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Entrevista concedida ao portal ABJ – Homem também chora

30/05/2017

Lia Costa

Especialistas falam sobre a importância do choro e o perigo da cultura patriarcal de censurar as lágrimas masculinas

Gustavo Santos, estudante, foi ensinado desde a infância que chorar é coisa de menina, porque é demonstração de fraqueza. Quando menino, caso caísse ou se machucasse, não chorava de jeito nenhum, pois pensava que tinha que ser forte. “Era angustiante”, lembra. Gustavo acreditou nisso por muitos anos, mas com o tempo entendeu que não há problema nenhum em demonstrar seus sentimentos. “Faz parte da vida. Lágrima é lágrima, sentimento é sentimento”, reflete.

Chorar ou não chorar: eis a questão. A percepção do choro como algo aceitável socialmente ou não é cultural e varia ao longo da história. Se hoje no Brasil é estranho o homem chorar enquanto a mulher tem livre acesso às lágrimas, na Grécia Antiga era o contrário. Luciene Bandeira, mestre em desenvolvimento humano, explica que a expressão dos sentimentos antigamente era algo masculino. “Com o refinamento, o chamado pudor, os atos que eram rotineiros passaram a ser mais discretos no âmbito privado”, afirma.

As lágrimas, portanto, ficaram restritas a intimidade de cada um. As famosas carpideiras da Era Vitoriana eram contratadas para chorar nos velórios porque era mal visto chorar em público em enterros, mesmo que este fosse do seu próprio filho. No século XX a situação se inverteu pela diminuição das fronteiras que separam a esfera pública e privada. É na primeira infância do menino que os padrões de comportamento considerado masculino são disseminados.

A terapeuta Dilene Ebinger explica que as expressões não expressas se alojam na carne e se transformam em dores. Para ela, o choro não é sinônimo de fraqueza, Muito pelo contrário, representa muita força. “Somente aquele que é centrado e sabe o que quer é capaz de expressar suas emoções com tranquilidade e segurança”, declara. Isso acontece porque esse indivíduo sabe que pode expressar suas emoções e continuará sendo aceito pelas pessoas ao redor.

A psicóloga clínica Brisa Nepomuceno explica que mulheres geralmente choram mais em resposta ao hormônio prolactina, envolvido com a amamentação, Apesar disso, todas o possuem a despeito do ato de amamentar. Por outro lado, altos níveis de testosterona podem inibir as lágrimas. Estudos apontam que mulheres com mais testosterona e menos prolactina choram menos na fase adulta. Até a adolescência meninos e meninas choram na mesma proporção. Luciene comenta que isso pode ter cunho cultural.

Tirar a oportunidade de choro contribui negativamente para a cristalização de emoções que ficam reprimidas na psique e podem pedir contas ao longo da existência. O psicólogo Flávio Mesquita explica que “engolir” o choro em uma situação de luto, por exemplo, pode protelar o mesmo. Além disso, da perspectiva psicossomática, a repressão de emoção pode ter repercussão fisiológicas como: câncer, doenças autoimunes, asma, entre outros.

Para Flávio, a frase “homem não chora” tem uma conotação de desejo ou pressão ideológica contaminada por uma cultura que tende a ser machista. Ela aponta para o masculino falando o que ele não deve fazer mais do que uma constatação do que ele não faz. Flávio explica que isso acarreta em um potencial danoso muito maior, pois pode gerar sentimento de inadequação no homem que percebe a capacidade de chorar. “Como que eu choro? Então não sou homem? Sim, o homem chora”, declara.

Dilene acredita que esse pensamento pode enrijecer, insensibilizar e trazer problemas para uma vida toda. Quando se chora, uma emoção está sendo transmitida. “Sua emoção é importante pra mim, tem significado e eu aceito e recebo”, esclarece. Dessa forma, o sujeito se sente aceito, amado e importante.

Link da imagem: https://goo.gl/NfhSOr

Insta, Snap, Face e Twitter prejudicam saúde mental dos jovens, diz estudo – Portal UOL

19/05/2017

Texto reproduzido de

https://estilo.uol.com.br/comportamento/noticias/redacao/2017/05/19/4-das-redes-sociais-mais-populares-prejudicam-a-saude-mental-dos-jovens.htm

 

Quatro das cinco redes sociais mais populares foram consideradas prejudiciais à saúde mental de crianças e jovens, de acordo com pesquisa conduzida por duas organizações de saúde britânicas, a Royal Society for Public Health e a Young Health Movement.

Segundo o estudo, o Instagram é o principal causador de impacto negativo, seguido pelo Snapchat, pelo Facebook e pelo Twitter. Apenas o YouTube foi considerado capaz de causar um impacto positivo nos jovens. De acordo com a pesquisa, as quatro plataformas prejudiciais podem exacerbar as preocupações das crianças e dos jovens com a imagem corporal, pioram o bullying e causam problemas de sono, sentimentos de ansiedade, depressão e solidão.

Foram ouvidos 1.479 participantes com idade entre 14 e 24 anos. Eles responderam um questionário que avaliava o impacto das cinco redes sociais em 14 critérios diferentes de saúde e bem-estar, incluindo seus efeitos sobre sono, bullying e imagem corporal. O Instagram teve a pior pontuação em sete das 14 categorias propostas.

Para o professor Simon Wessely, presidente da Royal College of Psychiatrists, os resultados da pesquisa são simplistas e é injusto culpar apenas as redes sociais pelo sofrimento metal pelo qual muitos jovens estão passando.

“Tenho certeza que as redes sociais têm um papel de destaque na infelicidade dos jovens, mas, assim como provocam efeitos negativos, elas também provocam os positivos. Precisamos ensinar às crianças a lidar com todos os aspectos das mídias sociais –os bons e os ruins– para prepará-los para um mundo cada vez mais digitalizado”, afirmou Wessely para o jornal “The Guardian”.

 

 

Obediência cega pode atrapalhar criança a conquistar autonomia – Portal UOL

01/11/2015

Interessante texto, embora superficial, que nos alerta acerca da necessidade de oportunização aos pequenos com a possibilidade de escolha, desde idade precoce.


Obedecer cegamente os pais pode atrapalhar o desenvolvimento da criança. Pelo menos, é o que defende o cientista social americano Robert Putnam em seu último livro, “Our Kids: The American Dream in Crisis” (“Nossos Filhos: o Sonho Americano em Crise”, em livre tradução do inglês), publicado em março.

Segundo Putnam, no curto prazo, determinar tudo o que o filho deve fazer é cômodo e permite que se ganhe tempo na agenda diária, mas essa atitude também pode deixá-lo inseguro e dependente. Estimular que ele pense por si próprio e aprenda a organizar a própria vida dá muito mais trabalho, mas aumenta a habilidade do filho para viver em um mundo cada vez mais complexo.

O cientista social não está sozinho na sua crença. Um estudo científico realizado na Universidade do Estado do Kansas, nos Estados Unidos, que avaliou nas crianças o impacto de obedecer e de desobedecer. Segundo os cientistas, as que não acatam tudo o que os pais dizem têm grandes chances de se tornarem líderes de empresas no futuro, já que a desobediência faz com que explorem mais os limites e aprendam coisas novas.

Autonomia não é falta de controle

Isso não quer dizer que as crianças devam fazer o que querem. O que está em jogo aqui é algo que os educadores e psicólogos chamam de “construção da autonomia”, ou seja, a capacidade de tomar as próprias decisões.

A partir dos três anos, é possível proporcionar à criança algumas situações de escolha, desde que adequadas às expectativas sociais de convivência, aos recursos financeiros e aos valores familiares. Aos poucos, os pais devem estimular o filho a fazer escolhas e a lidarem com as consequências delas. Algumas regras, porém, são inegociáveis, como hora para comer, dormir, tomar banho, estudar, agir com gentileza, não bater nos irmãos.

