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Entrevista concedida ao portal ABJ – Homem também chora

30/05/2017

Lia Costa

Especialistas falam sobre a importância do choro e o perigo da cultura patriarcal de censurar as lágrimas masculinas

Gustavo Santos, estudante, foi ensinado desde a infância que chorar é coisa de menina, porque é demonstração de fraqueza. Quando menino, caso caísse ou se machucasse, não chorava de jeito nenhum, pois pensava que tinha que ser forte. “Era angustiante”, lembra. Gustavo acreditou nisso por muitos anos, mas com o tempo entendeu que não há problema nenhum em demonstrar seus sentimentos. “Faz parte da vida. Lágrima é lágrima, sentimento é sentimento”, reflete.

Chorar ou não chorar: eis a questão. A percepção do choro como algo aceitável socialmente ou não é cultural e varia ao longo da história. Se hoje no Brasil é estranho o homem chorar enquanto a mulher tem livre acesso às lágrimas, na Grécia Antiga era o contrário. Luciene Bandeira, mestre em desenvolvimento humano, explica que a expressão dos sentimentos antigamente era algo masculino. “Com o refinamento, o chamado pudor, os atos que eram rotineiros passaram a ser mais discretos no âmbito privado”, afirma.

As lágrimas, portanto, ficaram restritas a intimidade de cada um. As famosas carpideiras da Era Vitoriana eram contratadas para chorar nos velórios porque era mal visto chorar em público em enterros, mesmo que este fosse do seu próprio filho. No século XX a situação se inverteu pela diminuição das fronteiras que separam a esfera pública e privada. É na primeira infância do menino que os padrões de comportamento considerado masculino são disseminados.

A terapeuta Dilene Ebinger explica que as expressões não expressas se alojam na carne e se transformam em dores. Para ela, o choro não é sinônimo de fraqueza, Muito pelo contrário, representa muita força. “Somente aquele que é centrado e sabe o que quer é capaz de expressar suas emoções com tranquilidade e segurança”, declara. Isso acontece porque esse indivíduo sabe que pode expressar suas emoções e continuará sendo aceito pelas pessoas ao redor.

A psicóloga clínica Brisa Nepomuceno explica que mulheres geralmente choram mais em resposta ao hormônio prolactina, envolvido com a amamentação, Apesar disso, todas o possuem a despeito do ato de amamentar. Por outro lado, altos níveis de testosterona podem inibir as lágrimas. Estudos apontam que mulheres com mais testosterona e menos prolactina choram menos na fase adulta. Até a adolescência meninos e meninas choram na mesma proporção. Luciene comenta que isso pode ter cunho cultural.

Tirar a oportunidade de choro contribui negativamente para a cristalização de emoções que ficam reprimidas na psique e podem pedir contas ao longo da existência. O psicólogo Flávio Mesquita explica que “engolir” o choro em uma situação de luto, por exemplo, pode protelar o mesmo. Além disso, da perspectiva psicossomática, a repressão de emoção pode ter repercussão fisiológicas como: câncer, doenças autoimunes, asma, entre outros.

Para Flávio, a frase “homem não chora” tem uma conotação de desejo ou pressão ideológica contaminada por uma cultura que tende a ser machista. Ela aponta para o masculino falando o que ele não deve fazer mais do que uma constatação do que ele não faz. Flávio explica que isso acarreta em um potencial danoso muito maior, pois pode gerar sentimento de inadequação no homem que percebe a capacidade de chorar. “Como que eu choro? Então não sou homem? Sim, o homem chora”, declara.

Dilene acredita que esse pensamento pode enrijecer, insensibilizar e trazer problemas para uma vida toda. Quando se chora, uma emoção está sendo transmitida. “Sua emoção é importante pra mim, tem significado e eu aceito e recebo”, esclarece. Dessa forma, o sujeito se sente aceito, amado e importante.

