numa situação como esta ?

Eu falei de São Paulo apenas por ser a minha realidade mais próxima, mas poderia estar falando do Rio de Janeiro, Nova York, Pequim ou Londres … cada uma com suas nuanças específicas de degradação de qualidade de vida pelo excesso de convívio e aglomeração.

Qualquer pessoa pode ter um surto?

A rigor … sim. Não há como proferir que fulano ou beltrano não sejam capazes, sob algum nível de um fator de stress, chegar a um surto. É claro que podem existir fatores propiciadores, sejam da esfera psicológica, metabólica, comportamental, social, ou seja, de toda a sorte de questões ligadas à estruturação de uma pessoa, que farão com que haja uma maior ou menor tendência a quadros como esse.

Mas também é lógico pensar que todas as pessoas tem seus limites e se esses forem ultrapassados, ela poderá desenvolver uma resposta comportamental que talvez nem ela mesmo se julgasse capaz de ter.

O que fazer para não chegar a esse ponto?

Isso talvez seja o mais importante de tudo, visto que é onde a pessoa pode “fazer a diferença” ou intervir em seu próprio benefício.

Mas paradoxalmente, não creio existir uma informação secreta, mirabolante ou que seja complexa ou muito difícil de se por em prática … Acho que faz parte da obrigação de cada um de construir para si próprio uma situação de vida que seja adequada.

E aí é que está … para que se possa ter uma concepção do que é o adequado é que precisamos fazer uma busca consciente e sincera acerca daquilo que nos é valoroso. Ou seja, a escala de valores que norteiam nossa atitude para com a vida é que serve de leme para nos orientar para as diferentes oportunidades e situações que irão compor nossa existência.

Somos assolados por uma montanha de demandas, “tenho que’s”, padrões,  e posturas socialmente corretas, mas compete ao sujeito saber compor uma postura conciliatória entre o que faz sentido para ele e o que o meio espera que ele faça, ou seja.

Talvez o conceito que esteja subjacente a esse processo seja o de autonomia. O sujeito tem que ter autonomia suficiente para fazer suas próprias escolhas e que lhe dêem a sensação de que está sendo aquele que, de fato, gostaria de ser e não o que os outros gostariam que ele fosse.

Mas a autonomia é vã se não for responsável … para fazer as escolhas é preciso que se messam consequências e que se arque com seus resultados, sejam bons ou ruins.

E é claro que não podemos nos esquecer jamais de que somos seres sociais e portanto o senso de direito / dever,  de respeito ao coletivo, ao ambiente deve estar sempre em pauta.

Em resumo : para não se chegar ao estado crítico de um surto, é necessário cuidar de si próprio, se respeitar, acreditar em seu potencial, buscar alternativas, por-se em movimento, conhecer e se resignar a seus limites. Isso tudo nos âmbitos físico, psíquico, social e espiritual … não adianta cuidar só de uma esfera e esquecer das demais, pois como disse antes, somos complexos e multideterminados.

Dá para perceber quando uma pessoa está a ponto de surtar?

Talvez não seja tão fácil assim, pois a situação de passar do limite pode acontecer em uma situação que não deu aviso prévio, mas existem sim sinais relevantes que devem ser acompanhados pela própria pessoa e pelos familiares como alertas a serem cuidados : variações de humor importantes, alterações de apetite, falta ou excesso de sono, uma postura de “arrogância” ou de que se é capaz de qualquer coisa ou, ao contrário, apatia, “entrega” e impotência frente às demandas normais da rotina, sudorese, alterações no trato digestivo, sistema imunológico, alterações nos hábitos sexuais, etc …

Mas é claro que o discernimento é primordial, não é porque a pessoa teve um evento isolado de um desses critérios que ela esteja fadada a perder o controle emocional, esses sinais podem ser indicativos de um estado de desequilíbrio emocional ou psíquico e que podem ou não chegar a um surto ou o estabelecimento de um quadro de sofrimento psicológico, em ambos os casos é preciso atenção e intervenção pelas vias devidas.

E depois do surto, qual o caminho a seguir?

Bom, agora a situação é outra … Antes a pergunta era “Qualquer pessoa pode ter um surto ?”, a gora a questão é :essa pessoa em questão pode, até porque já teve !

Sendo assim, ela e seus familiares deveram empreender em todas as ações cabíveis no sentido de permitir que ela, primeiro, se reorganize emocionalmente falando. Depois, que sejam colocadas sob controle e que sejam evitadas as situações que outrora a levaram a perda de controle.