Fontes: Gisela Wajskop, educadora e pesquisadora vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo; Rita Calegari, psicóloga do Hospital São Camilo, de São Paulo; Paulo Afonso Ronca, doutor em psicologia educacional pela Unicamp (Universidade de Campinas); Lígia Pacheco, mestre em filosofia da educação pela USP (Universidade de São Paulo).

6 maneiras de estimular a autonomia desde cedo

1 Permita escolhas possíveis

Seja firme quando a criança quiser quebrar regras, colocando-se em situação de risco. Quer atravessar a rua sozinha aos três anos? Sem discussão, não pode. Mas a deixe fazer as escolhas possíveis. Ela pode escolher a roupa para ir a uma festa ou o brinquedo que vai levar ao parque, por exemplo.

2 Dê responsabilidades

Depois de brincar, desde cedo, ensine a criança a guardar sozinha seus próprios brinquedos.

3 Envolva a criança nas decisões

A partir dos dois anos, a criança pode participar da arrumação da própria mochila, buscando os objetos que devem ser guardados. Conforme ela cresce, oriente-a a fazer essa tarefa mais sozinha. Oriente e supervisione, mas dê liberdade para que ela execute a tarefa.

4 Ensine e supervisione

Na hora do banho, ensine como a criança deve se lavar. Depois, deixe-a tomar banho sozinha, ficando ao lado e dando dicas do que pode ser melhorado. Por fim, deixe-a a sós no banho, mas faça uma “revisão” no final.

5 Não conserte o que deu errado

Quando a escolha da criança não for boa, não tente “consertar” todas as vezes. É importante deixar que ela sofra as consequências para que entenda a responsabilidade que envolve escolher e pense melhor na próxima vez. Claro que desde que não haja prejuízo à saúde e à segurança dela.

6 Dê feedback

Ao checar as tarefas realizadas pela criança, sempre valorize primeiro o que foi bem feito, para então dizer o que precisa ser melhorado.

Entrevista concedida ao Jornal EPTV em 02/01/2015

19/01/2015

Clique no link abaixo e veja entrevista concedida ao Jornal EPTV abordando os resultados de uma pesquisa sobre as expectativas dos brasileiros em relação ao ano de 2.015

Entrevista concedida a EPTV 02/01/2015

Quebrar a cara é fundamental para que o adolescente amadureça – Portal UOL

09/12/2014

Por mais que seja papel dos pais orientar o adolescente, muitas vezes, ele só vai aprender a lidar com certas situações se a ele for permitido vivenciar as consequências de atitudes ou comportamentos errados, o que não significa deixá-lo sem orientação e supervisão.

A psicóloga Elizabeth Monteiro, autora do livro “Criando Adolescentes em Tempos Difíceis” (Editora Summus), concorda. “Crescer envolve sofrimento, porque muitas coisas a gente só aprende quebrando a cara. Com os adolescentes, não é diferente.”

A experiência do sofrimento é importante para formar indivíduos mais flexíveis, que entendam que nem tudo acontece da maneira desejada ou imaginada. Por isso, deixar o filho viver determinadas situações, ainda que os pais saibam de antemão que isso lhe trará insatisfação depois, faz parte do processo de educar.

“A superproteção cria adolescentes mimados, que pensam que vão conseguir as coisas sempre à sua maneira. Esses jovens, quando escutam um ‘não’, ficam desorientados”, diz a psicóloga infantil Renata Yamasaki, especializada em psicopedagogia pelo Instituto Sedes Sapientiae.

Autoconfiança
Segundo os especialistas, deixar o adolescente passar pelas consequências das próprias escolhas, sem amenizá-las, é uma maneira de formar adultos autoconfiantes e realizados. “Se os pais protegem o filho a qualquer custo, inclusive agindo por ele, aumentam as chances de que o jovem se torne um adulto dependente e, provavelmente, infeliz”, diz a psicóloga Elizabeth.

“Existe, ainda, o risco de que o adolescente culpe os pais por não ter conseguido alcançar o que desejava, justificando com o argumento de que foi podado demais pela família”, fala Renata.

É claro que essa filosofia não se aplica quando o filho arrisca a própria integridade física, como no caso de se envolver com drogas, praticar sexo sem preservativo ou ainda dirigir perigosamente. Nesses casos, os pais devem intervir, com firmeza.

“O adolescente tem uma coisa chamada onipotência juvenil, representada, na prática, por uma certeza de que nada de ruim acontecerá com ele. Cabe aos pais ponderarem isso, impondo limites”, afirma Elizabeth.

Sofrer por ter escolhido a pessoa errada para se envolver em um relacionamento, ficar de recuperação porque não estudou durante o ano e perder um emprego por falta de responsabilidade são exemplos de consequências que o adolescente receberá em virtude de suas escolhas equivocadas. E a frustração por ter cometido esse tipo de falha deve ser vivenciada pelo jovem, sem muita influência dos pais, para que ele realmente consiga amadurecer e se tornar mais forte.

O caminho do equilíbrio
O desafio dos pais, portanto, é encontrar o meio-termo entre a superproteção e a omissão, agindo de maneira a manter o equilíbrio entre o ponto de vista deles e o do filho e, sempre que possível, favorecendo o consenso.

“Para saber quando é preciso intervir ou não, analise o grau de sofrimento e de improdutividade do adolescente diante da situação. Além disso, avalie o quanto é custoso para você, como adulto, conviver com aquele cenário”, afirma Elisabeth.

Para a psicopedagoga Teresa Messeder Andion, cabe aos pais provocar um diálogo com o adolescente, ajudando-o a enxergar além do próprio umbigo. “Os pais devem falar o que não gostam, apontar que aquele tipo de comportamento não é aprovado pela família e dizer o porquê. Mas o ideal é que o filho faça uma avaliação posterior sozinho e chegue à conclusão de que aquilo não é bom para ele.”

Enquanto isso, pai e mãe podem ficar por perto, zelando, dando bons exemplos de comportamento e apontando sempre as atitudes que consideram ruins, para que o adolescente entenda onde está errando. Esse cuidado será muito mais eficiente do que a proibição sem justificativa. “É como uma pipa no ar: se o vento está favorável, você solta um pouco. Se estiver vislumbrando uma tempestade a caminho, puxa de volta”, declara Teresa.

Conteúdo original acessível em : http://mulher.uol.com.br/gravidez-e-filhos/noticias/redacao/2014/12/09/quebrar-a-cara-e-fundamental-para-que-o-adolescente-amadureca.htm

Filha adolescente pode se tornar rival da mãe – Portal UOL Mulher

13/11/2014

A adolescência pode ser um divisor na relação entre mãe e filha. É nessa fase que a garota, que até então tinha na mãe o seu modelo, torna-se contestadora. Os desentendimentos podem se tornar rotina. A adulta se ressente de não ser mais ouvida; a filha sente-se criticada o tempo todo. E uma mal disfarçada tensão –que, muitas vezes, explode em aberta hostilidade– pode se prolongar por anos.

É claro que um quadro como esse não ocorre, obrigatoriamente, em todas as famílias, mas é bastante comum. “O conflito está presente em todas as relações humanas”, diz Elizabeth Brandão, professora da Faculdade de Psicologia da PUC (Pontifícia Universidade Católica) de São Paulo.

Entre pais e filhos, conforme explica a psicóloga, a relação de dependência é um complicador –um é pequeno e frágil; o outro, grande e forte. E toda relação desigual, por definição, tende a ser conflituosa.

“Os filhos, um a um, vão representando aspirações, desejos e expectativas de seus pais. Muitas vezes, os adultos têm a intenção –consciente ou inconsciente– de resolver, por meio dos filhos, questões pendentes com seus próprios pais ou com seu passado”, afirma a psicóloga e psicanalista Sheila Skitnevsky Finger, cofundadora do Instituto Mãe Pessoa, organização que oferece atendimento psicoterápico e oficinas para mulheres. No caso de mães e filhas, essa expectativa pode ser ainda maior, pela identificação que existe entre as duas.