Link da imagem: https://goo.gl/NfhSOr

Insta, Snap, Face e Twitter prejudicam saúde mental dos jovens, diz estudo – Portal UOL

19/05/2017

Texto reproduzido de

https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/05/19/4-das-redes-sociais-mais-populares-prejudicam-a-saude-mental-dos-jovens.htm

 

Quatro das cinco redes sociais mais populares foram consideradas prejudiciais à saúde mental de crianças e jovens, de acordo com pesquisa conduzida por duas organizações de saúde britânicas, a Royal Society for Public Health e a Young Health Movement.

Segundo o estudo, o Instagram é o principal causador de impacto negativo, seguido pelo Snapchat, pelo Facebook e pelo Twitter. Apenas o YouTube foi considerado capaz de causar um impacto positivo nos jovens. De acordo com a pesquisa, as quatro plataformas prejudiciais podem exacerbar as preocupações das crianças e dos jovens com a imagem corporal, pioram o bullying e causam problemas de sono, sentimentos de ansiedade, depressão e solidão.

Foram ouvidos 1.479 participantes com idade entre 14 e 24 anos. Eles responderam um questionário que avaliava o impacto das cinco redes sociais em 14 critérios diferentes de saúde e bem-estar, incluindo seus efeitos sobre sono, bullying e imagem corporal. O Instagram teve a pior pontuação em sete das 14 categorias propostas.

Para o professor Simon Wessely, presidente da Royal College of Psychiatrists, os resultados da pesquisa são simplistas e é injusto culpar apenas as redes sociais pelo sofrimento metal pelo qual muitos jovens estão passando.

“Tenho certeza que as redes sociais têm um papel de destaque na infelicidade dos jovens, mas, assim como provocam efeitos negativos, elas também provocam os positivos. Precisamos ensinar às crianças a lidar com todos os aspectos das mídias sociais –os bons e os ruins– para prepará-los para um mundo cada vez mais digitalizado”, afirmou Wessely para o jornal “The Guardian”.

 

 

Obediência cega pode atrapalhar criança a conquistar autonomia – Portal UOL

01/11/2015

Interessante texto, embora superficial, que nos alerta acerca da necessidade de oportunização aos pequenos com a possibilidade de escolha, desde idade precoce.


Obedecer cegamente os pais pode atrapalhar o desenvolvimento da criança. Pelo menos, é o que defende o cientista social americano Robert Putnam em seu último livro, “Our Kids: The American Dream in Crisis” (“Nossos Filhos: o Sonho Americano em Crise”, em livre tradução do inglês), publicado em março.

Segundo Putnam, no curto prazo, determinar tudo o que o filho deve fazer é cômodo e permite que se ganhe tempo na agenda diária, mas essa atitude também pode deixá-lo inseguro e dependente. Estimular que ele pense por si próprio e aprenda a organizar a própria vida dá muito mais trabalho, mas aumenta a habilidade do filho para viver em um mundo cada vez mais complexo.

O cientista social não está sozinho na sua crença. Um estudo científico realizado na Universidade do Estado do Kansas, nos Estados Unidos, que avaliou nas crianças o impacto de obedecer e de desobedecer. Segundo os cientistas, as que não acatam tudo o que os pais dizem têm grandes chances de se tornarem líderes de empresas no futuro, já que a desobediência faz com que explorem mais os limites e aprendam coisas novas.

Autonomia não é falta de controle

Isso não quer dizer que as crianças devam fazer o que querem. O que está em jogo aqui é algo que os educadores e psicólogos chamam de “construção da autonomia”, ou seja, a capacidade de tomar as próprias decisões.

A partir dos três anos, é possível proporcionar à criança algumas situações de escolha, desde que adequadas às expectativas sociais de convivência, aos recursos financeiros e aos valores familiares. Aos poucos, os pais devem estimular o filho a fazer escolhas e a lidarem com as consequências delas. Algumas regras, porém, são inegociáveis, como hora para comer, dormir, tomar banho, estudar, agir com gentileza, não bater nos irmãos.

Fontes: Gisela Wajskop, educadora e pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo; Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo, de São Paulo; Paulo Afonso Ronca, doutor em psicologia educacional pela Unicamp (Universidade de Campinas); Lígia Pacheco, mestre em filosofia da educação pela USP (Universidade de São Paulo).