Isso não quer dizer ela não possa vir a ampliar seu limiar de competência a lidar com as situações, habilitando-a a voltar a ter contato com elas, mas isso deve ser feito com muito critério e responsabilidade e sob orientação dos profissionais cabíveis no quadro ( psicólogo, psiquiatra, neurologista, etc).

A falta de limites quando criança e a ausência de valores na família ajudam o quadro negativo?

Acredito piamente nisso … aliás as respostas anteriores já flertaram com essa ideia.

A criança e o jovem ao serem estruturados em um ambiente permissivo, desgastado de valores e precário no que diz respeito a concessão de sentido à vida, por meio do ensino fraco, diálogos vazios, cultura devassa, vão constituindo um sujeito que perde a referencia de si próprio como um “autor” de sua vida e ele passa a ser um “ator” de um roteiro de vida que lhe é imposto por outros.

Abandona-se a prerrogativa da conquista de autonomia em prol da heteronomia, ou seja, estar sobre o controle de um outro … prato cheio para se deixar levar por influencias negativas e/ou posturas que respondam muito mais a um processo ideológico do que a um projeto de vida concessor de sentido, realização e senso de integridade.

Lugares proibidos para mulheres – Entrevista concedida ao Portal Terra

29/01/2012
Os homens têm uma lista de locais onde gostam de estar desacompanhados. Foto: Getty ImagesOs homens têm uma lista de locais onde gostam de estar desacompanhados
Foto: Getty Images
THAÍS SABINO

Chega o final de semana, feriado ou até mesmo as férias e ele arruma algum programa para fazer. Até aí, tudo bem. Mas o problema é que a parceira foi excluída da lista de participantes e ele nem sequer pensou em convidá-la. Esta história é comum e, por vezes, faz com que os homens ganhem má fama. No entanto, por mais difícil que seja entender, a atitude é perfeitamente normal. “Ele não faz por mal, é uma necessidade masculina”, explicou o psicoterapeuta transpessoal Antônio Vasken.

Segundo o psicólogo, os homens precisam da companheira, mas ao mesmo tempo têm a necessidade de estar em um grupo masculino para ter o sentimento de “independência”. “Muitas vezes, o relacionamento entre o casal pode remeter ao que ele tinha com a mãe, aí surge a vontade de escape”, explicou. Além disso, o especialista afirmou que o sexo masculino precisa se reconhecer e isso acontece no encontro entre colegas e programas em que a mulher é excluída.

“É por isso que às vezes o homem chega em casa e quer ver o jornal, ou jogo de futebol e se desliga do mundo. Isso as mulheres nunca entenderão”, exemplificou o analista de sistemas Marcelo Lucas Martins sobre a importância de momentos individuais. “Acho que é como a necessidade feminina por carinho e atenção independente do sexo”, completou.

Além dos instintos, Vasken disse que estar entre homens, sem as mulheres, é divertido. Os assuntos mudam, a atitude do homem é totalmente diferente, pois ele não precisa se controlar para não decepcionar a amada. Para as mulheres, não é diferente. Elas sentem vontade de fazer coisas sozinhas ou com as amigas. “Porém, os valores e costumes da sociedade acabam reprimindo estes sentimentos, por isso, é mais comum eles fazerem programas entre os amigos, do que elas”.

Relação saudável

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De acordo com o psicólogo comportamental Flávio Mesquita, a preservação da individualidade é importante para a sustentabilidade de qualquer relação a longo prazo. “Essa história de achar que uma boa relação é como se fosse as duas metades de uma mesma laranja é uma grande mentira”, afirmou. Segundo ele, o relacionamento saudável é composto por duas laranjas inteiras, que tenham áreas de interesses comuns, suficientemente grandes, para manter a união.

Tudo deve passar pela negociação do casal, segundo Mesquita. “Para o homem faz sentido assistir a um jogo de futebol com os amigos. Por que privar-se dessa possibilidade só porque a companheira acha isso uma grande besteira? Quinta-feira da sinuca é a mesma coisa”, explicou ele. O psicólogo ressaltou, porém, que a mesma regra deve ser aplicada para as mulheres, que devem fazer programas sem os homens, com as amigas ou sozinha.

Conteudo original acessível em : http://mulher.terra.com.br/noticias/0,,OI5279683-EI16612,00-Veja+lugares+proibidos+para+as+mulheres+segundo+os+homens.html#tarticle

Palestra de Mia Couto : Sobre o Medo – Excelente Reflexão ! (vídeo)

24/01/2012