Identidades e fronteiras

É fundamental considerar, no entanto, que esses desentendimentos podem cumprir uma valiosa função: a de ajudar as filhas a se desprenderem dos laços maternos. “Esse processo é necessário, a filha precisa descobrir sua individualidade”, afirma a psicóloga Marina Ribeiro, professora do Instituto Sedes Sapientiae, de São Paulo, autora do livro “De Mãe em Filha: a Transmissão da Feminilidade” (Editora Escuta).

A especialista explica que o estabelecimento de “fronteiras psíquicas” entre pais e filhos, pelo reconhecimento de diferenças, é saudável para todos, mas é uma meta nem sempre fácil de ser alcançada.

“Pais com dificuldades emocionais sérias tendem a dispor dos filhos como extensões deles mesmos, para o melhor e para o pior. Para exemplificar, são pais que, diante do sucesso do filho, comentam: ‘esse é meu filho’. E diante do fracasso ou das dificuldades: ‘nem parece ser meu filho’.”

A resolução desse conflito passa pelo fim da idealização, de ambas as partes. A filha não é uma extensão da mãe nem tampouco aquela bonequinha com a qual ela brincava de casinha na infância. É uma pessoa com ideias e vontades próprias. A mãe, por sua vez, não é um ser infalível.

“Se nunca teremos a filha ideal ou a mãe ideal, teremos a filha ou a mãe real, possível. As expectativas nunca se cumprem, o outro é o outro”, afirma a psicopedagoga Georgia Vassimon, professora do Instituto Sedes Sapientiae.

Rainhas, madrastas e princesas

Outro componente pode tornar essa relação ainda mais delicada: a existência de sentimentos de ciúme e inveja entre mulheres vivendo diferentes fases da vida. Uma menina que se torna mulher e uma mulher que envelhece podem se tornar rivais no espaço doméstico.

Essa disputa é retratada de forma bastante clara, ainda que simbólica, pelo papel da madrasta dos contos de fadas. Tomando como exemplo a história de Branca de Neve, a madrasta é a rainha-mãe vista, anos depois, pela filha que cresceu. A menina que idealiza a mãe na primeira infância –aquela rainha que tomava por modelo– agora a enxerga como uma madrasta invejosa. Já a mulher que assume os papéis de madrasta (e bruxa) sente-se inferiorizada ao olhar para o espelho. E quem é esse espelho? A própria filha.

“Quando a menina se torna uma jovem mulher, bonita e inteligente, ela se transforma no espelho que diz à mãe que ela já não é a mulher mais bela do mundo”, afirma Marina, professora do Instituto Sedes Sapientiae.

Modelos humanos

Negar ou abafar a existência desses sentimentos não resolve o problema. “O ideal seria, de fato, que a mãe conseguisse enxergar, aceitar e admirar as mudanças e conquistas da filha. Mas ela também é uma pessoa que tem sentimentos, às vezes contraditórios, às vezes indesejados”, diz a psicanalista Sheila Finger.

O primeiro passo para superar a delicada questão é, portanto, reconhecê-la. É o que também diz a psicóloga Elizabeth. “Externar sentimentos como raiva, inveja e ciúme é meio caminho andado para superá-los. Quando surgir um sentimento negativo, tente encontrar a origem. Conversar com uma amiga ou mesmo com um terapeuta também ajuda”.

A psicopedagoga Georgia adverte que o conflito pode durar muito tempo ou mesmo a vida toda, se as pessoas envolvidas não fizerem a lição de casa –geralmente árdua– de buscar o autoconhecimento e a aceitação das diferenças entre os membros da família. Essa é uma tarefa de todos, mas, quando a relação envolve adolescentes e crianças, são os pais que devem apresentar maior maturidade do que seus filhos.

Segundo a psicanalista Sheila, as mães podem contribuir de diversas maneiras para minimizar os conflitos com suas filhas. “É preciso aceitar e reconhecer que faz parte do crescimento e do amadurecimento da garota essa busca por independência e autonomia. Também é necessário desvencilhar-se de suas próprias questões mal resolvidas e expectativas idealizadas para tentar ver e admirar a filha como ela é. E, na medida do possível, tente colocar-se à disposição para ajudar e acolher, principalmente nos momentos de dificuldades.”

E tudo isso sem perder de vista os próprios limites. Afinal, se nessa história existem rainhas e princesas, não há lugar para super-heróis. “As mães podem servir de modelo como pessoa que falha, mas que não desiste nem se desespera, que busca ajuda quando a situação está muito difícil. Elas devem ser exemplos de pessoas que se aceitam com seus talentos e habilidades, mas também com suas inseguranças e limitações”, declara Sheila.

Texto original pode ser encontrado em : http://www.uol.mulher.com

Cordel de repúdio ao Big Brother Brasil da Rede Globo

16/02/2014

Apoio manifesto ao brilhante texto que interpreta muito bem o sentimento crescente de repúdio a esse programa ridículo que ainda mobiliza, infelizmente, uma legião de espectadores no Brasil.

Autor: Antonio Barreto, Cordelista natural de Santa Bárbara-BA, residente em Salvador.

Curtir o Pedro Bial
E sentir tanta alegria
É sinal de que você
O mau-gosto aprecia
Dá valor ao que é banal
É preguiçoso mental
E adora baixaria.

Há muito tempo não vejo
Um programa tão ‘fuleiro’
Produzido pela Globo
Visando Ibope e dinheiro
Que além de alienar
Vai por certo atrofiar
A mente do brasileiro.

Me refiro ao brasileiro
Que está em formação
E precisa evoluir
Através da Educação
Mas se torna um refém
Iletrado, ‘zé-ninguém’
Um escravo da ilusão.

Em frente à televisão
Longe da realidade
Onde a bobagem fervilha
Não sabendo essa gente
Desprovida e inocente
Desta enorme ‘armadilha’.

Cuidado, Pedro Bial
Chega de esculhambação
Respeite o trabalhador
Dessa sofrida Nação
Deixe de chamar de heróis
Essas girls e esses boys
Que têm cara de bundão.

O seu pai e a sua mãe,
Querido Pedro Bial,
São verdadeiros heróis
E merecem nosso aval
Pois tiveram que lutar
Pra manter e te educar
Com esforço especial.

Muitos já se sentem mal
Com seu discurso vazio.
Pessoas inteligentes
Se enchem de calafrio
Porque quando você fala
A sua palavra é bala
A ferir o nosso brio.

Um país como Brasil
Carente de educação
Precisa de gente grande
Para dar boa lição
Mas você na rede Globo
Faz esse papel de bobo
Enganando a Nação.

Respeite, Pedro Bienal
Nosso povo brasileiro
Que acorda de madrugada
E trabalha o dia inteiro
Da muito duro, anda rouco
Paga impostos, ganha pouco:
Povo HERÓI, povo guerreiro.

Enquanto a sociedade
Neste momento atual
Se preocupa com a crise
Econômica e social

Você precisa entender
Que queremos aprender
Algo sério – não banal.

Esse programa da Globo
Vem nos mostrar sem engano
Que tudo que ali ocorre
Parece um zoológico humano
Onde impera a esperteza
A malandragem, a baixeza:
Um cenário sub-humano.

A moral e a inteligência
Não são mais valorizadas.
Os “heróis” protagonizam
Um mundo de palhaçadas
Sem critério e sem ética
Em que vaidade e estética
São muito mais que louvadas.

Não se vê força poética
Nem projeto educativo.
Um mar de vulgaridade
Já tornou-se imperativo.
O que se vê realmente
É um programa deprimente
Sem nenhum objetivo.

Talvez haja objetivo
“professor”, Pedro Bial
O que vocês tão querendo
É injetar o banal
Deseducando o Brasil
Nesse Big Brother vil
De lavagem cerebral.