6 maneiras de estimular a autonomia desde cedo

1 Permita escolhas possíveis

Seja firme quando a criança quiser quebrar regras, colocando-se em situação de risco. Quer atravessar a rua sozinha aos três anos? Sem discussão, não pode. Mas a deixe fazer as escolhas possíveis. Ela pode escolher a roupa para ir a uma festa ou o brinquedo que vai levar ao parque, por exemplo.

2 Dê responsabilidades

Depois de brincar, desde cedo, ensine a criança a guardar sozinha seus próprios brinquedos.

3 Envolva a criança nas decisões

A partir dos dois anos, a criança pode participar da arrumação da própria mochila, buscando os objetos que devem ser guardados. Conforme ela cresce, oriente-a a fazer essa tarefa mais sozinha. Oriente e supervisione, mas dê liberdade para que ela execute a tarefa.

4 Ensine e supervisione

Na hora do banho, ensine como a criança deve se lavar. Depois, deixe-a tomar banho sozinha, ficando ao lado e dando dicas do que pode ser melhorado. Por fim, deixe-a a sós no banho, mas faça uma “revisão” no final.

5 Não conserte o que deu errado

Quando a escolha da criança não for boa, não tente “consertar” todas as vezes. É importante deixar que ela sofra as consequências para que entenda a responsabilidade que envolve escolher e pense melhor na próxima vez. Claro que desde que não haja prejuízo à saúde e à segurança dela.

6 Dê feedback

Ao checar as tarefas realizadas pela criança, sempre valorize primeiro o que foi bem feito, para então dizer o que precisa ser melhorado.

Entrevista concedida ao Jornal EPTV em 02/01/2015

19/01/2015

Clique no link abaixo e veja entrevista concedida ao Jornal EPTV abordando os resultados de uma pesquisa sobre as expectativas dos brasileiros em relação ao ano de 2.015

Entrevista concedida a EPTV 02/01/2015

Quebrar a cara é fundamental para que o adolescente amadureça – Portal UOL

09/12/2014

Por mais que seja papel dos pais orientar o adolescente, muitas vezes, ele só vai aprender a lidar com certas situações se a ele for permitido vivenciar as consequências de atitudes ou comportamentos errados, o que não significa deixá-lo sem orientação e supervisão.

A psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Editora Summus), concorda. “Crescer envolve sofrimento, porque muitas coisas a gente só aprende quebrando a cara. Com os adolescentes, não é diferente.”

A experiência do sofrimento é importante para formar indivíduos mais flexíveis, que entendam que nem tudo acontece da maneira desejada ou imaginada. Por isso, deixar o filho viver determinadas situações, ainda que os pais saibam de antemão que isso lhe trará insatisfação depois, faz parte do processo de educar.

“A superproteção cria adolescentes mimados, que pensam que vão conseguir as coisas sempre à sua maneira. Esses jovens, quando escutam um ‘não’, ficam desorientados”, diz a psicóloga infantil Renata Yamasaki, especializada em psicopedagogia pelo Instituto Sedes Sapientiae.

Autoconfiança
Segundo os especialistas, deixar o adolescente passar pelas consequências das próprias escolhas, sem amenizá-las, é uma maneira de formar adultos autoconfiantes e realizados. “Se os pais protegem o filho a qualquer custo, inclusive agindo por ele, aumentam as chances de que o jovem se torne um adulto dependente e, provavelmente, infeliz”, diz a psicóloga Elizabeth.

“Existe, ainda, o risco de que o adolescente culpe os pais por não ter conseguido alcançar o que desejava, justificando com o argumento de que foi podado demais pela família”, fala Renata.

É claro que essa filosofia não se aplica quando o filho arrisca a própria integridade física, como no caso de se envolver com drogas, praticar sexo sem preservativo ou ainda dirigir perigosamente. Nesses casos, os pais devem intervir, com firmeza.

“O adolescente tem uma coisa chamada onipotência juvenil, representada, na prática, por uma certeza de que nada de ruim acontecerá com ele. Cabe aos pais ponderarem isso, impondo limites”, afirma Elizabeth.