Isso é um desserviço
Mal exemplo à juventude
Que precisa de esperança
Educação e atitude
Porém a mediocridade
Unida à banalidade
Faz com que ninguém estude.

É grande o constrangimento
De pessoas confinadas
Num espaço luxuoso
Curtindo todas baladas:
Corpos “belos” na piscina
A gastar adrenalina:
Nesse mar de palhaçadas.

Se a intenção da Globo
É de nos “emburrecer”
Deixando o povo demente
Refém do seu poder:
Pois saiba que a exceção
(Amantes da educação)
Vai contestar a valer.

A você, Pedro Bial
Um mercador da ilusão
Junto a poderosa Globo
Que conduz nossa Nação
Eu lhe peço esse favor:
Reflita no seu labor
E escute seu coração.

E vocês caros irmãos
Que estão nessa cegueira
Não façam mais ligações
Apoiando essa besteira.
Não deem sua grana à Globo
Isso é papel de bobo:
Fujam dessa baboseira.

E quando chegar ao fim
Desse Big Brother vil
Que em nada contribui
Para o povo varonil
Ninguém vai sentir saudade:
Quem lucra é a sociedade
Do nosso querido Brasil.

E saiba, caro leitor
Que nós somos os culpados

Porque sai do nosso bolso
Esses milhões desejados
Que são ligações diárias
Bastante desnecessárias
Pra esses desocupados.

A loja do BBB
Vendendo só porcaria
Enganando muita gente
Que logo se contagia
Com tanta futilidade
Um mar de vulgaridade
Que nunca terá valia.

Chega de vulgaridade
E apelo sexual.
Não somos só futebol,
baixaria e carnaval.
Queremos Educação
E também evolução
No mundo espiritual.

Cadê a cidadania
Dos nossos educadores
Dos alunos, dos políticos
Poetas, trabalhadores?
Seremos sempre enganados
e vamos ficar calados
diante de enganadores?

Barreto termina assim
Alertando ao Bial:

Reveja logo esse equívoco
Reaja à força do mal.
Eleve o seu coração
Tomando uma decisão
Ou então: siga, animal.

FIM

Cuidado com os burros motivados – Roberto Shinyashiki para Revista Isto É

03/12/2013

Sabedora que é do meu apreço pelo tema, recebi este texto de uma querida amiga.

Já tinha tido contato com alguns fragmentos que alcançaram maior vulto, mas creio que valha muito a pena a leitura dele como um todo, visto a coerência no qual se ampara a mensagem geral.

Obrigado V !

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A revista Isto é publicou esta entrevista por Camilo Vanucci, gostei e resolvi compartilhar.

O entrevistado é Roberto Shinyashiki, médico psiquiatra, com Pós-Graduação em administração de empresas pela USP, consultor organizacional e conferencista de renome nacional e internacional.

Em “Heróis de Verdade”, o escritor combate a supervalorização das Aparências, diz que falta ao Brasil competência, e não auto-estima.

ISTOÉ – QUEM SÃO OS HERÓIS DE VERDADE?

Roberto Shinyashiki — Nossa sociedade ensina que, para ser uma pessoa de sucesso, você precisa ser diretor de uma multinacional, ter carro importado, viajar de primeira classe.

O mundo define que poucas pessoas deram certo. Isso é uma loucura.
Para cada diretor de empresa, há milhares de funcionários que não chegaram a ser gerentes.

E essas pessoas são tratadas como uma multidão de fracassados.
Quando olha para a própria vida, a maioria se convence de que não valeu a pena porque não conseguiu ter o carro nem a casa maravilhosa.

Para mim, é importante que o filho da moça que trabalha na minha casa possa se orgulhar da mãe. O mundo precisa de pessoas mais simples e transparentes.

Heróis de verdade são aqueles que trabalham para realizar seus projetos de vida, e não para impressionar os outros.

São pessoas que sabem pedir desculpas e admitir que erraram.

ISTOÉ — O SR. CITARIA EXEMPLOS?

Shinyashiki — Quando eu nasci, minha mãe era empregada doméstica e meu pai, órfão aos sete anos,empregado em uma farmácia .

Morávamos em um bairro miserável em São Vicente (SP) chamado Vila Margarida. Eles são meus heróis.

Conseguiram criar seus quatro filhos, que hoje estão bem.

Acho lindo quando o Cafu põe uma camisa em que está escrito “100% Jardim Irene”.

É pena que a maior parte das pessoas esconda suas raízes.

O resultado é um mundo vítima da depressão, doença que acomete hoje 10% da população americana.

Em países como Japão, Suécia e Noruega, há mais suicídio do que homicídio. Por que tanta gente se mata?

Parte da culpa está na depressão das aparências, que acomete a mulher que, embora não ame mais o marido, mantém o casamento, ou o homem que passa décadas em um emprego que não o faz se sentir realizado, mas o faz se sentir seguro.

ISTOÉ — Qual o resultado disso?

Shinyashiki — Paranóia e depressão cada vez mais precoces.

O pai quer preparar o filho para o futuro e mete o menino em aulas de inglês, informática e mandarim.
Aos nove ou dez anos a depressão aparece.

A única coisa que prepara uma criança para o futuro é ela poder ser criança.
Com a desculpa de prepará-los para o futuro, os malucos dos pais estão roubando a infância dos filhos.
Essas crianças serão adultos inseguros e terão discursos hipócritas.
Aliás, a hipocrisia já predomina no mundo corporativo.

ISTOÉ – Por quê?

Shinyashiki — O mundo corporativo virou um mundo de faz-de-conta, a começar pelo processo de recrutamento.

É contratado o sujeito com mais marketing pessoal.

As corporações valorizam mais a auto-estima do que a competência.
Sou presidente da Editora Gente e entrevistei uma moça que respondia todas as minhas perguntas com uma ou duas palavras.

Disse que ela não parecia demonstrar interesse. Ela me respondeu estar muito interessada, mas, como falava pouco, pediu que eu pesasse o desempenho dela, e não a conversa.

Até porque ela era candidata a um emprego na contabilidade, e não de relações públicas. Contratei-a na hora.
Num processo clássico de seleção, ela não passaria da primeira etapa.

ISTOÉ — Há um script estabelecido?

Shinyashiki — Sim. Quer ver uma pergunta estúpida feita por um Presidente de multinacional no programa O aprendiz ?
“Qual é seu defeito?”

Todos respondem que o defeito é não pensar na vida pessoal:
“Eu mergulho de cabeça na empresa.
Preciso aprender a relaxar”.
É exatamente o que o Chefe quer escutar.

Por que você acha que nunca alguém respondeu ser desorganizado ou esquecido?

É contratado quem é bom em conversar, em fingir. Da mesma forma, na maioria das vezes, são promovidos aqueles que fazem o jogo do poder.
O vice-presidente de uma as maiores empresas do planeta me disse:

” Sabe, Roberto, ninguém chega à vice-presidência sem mentir”.
Isso significa que quem fala a verdade não chega a diretor?

ISTOÉ — Temos um modelo de gestão que premia pessoas mal preparadas?

Shinyashiki — Ele cria pessoas arrogantes, que não têm a humildade de se preparar, que não têm capacidade de ler um livro até o fim e não se preocupam com o conhecimento.

Muitas equipes precisam de motivação, mas o maior problema no Brasil é competência.

CUIDADO COM OS BURROS MOTIVADOS.

Há muita gente motivada fazendo besteira.

Não adianta você assumir uma função para a qual não está preparado.
Fui cirurgião e me orgulho de nunca um paciente ter morrido na minha mão.

Mas tenho a humildade de reconhecer que isso nunca aconteceu graças a meus chefes, que foram sábios em não me dar um caso para o qual eu não estava preparado.

Hoje, o garoto sai da faculdade achando que sabe fazer uma neurocirurgia.

O Brasil se tornou incompetente e não acordou para isso.

ISTOÉ — Está sobrando auto-estima?

Shinyashiki — Falta às pessoas a verdadeira auto-estima.
Se eu preciso que os outros digam que sou o melhor, minha auto-estima está baixa.

Antes, o ter conseguia substituir o ser.
O cara mal-educado dava uma gorjeta alta para conquistar o respeito do garçom.

Hoje, como as pessoas não conseguem nem ser nem ter, o objetivo de vida se tornou parecer.

As pessoas parecem que sabem, parece que fazem, parece que acreditam.

E poucos são humildes para confessar que não sabem.

Há muitas mulheres solitárias no Brasil que preferem dizer que é melhor assim.
Embora a auto-estima esteja baixa, fazem pose de que está tudo bem.

ISTOÉ — Por que nos deixamos levar por essa necessidade de sermos perfeitos em tudo e de valorizar a aparência?

Shinyashiki — Isso vem do vazio que sentimos. A gente continua valorizando os heróis.

Quem vai salvar o Brasil? O Lula.
Quem vai salvar o time? O técnico.
Quem vai salvar meu casamento? O terapeuta.

O problema é que eles não vão salvar nada! Tive um professor de filosofia que dizia:

“Quando você quiser entender a essência do ser
humano, imagine a rainha Elizabeth com uma crise de diarréia durante um jantar no Palácio de Buckingham”.
Pode parecer incrível, mas a rainha Elizabeth também tem diarréia.
Ela certamente já teve dor de dente, já chorou de tristeza, já fez coisas que não deram certo.

A gente tem de parar de procurar super-heróis. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

ISTOÉ — O conceito muda quando a expectativa não se comprova?

Shinyashiki — Exatamente.
A gente não é super-herói nem superfracassado. A gente acerta, erra, tem dias de alegria e dias de tristeza. Não há nada de errado nisso.

Hoje, as pessoas estão questionando o Lula em parte porque acreditavam que ele fosse mudar
suas vidas e se decepcionaram.

A crise será positiva se elas entenderem que a responsabilidade pela própria vida é delas.

ISTOÉ — Muitas pessoas acham que é fácil para o Roberto Shinyashiki dizer essas coisas, já que ele é bem-sucedido. O senhor tem defeitos?

Shinyashiki — Tenho minhas angústias e inseguranças.
Mas aceitá-las faz minha vida fluir facilmente.
Há várias coisas que eu queria e não consegui.
Jogar na Seleção Brasileira, tocar nos Beatles (risos).

Meu filho mais velho nasceu com uma doença cerebral e hoje tem 25 anos.
Com uma criança especial, eu aprendi que ou eu a amo do jeito que ela é ou vou massacrá-la o resto da vida para ser o filho que eu gostaria que fosse.
Quando olho para trás, vejo que 60% das coisas que fiz deram certo.

O resto foram apostas e erros.
Dia desses apostei na edição de um livro que não deu certo.

Um amigão me perguntou:
” Quem decidiu publicar esse livro?”
Eu respondi que tinha sido eu. O erro foi meu.
Não preciso mentir.

ISTOÉ – Como as pessoas podem se livrar dessa tirania da aparência?

Shinyashiki — O primeiro passo é pensar nas coisas que fazem as pessoas cederem a essa tirania e tentar evitá-las.

São três fraquezas.

A primeira é precisar de aplauso, a segunda é precisar se sentir amada e a terceira é buscar segurança.

Os Beatles foram recusados por gravadoras e nem por isso desistiram.
Hoje, o erro das escolas de música é definir o estilo do aluno.

Elas ensinam a tocar como o Steve Vai, o B. B. King ou o Keith Richards.
Os MBAs têm o mesmo problema: ensinam os alunos a serem covers do Bill Gates.

O que as escolas deveriam fazer é ajudar o aluno a desenvolver suas próprias potencialidades.

ISTOÉ — Muitas pessoas têm buscado sonhos que não são seus?

Shinyashiki — A sociedade quer definir o que é certo.

São quatro loucuras da sociedade.
A primeira é instituir que todos têm de ter
sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

A segunda loucura é: Você tem de estar feliz todos os dias.

A terceira é: Você tem que comprar tudo o que puder.

O resultado é esse consumismo absurdo.

Por fim, a quarta loucura:
Você tem de fazer as coisas do jeito certo.

Jeito certo não existe!

Não há um caminho único para se fazer as coisas. As metas são interessantes para o sucesso, mas não para a felicidade.

Felicidade não é uma meta, mas um estado de espírito.

Tem gente que diz que não será feliz enquanto não casar, enquanto outros se dizem infelizes justamente por causa do casamento.

Você pode ser feliz tomando sorvete, ficando em casa com a família ou com amigos verdadeiros, levando os filhos para brincar ou indo a praia ou ao cinema.

Quando era recém-formado em São Paulo,
trabalhei em um hospital de pacientes terminais. Todos os dias morriam nove ou dez pacientes.

Eu sempre procurei conversar com eles na hora da morte.
A maior parte pega o médico pela camisa e diz:

“Doutor, não me deixe morrer.
Eu me sacrifiquei a vida inteira, agora eu quero aproveitá-la e ser feliz”.
Eu sentia uma dor enorme por não poder fazer nada.

Ali eu aprendi que a felicidade é feita de coisas pequenas.

Ninguém na hora da morte diz se arrepender por não ter aplicado o dinheiro em imóveis ou ações, mas sim de ter esperado muito tempo ou perdido várias oportunidades para aproveitar a vida .

Link para a matéria original :

http://www.istoe.com.br/assuntos/entrevista/detalhe/12528_CUIDADO+COM+OS+BURROS+MOTIVADOS

Psiquiatra diz que a medicina transformou comportamentos normais em doença

09/11/2013

A “caixa da normalidade” está cada vez menor e a culpa é do excesso de diagnósticos de doenças mentais, diz o psiquiatra americano Dale Archer, autor do best-seller “Better than Normal”, recém-lançado no Brasil com o título “Quem Disse que É Bom Ser Normal?” (Sextante, 224 págs., R$ 24,90).

Archer, 57, é psiquiatra clínico desde 1987 e fundou um instituto de neuropsiquiatria em Lake Charles, Louisiana (EUA). Em 2008, ele notou que havia algo errado com os seus pacientes: a maioria dizia ter um transtorno mental e precisar de remédios –só que eles não tinham nada.

‘É mais cômodo dar remédio do que fazer terapia’, diz mãe
“Estamos ‘patologizando’ comportamentos normais. E isso não é só culpa da psiquiatria”, disse Archer, à *Folha, por telefone.

Um quarto dos adultos americanos têm uma ou mais doenças mentais diagnosticadas, segundo o Instituto Nacional de Saúde Mental dos EUA. “Isso está errado. Há uma gama de comportamentos que não são doença.”
Em um ativismo “pró-normalidade”, Archer descreve oito traços de personalidade comumente ligados a transtornos, como ansiedade, e afirma que não há nada errado com essas características, a não ser que sejam muito exacerbadas.

“O remédio tem que ser o último recurso, e não é o que eu vejo. As pessoas entram em um consultório e saem com uma receita médica. A psicoterapia é subestimada.”

De outubro de 2012 a setembro de 2013, o mercado de antidepressivos e estabilizadores de humor movimentou mais de R$ 2 bilhões no Brasil, segundo dados da consultoria IMS Health. Nos últimos cinco anos, o número de unidades vendidas desses remédios cresceu 61%.

Para Antônio Geraldo da Silva, presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria, os diagnósticos aumentaram, sim, mas da mesma forma como aumentou os de outras doenças, de diabetes a câncer. “Isso é resultado da evolução da medicina e da facilidade de acesso.”

O mesmo pensa o psiquiatra Fabio Barbirato, da Santa Casa do Rio de Janeiro. “Também aumentou o número de prescrições de insulina e anti-hipertensivo. Isso ninguém questiona. Mas quando se fala de mente, da psique, todos têm uma opinião”, afirma.