Sofrer por ter escolhido a pessoa errada para se envolver em um relacionamento, ficar de recuperação porque não estudou durante o ano e perder um emprego por falta de responsabilidade são exemplos de consequências que o adolescente receberá em virtude de suas escolhas equivocadas. E a frustração por ter cometido esse tipo de falha deve ser vivenciada pelo jovem, sem muita influência dos pais, para que ele realmente consiga amadurecer e se tornar mais forte.

O caminho do equilíbrio
O desafio dos pais, portanto, é encontrar o meio-termo entre a superproteção e a omissão, agindo de maneira a manter o equilíbrio entre o ponto de vista deles e o do filho e, sempre que possível, favorecendo o consenso.

“Para saber quando é preciso intervir ou não, analise o grau de sofrimento e de improdutividade do adolescente diante da situação. Além disso, avalie o quanto é custoso para você, como adulto, conviver com aquele cenário”, afirma Elisabeth.

Para a psicopedagoga Teresa Messeder Andion, cabe aos pais provocar um diálogo com o adolescente, ajudando-o a enxergar além do próprio umbigo. “Os pais devem falar o que não gostam, apontar que aquele tipo de comportamento não é aprovado pela família e dizer o porquê. Mas o ideal é que o filho faça uma avaliação posterior sozinho e chegue à conclusão de que aquilo não é bom para ele.”

Enquanto isso, pai e mãe podem ficar por perto, zelando, dando bons exemplos de comportamento e apontando sempre as atitudes que consideram ruins, para que o adolescente entenda onde está errando. Esse cuidado será muito mais eficiente do que a proibição sem justificativa. “É como uma pipa no ar: se o vento está favorável, você solta um pouco. Se estiver vislumbrando uma tempestade a caminho, puxa de volta”, declara Teresa.

Conteúdo original acessível em : http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2014/12/09/quebrar-a-cara-e-fundamental-para-que-o-adolescente-amadureca.htm

Filha adolescente pode se tornar rival da mãe – Portal UOL Mulher

13/11/2014

A adolescência pode ser um divisor na relação entre mãe e filha. É nessa fase que a garota, que até então tinha na mãe o seu modelo, torna-se contestadora. Os desentendimentos podem se tornar rotina. A adulta se ressente de não ser mais ouvida; a filha sente-se criticada o tempo todo. E uma mal disfarçada tensão –que, muitas vezes, explode em aberta hostilidade– pode se prolongar por anos.

É claro que um quadro como esse não ocorre, obrigatoriamente, em todas as famílias, mas é bastante comum. “O conflito está presente em todas as relações humanas”, diz Elizabeth Brandão, professora da Faculdade de Psicologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

Entre pais e filhos, conforme explica a psicóloga, a relação de dependência é um complicador –um é pequeno e frágil; o outro, grande e forte. E toda relação desigual, por definição, tende a ser conflituosa.

“Os filhos, um a um, vão representando aspirações, desejos e expectativas de seus pais. Muitas vezes, os adultos têm a intenção –consciente ou inconsciente– de resolver, por meio dos filhos, questões pendentes com seus próprios pais ou com seu passado”, afirma a psicóloga e psicanalista Sheila Skitnevsky Finger, cofundadora do Instituto Mãe Pessoa, organização que oferece atendimento psicoterápico e oficinas para mulheres. No caso de mães e filhas, essa expectativa pode ser ainda maior, pela identificação que existe entre as duas.

Identidades e fronteiras

É fundamental considerar, no entanto, que esses desentendimentos podem cumprir uma valiosa função: a de ajudar as filhas a se desprenderem dos laços maternos. “Esse processo é necessário, a filha precisa descobrir sua individualidade”, afirma a psicóloga Marina Ribeiro, professora do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, autora do livro “De Mãe em Filha: a Transmissão da Feminilidade” (Editora Escuta).

A especialista explica que o estabelecimento de “fronteiras psíquicas” entre pais e filhos, pelo reconhecimento de diferenças, é saudável para todos, mas é uma meta nem sempre fácil de ser alcançada.

“Pais com dificuldades emocionais sérias tendem a dispor dos filhos como extensões deles mesmos, para o melhor e para o pior. Para exemplificar, são pais que, diante do sucesso do filho, comentam: ‘esse é meu filho’. E diante do fracasso ou das dificuldades: ‘nem parece ser meu filho’.”