Segundo Silva, o problema é o subdiagnóstico. Para ele, há mais deprimidos sem tratamento do que pessoas sem depressão sendo tratadas.

Barbirato dá como exemplo o TDAH (transtorno do deficit de atenção e hiperatividade). “O número de crianças com prescrição de remédios não chega a 1,5% no Brasil, e a estimativa mais baixa de presença de TDAH no país é de 1,9%. Há crianças sem tratamento.”

CRITÉRIO ANTIGO
Para a psicóloga Marilene Proença, professora da USP, a sociedade está “medindo” as crianças com réguas antigas. “Os critérios de diagnóstico de TDAH esperam uma criança que brinque calmamente, que levante a mão para perguntar algo. Isso não condiz com o papel da criança na sociedade. Ela está exposta a muitos estímulos e é tudo muito competitivo”, diz.

Para a psiquiatra e psicanalista Regina Elisabeth Lordello Coimbra, da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo, as pessoas estão menos tolerantes às emoções.

“Há pouco lugar para a tristeza. E a exaltação e excitação são confundidas com felicidade. Vivemos de uma forma mais estimulante, na qual emoções mais depressivas, reflexivas, não têm espaço.”

De acordo com Silva, o que caracteriza a doença mental é a gravidade dos sintomas. “Deixa de ser normal quando a pessoa tem prejuízo, quando está tão triste que não consegue sair da cama.”

Ele argumenta que “invariavelmente” encaminha os pacientes para a psicoterapia. E garante: nem sempre eles saem do consultório com uma receita médica.

Fonte: Folha de S. Paulo

Porque os jovens profissionais da geração Y estão infelizes

08/11/2013

O texto abaixo me foi encaminhado por um cliente. Sua vontade de compartilhar isso comigo adveio da sua compreensão de que em muito explica o sentimento de frustração muito comum à sua geração.

Achei o texto muito interessante e resolvi replica-lo aqui no BLOG !

A versão original pode ser acessada em :  http://qga.com.br/comportamento/jovem/2013/09/porque-os-jovens-profissionais-da-geracao-y-estao-infelizes

Esta é a Ana.

Ana é parte da Geração Y, a geração de jovens nascidos entre o fim da década de 1970 e a metade da década de 1990. Ela também faz parte da cultura Yuppie, que representa uma grande parte da geração Y.

“Yuppie” é uma derivação da sigla “YUP”, expressão inglesa que significa “Young Urban Professional”, ou seja, Jovem Profissional Urbano. É usado para referir-se a jovens profissionais entre os 20 e os 40 anos de idade, geralmente de situação financeira intermediária entre a classe média e a classe alta. Os yuppies em geral possuem formação universitária, trabalham em suas profissões de formação e seguem as últimas tendências da moda. – Wikipedia

Eu dou um nome para yuppies da geração Y — costumo chamá-los de “Yuppies Especiais e Protagonistas da Geração Y”, ou “GYPSY” (Gen Y Protagonists & Special Yuppies). Um GYPSY é um tipo especial de yuppie, um tipo que se acha o personagem principal de uma história muito importante.

Então Ana está lá, curtindo sua vida de GYPSY, e ela gosta muito de ser a Ana. Só tem uma pequena coisinha atrapalhando:

Ana está meio infeliz.

Para entender a fundo o porquê de tal infelicidade, antes precisamos definir o que faz uma pessoa feliz, ou infeliz. É uma formula simples:

                                       FELICIDADE = REALIDADE – EXPECTATIVAS

É muito simples — quando a realidade da vida de alguém está melhor do que essa pessoa estava esperando, ela está feliz. Quando a realidade acaba sendo pior do que as expectativas, essa pessoa está infeliz.

Para contextualizar melhor, vamos falar um pouco dos pais da Ana:

Os pais da Ana nasceram na década de 1950 — eles são “Baby Boomers“. Foram criados pelos avós da Ana, nascidos entre 1901 e 1924, e definitivamente não são GYPSYs.

Na época dos avós da Ana, eles eram obcecados com estabilidade econômica e criaram os pais dela para construir carreiras seguras e estáveis. Eles queriam que a grama dos pais dela crescesse mais verde e bonita do que eles as deles próprios. Algo assim:

Eles foram ensinados que nada podia os impedir de conseguir um gramado verde e exuberante em suas carreiras, mas que eles teriam que dedicar anos de trabalho duro para fazer isso acontecer.

Depois da fase de hippies insofríveis, os pais da Ana embarcaram em suas carreiras. Então nos anos 1970, 1980 e 1990, o mundo entrou numa era sem precedentes de prosperidade econômica. Os pais da Ana se saíram melhores do que esperavam, isso os deixou satisfeitos e otimistas.

Tendo uma vida mais suave e positiva do que seus próprios pais, os pais da Ana a criaram com um senso de otimismo e possibilidades infinitas. E eles não estavam sozinhos. Baby Boomers em todo o país e no mundo inteiro ensinaram seus filhos da geração Y que eles poderiam ser o que quisessem ser, induzindo assim a uma identidade de protagonista especial lá em seus sub-conscientes.

Isso deixou os GYPSYs se sentindo tremendamente esperançosos em relação à suas carreiras, ao ponto de aquele gramado verde de estabilidade e prosperidade, tão sonhado por seus pais, não ser mais suficiente. O gramado digno de um GYPSY também devia ter flores.

Isso nos leva ao primeiro fato sobre GYPSYs:

GYPSYs são ferozmente ambiciosos

President1

O GYPSY precisa de muito mais de sua carreira do que somente um gramado verde de prosperidade e estabilidade. O fato é, só um gramado verde não é lá tão único e extraordinário para um GYPSY. Enquanto seus pais queriam viver o sonho da prosperidade, os GYPSYs agora querem viver seu próprio sonho.

Cal Newport aponta que “seguir seu sonho” é uma frase que só apareceu nos últimos 20 anos, de acordo com o Ngram Viewer, uma ferramenta do Google que mostra quanto uma determinada frase aparece em textos impressos num certo período de tempo. Essa mesma ferramenta mostra que a frase “carreira estável” saiu de moda, e  também que a frase “realização profissional” está muito popular.

Para resumir, GYPSYs também querem prosperidade econômica assim como seus pais – eles só querem também se sentir realizados em suas carreiras, uma coisa que seus pais não pensavam muito.

Mas outra coisa está acontecendo. Enquanto os objetivos de carreira da geração Y se tornaram muito mais específicos e ambiciosos, uma segunda ideia foi ensinada à Ana durante toda sua infância:

Este é provavelmente uma boa hora para falar do nosso segundo fato sobre os GYPSYs:

GYPSYs vivem uma ilusão

Na cabeça de Ana passa o seguinte pensamento: “mas é claro… todo mundo vai ter uma boa carreira, mas como eu sou prodigiosamente magnífica, de um jeito fora do comum, minha vida profissional vai se destacar na multidão”. Então se uma geração inteira tem como objetivo um gramado verde e com flores, cada indivíduo GYPSY acaba pensando que está predestinado a ter algo ainda melhor:

Um unicórnio reluzente pairando sobre um gramado florido.

Mas por que isso é uma ilusão? Por que isso é o que cada GYPSY pensa, o que põe em xeque a definição de especial:

es-pe-ci-al | adjetivo
melhor, maior, ou de algum modo
diferente do que é comum

De acordo com esta definição, a maioria das pessoas não são especiais, ou então “especial” não significaria nada.

Mesmo depois disso, os GYPSYs lendo isto estão pensando, “bom argumento… mas eu realmente sou um desses poucos especiais” – e aí está o problema.

Uma outra ilusão é montada pelos GYPSYs quando eles adentram o mercado de trabalho. Enquanto os pais da Ana acreditavam que muitos anos de trabalho duro eventualmente os renderiam uma grande carreira, Ana acredita que uma grande carreira é um destino óbvio e natural para alguém tão excepcional como ela, e para ela é só questão de tempo e escolher qual caminho seguir. Suas expectativas pré-trabalho são mais ou menos assim:

Infelizmente, o mundo não é um lugar tão fácil assim, e curiosamente carreiras tendem a ser muito difíceis. Grandes carreiras consomem anos de sangue, suor e lágrimas para se construir – mesmo aquelas sem flores e unicórnios – e mesmo as pessoas mais bem sucedidas raramente vão estar fazendo algo grande e importante nos seus vinte e poucos anos.

Mas os GYPSYs não vão apenas aceitar isso tão facilmente.

Paul Harvey, um professor da Universidade de New Hampshire, nos Estados Unidos, e expert em GYPSYs, fez uma pesquisa onde conclui que a geração Y tem “expectativas fora da realidade e uma grande resistência em aceitar críticas negativas” e “uma visão inflada sobre si mesmo”. Ele diz que “uma grande fonte de frustrações de pessoas com forte senso de grandeza são as expectativas não alcançadas. Elas geralmente se sentem merecedoras de respeito e recompensa que não estão de acordo com seus níveis de habilidade e esforço, e talvez não obtenham o nível de respeito e recompensa que estão esperando”.

Para aqueles contratando membros da geração Y, Harvey sugere fazer a seguinte pergunta durante uma entrevista de emprego: “Você geralmente se sente superior aos seus colegas de trabalho/faculdade, e se sim, por quê?”. Ele diz que “se o candidato responde sim para a primeira parte mas se enrola com o porquê, talvez haja um senso inflado de grandeza. Isso é por que a percepção da grandeza é geralmente baseada num senso infundado de superioridade e merecimento. Eles são levados a acreditar, talvez por causa dos constantes e ávidos exercícios de construção de auto-estima durante a infância, que eles são de alguma maneira especiais, mas na maioria das vezes faltam justificativas reais para essa convicção”.

E como o mundo real considera o merecimento um fator importante, depois de alguns anos de formada, Ana se econtra aqui:

A extrema ambição de Ana, combinada com a arrogância, fruto da ilusão sobre quem ela realmente é, faz ela ter expectativas extremamente altas, mesmo sobre os primeiros anos após a saída da faculdade. Mas a realidade não condiz com suas expectativas, deixando o resultado da equação “realidade – expectativas = felicidade” no negativo.

E a coisa só piora. Além disso tudo, os GYPSYs tem um outro problema, que se aplica a toda sua geração:

GYPSYs estão sendo atormentados

Obviamente, alguns colegas de classe dos pais da Ana, da época do ensino médio ou da faculdade, acabaram sendo mais bem-sucedidos do que eles. E embora eles tenham ouvido falar algo sobre seus colegas de tempos em tempos, através de esporádicas conversas, na maior parte do tempo eles não sabiam realmente o que estava se passando na carreira das outras pessoas.

A Ana, por outro lado, se vê constantemente atormentada por um fenômeno moderno: Compartilhamento de Fotos no Facebook.

As redes sociais criam um mundo para a Ana onde: A) tudo o que as outras pessoas estão fazendo é público e visível à todos, B) a maioria das pessoas expõe uma versão maquiada e melhorada de si mesmos e de suas realidades, e C) as pessoas que expôe mais suas carreiras (ou relacionamentos) são as pessoas que estão indo melhor, enquanto as pessoas que estão tendo dificuldades tendem a não expor sua situação. Isso faz Ana achar, erroneamente, que todas as outras pessoas estão indo super bem em suas vidas, só piorando seu tormento.

Então é por isso que Ana está infeliz, ou pelo menos, se sentindo um pouco frustrada e insatisfeita. Na verdade, seu início de carreira provavelmente está indo muito bem, mas mesmo assim, ela se sente desapontada.

Aqui vão meus conselhos para Ana:

1) Continue ferozmente ambiciosa. O mundo atual está borbulhando de oportunidades para pessoas ambiciosas conseguirem sucesso e realização profissional. O caminho específico ainda pode estar incerto, mas ele vai se acertar com o tempo, apenas entre de cabeça em algo que você goste.

2) Pare de pensar que você é especial. O fato é que, neste momento, você não é especial. Você é outro jovem profissional inexperiente que não tem muito para oferecer ainda. Você pode se tornar especial trabalhando duro por bastante tempo.

3) Ignore todas as outras pessoas. Essa impressão de que o gramado do vizinho sempre é mais verde não é de hoje, mas no mundo da auto-afirmação via redes sociais em que vivemos, o gramado do vizinho parece um campo florido maravilhoso. A verdade é que todas as outras pessoas estão igualmente indecisas, duvidando de si mesmas, e frustradas, assim como você, e se você apenas se dedicar às suas coisas, você nunca terá razão pra invejar os outros.

Como falar sobre drogas com os filhos

20/03/2013

Muitos pais sentem dificuldade em falar com os filhos sobre drogas e a falta de diálogo pode ser prejudicial ao desenvolvimento ético e psicológica da criança. Crianças a partir de 7 anos normalmente já possuem amadurecimento intelectual suficiente para conversar sobre o assunto, mas é importante que os pais estejam bem informados sobre o assunto.

 

Dr. MarceloReibscheid, pediatra do Hospital São Luiz, explica que o exemplo é o primeiro passo para o sucesso na formação da criança. “A influência dos pais desde cedo pode poupar o filho de experiências negativas associadas ao uso de drogas e pode até mesmo salvar a sua vida. Fazer uso de drogas, mesmo que cigarro ou álcool pode despertar o interesse da criança, entre outros malefícios”.

 

Uma das principais dificuldades dos pais está no diálogo. Ainda de acordo com o pediatra, antes da conversa os pais precisam se educar, se inteirar sobre as drogas mais comuns, os efeitos no cérebro e no corpo, os sintomas que provocam, as gírias e como são utilizadas.

 

“É importante lembrar os filhos que o perigo não está somente no uso constante de álcool e drogas. O ocasional também pode trazer consequências, como perder uma prova ou trabalhos escolares. Os conceitos de responsabilidade e a orientação para lidar com situações complicadas também ajudam no desenvolvimento ético do adolescente ou da criança e os afasta das más companhias e escolhas”, alerta o especialista.

 

Para Reibscheid, quando os pais agem pautados por essas instruções, aprendem a usar melhor sua força, seu amor e sua preocupação para ajudar o filho a se situar bem no mundo, promovendo seu bem-estar e o mantendo distante das drogas.

 

Fonte: Abead

O Farol (de Po Chou Chi)

25/02/2013

Belíssima animação que trata da relação pai / filho cheia de simbolismos …

Recebi de uma querida amiga e vale muito a pena conferir !

 

Noam Chonsky – Manipulação Midiática

02/02/2013

Sou … sempre fui … e (se deus quiser!), sempre serei APAIXONADO pela conscientização e adoção de atitudes contra-ideológicas (Veja no BLOG Uma questão de escolha : LEVANTAR ou AJOELHAR... e Ideologia? Não… eu NÃO quero uma pra viver !), o que está em alinho com o trabalho terapêutico de construção de autonomia em detrimento à heteronomia.

Recebi de um amigo uma apresentação em .pps que julgo riquíssima contribuição nesse sentido, sendo assim decidi disponibilizar o arquivo para download apara quem possa interessar.

Boas reflexões !