A resolução desse conflito passa pelo fim da idealização, de ambas as partes. A filha não é uma extensão da mãe nem tampouco aquela bonequinha com a qual ela brincava de casinha na infância. É uma pessoa com ideias e vontades próprias. A mãe, por sua vez, não é um ser infalível.

“Se nunca teremos a filha ideal ou a mãe ideal, teremos a filha ou a mãe real, possível. As expectativas nunca se cumprem, o outro é o outro”, afirma a psicopedagoga Georgia Vassimon, professora do Instituto Sedes Sapientiae.

Rainhas, madrastas e princesas

Outro componente pode tornar essa relação ainda mais delicada: a existência de sentimentos de ciúme e inveja entre mulheres vivendo diferentes fases da vida. Uma menina que se torna mulher e uma mulher que envelhece podem se tornar rivais no espaço doméstico.

Essa disputa é retratada de forma bastante clara, ainda que simbólica, pelo papel da madrasta dos contos de fadas. Tomando como exemplo a história de Branca de Neve, a madrasta é a rainha-mãe vista, anos depois, pela filha que cresceu. A menina que idealiza a mãe na primeira infância –aquela rainha que tomava por modelo– agora a enxerga como uma madrasta invejosa. Já a mulher que assume os papéis de madrasta (e bruxa) sente-se inferiorizada ao olhar para o espelho. E quem é esse espelho? A própria filha.

“Quando a menina se torna uma jovem mulher, bonita e inteligente, ela se transforma no espelho que diz à mãe que ela já não é a mulher mais bela do mundo”, afirma Marina, professora do Instituto Sedes Sapientiae.

Modelos humanos

Negar ou abafar a existência desses sentimentos não resolve o problema. “O ideal seria, de fato, que a mãe conseguisse enxergar, aceitar e admirar as mudanças e conquistas da filha. Mas ela também é uma pessoa que tem sentimentos, às vezes contraditórios, às vezes indesejados”, diz a psicanalista Sheila Finger.

O primeiro passo para superar a delicada questão é, portanto, reconhecê-la. É o que também diz a psicóloga Elizabeth. “Externar sentimentos como raiva, inveja e ciúme é meio caminho andado para superá-los. Quando surgir um sentimento negativo, tente encontrar a origem. Conversar com uma amiga ou mesmo com um terapeuta também ajuda”.

A psicopedagoga Georgia adverte que o conflito pode durar muito tempo ou mesmo a vida toda, se as pessoas envolvidas não fizerem a lição de casa –geralmente árdua– de buscar o autoconhecimento e a aceitação das diferenças entre os membros da família. Essa é uma tarefa de todos, mas, quando a relação envolve adolescentes e crianças, são os pais que devem apresentar maior maturidade do que seus filhos.

Segundo a psicanalista Sheila, as mães podem contribuir de diversas maneiras para minimizar os conflitos com suas filhas. “É preciso aceitar e reconhecer que faz parte do crescimento e do amadurecimento da garota essa busca por independência e autonomia. Também é necessário desvencilhar-se de suas próprias questões mal resolvidas e expectativas idealizadas para tentar ver e admirar a filha como ela é. E, na medida do possível, tente colocar-se à disposição para ajudar e acolher, principalmente nos momentos de dificuldades.”

E tudo isso sem perder de vista os próprios limites. Afinal, se nessa história existem rainhas e princesas, não há lugar para super-heróis. “As mães podem servir de modelo como pessoa que falha, mas que não desiste nem se desespera, que busca ajuda quando a situação está muito difícil. Elas devem ser exemplos de pessoas que se aceitam com seus talentos e habilidades, mas também com suas inseguranças e limitações”, declara Sheila.

Texto original pode ser encontrado em : http://www.uol.mulher.com

Cordel de repúdio ao Big Brother Brasil da Rede Globo

16/02/2014

Apoio manifesto ao brilhante texto que interpreta muito bem o sentimento crescente de repúdio a esse programa ridículo que ainda mobiliza, infelizmente, uma legião de espectadores no Brasil.

Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:

Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

FIM