Estudo revela influência dos amigos para adolescente começar a beber

31/01/2013
Um estudo conduzido pela Universidade de Iowa, nos Estados Unidos, mediu a influência dos “melhores amigos” na iniciação de adolescentes à bebida alcoólica.
A pesquisa, publicada na revista científica “Pediatrics”, revela que os jovens cujo melhor amigo consome álcool apresentam o dobro do risco de provar o primeiro gole e podem ser até três vezes mais propensos a começar a beber regularmente.
“Mesmo as crianças que vêm de famílias que apresentam problemas com álcool não recebem a primeira bebida de seus familiares. Eles recebem os primeiros goles de seus amigos”, diz Samuel Kuperman, um dos autores do estudo e psiquiatra de crianças e adolescentes na Universidade de Iowa.
O estudo tomou como base dados extraídos de um grupo de 820 adolescentes de seis locais dos Estados Unidos. Os participantes tinham entre 14 e 17 anos – média de 15,5 anos, quase idêntica à idade típica em que ocorre o primeiro contato com a bebida alcoólica, segundo levantamentos anteriores.
Indicadores
Kuperman e sua equipe estabeleceram cinco indicadores principais que levam os adolescentes a beber, com base em pesquisas prévias e relatórios de institutos americanos dedicados ao assunto. São eles: comportamento perturbador, histórico familiar de dependência de álcool, baixa sociabilidade, e companhia de amigos que bebem.
Os cientistas analisaram, então, como essas cinco variáveis trabalharam em conjunto e descobriram que “ter um melhor amigo que bebe ou tem acesso a bebidas alcoólicas” foi o fator que mais influenciou na iniciação dos jovens.
“O histórico familiar não necessariamente determina a idade do primeiro consumo”, observa Kuperman, que estuda a iniciação dos adolescentes no álcool há mais de uma década.
“O que determina é o acesso. Nessa idade (14 ou 15 anos), esse fator supera todos os demais. À medida que envelhecemos, a história familiar desempenha um papel maior”, avalia Kuperman.
De acordo com os cientistas, o estudo reforça a constatação de que os jovens que começam a beber antes de completar 15 anos são mais susceptíveis a abusar do álcool ou a tornar-se dependentes depois.
Mais de oito em cada dez entrevistados vieram do que os pesquisadores consideram “famílias de alto risco”, embora mais de metade deles não tivesse pais dependentes. Entre os adolescentes que relataram ter consumido bebidas, quase quatro em dez disseram que seus melhores amigos também bebiam.
A pesquisa foi financiada pelo Instituto Nacional de Saúde (NIH) dos EUA, pelo Instituto Nacional de Abuso de Álcool e Alcoolismo e pelo Instituto Nacional sobre Abuso de Drogas do país.
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Fonte : G1

Alzheimer acima de tudo é uma moléstia que reflete o isolamento.

29/01/2013
Recebemos esse texto (que infelizmente parece estar incompleto, mas mesmo assim vale muito a pena a leitura) de um colega e grande amigo … Tomamos a liberdade de reproduzir, devido a relevância do assunto, ao mesmo tempo em que procuraremos a parte restante a ser disponibilizada assim que possível.
Américo Marques Canhoto, médico especialista, casado, pai de quatro filhos, nasceu em Castelo de Mação, Santarém, Portugal. Médico de família desde 1978. Atualmente, atende em São Bernardo do Campo e São José do Rio Preto – Estado de São Paulo – Brasil. Recebia pacientes que se diziam indicados por um médico: Dr. Eduardo Monteiro.
Procurando por este colega de profissão,  que lhe informou: “Alzheimer acima de tudo é uma moléstia que reflete o isolamento.”
Queremos dividir com os leitores um pouco de algumas das observações pessoais a respeito dessa moléstia, fundamentadas em casos de consultório e na vida familiar – dois casos na família. Além de trazer à discussão o problema da precocidade com que as coisas acontecem no momento atual. Será que as projeções estatísticas de alguns anos atrás valem para hoje? Serão confiáveis como sempre foram?
Se tudo está mais precoce, o que impede de doenças com possibilidade de surgirem lá pelos 65 anos de idade apareçam lá pela casa dos 50 ou até menos? 
Alerta

É incalculável o número de pessoas de todas as idades (até crianças) que já apresentam alterações de memória recente e de déficit de atenção ( primeira fase da doença de Alzheimer ). Lógico que os motivos são o estilo de vida atual, estresse crônico, distúrbios do sono, medicamentos, estimulantes como a cafeína e outros etc.
Mas, quem garante que nosso estilo de vida vai mudar?
Então, quanto tempo o organismo suportará antes de começar a degenerar? É possível que em breve tenhamos jovens com Alzheimer? 
Alguns traços de personalidade das pessoas portadoras
 de Alzheimer, que  em nossa experiência temos observado, algumas características se repetem:
* Costumam ser muito focadas em si mesmas;
* Vivem em função das suas necessidades e das pessoas com as quais criam um processo de co-dependência e até de simbiose. A partir do momento que a outra pessoa passa a não querer mais essa dependência ou simbiose, o portador da doença (que ainda pode não ter se manifestado), passa a não ter mais em quem se apoiar e, ao longo do tempo, desenvolve processos de dificuldade com orientação espacial e temporal;
* Seus objetivos de vida são limitados (em se tratando de evolução);
* São de poucos amigos; gostam de viver isoladas;
* Não ousam mudar; conservadoras até o limite;
* Sua dieta é sempre a mesma. (Os alimentos que fogem às suas preferências, fazem-lhes mal; portanto, os alimentos são muito restritos); * Criam para si uma rotina de “ratinho de laboratório”;
* São muito metódicas.  (Sempre os mesmos horários e sempre as mesmas coisas, mesmos alimentos, mesmas roupas);
* Costumam apresentar pensamentos circulares e idéias repetitivas bem antes da doença se caracterizar;
* Cultivam manias e desenvolvem TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo);
* Teimosas, desconfiadas, não gostam de pensar;
* Leitura os enfastia;
* Não são chegadas em ajudar o próximo;
* Avessas á prática de atividades físicas;
* Facilmente entram em depressão;
* Agressividade contida;
* Lidam mal com as frustrações que sempre tentam camuflar;
* Não  se  engajam  em  nada,  sempre dando desculpas para não participar; * Apresentam distúrbios da sexualidade como impotência precoce e frigidez;
* Bloqueadas na afetividade e na sexualidade, algumas têm dificuldades em manifestar carinho. Para elas um abraço, um beijo, um afago requer um esforço sobre-humano. 
Gatilhos que costumam desencadear o processo

Na atualidade, a parcela da população que corre mais risco, são os que se aposentam – especialmente os que se aposentam cedo e não criam objetivos de vida de troca interativa em seqüência. Isolam-se.
Adoram TV porque não os obriga a raciocinar, pois não gostam de pensar   para não precisar fazer escolhas ou mudanças.
Avarentos de afeto e carentes de trocas afetivas, quando não podem vampirizar os familiares ou parentes, deprimem-se escancarando as portas para a degeneração fisiológica e principalmente para os processos obsessivos. Nessa situação degeneram com incrível rapidez, de uma hora para outra.
O que é possível aprender como cuidador?
Paciência, tolerância, aceitação, dedicação incondicional ao próximo, desprendimento, humildade, inteligência, capacidade de decidir por si e pelo outro. 
A dieta influencia

Os portadores da doença costumam ter hábitos de alimentação sem muita variação, centrada em carboidratos e alimentos industrializados.
Descuidam-se no uso de frutas, verduras e legumes frescos, além de alimentos ricos em ômega 3 e ômega 6;
Devem consumir mais peixe e gorduras de origem vegetal (castanha do Pará, nozes, coco, azeite de oliva extra virgem, óleo de semente de gergelim). Estudos recentes mostram que até os processos depressivos podem ser atenuados ou evitados pela mudança de dieta. 
Doença silenciosa?

Nem tanto, pois avisos é que não faltam, desde a infância.
Analisando e estudando as características da criança, é possível diagnosticar boa parte dos problemas que se apresentarão para serem resolvidos durante a atual existência, até o problema da doença de Alzheimer. Dia após dia, fase após fase o quadro do que nos espera no futuro vai ficando claro.
O mal de Alzheimer é hereditário?  Pode ser transmitido? Sim pode, mas não de forma passiva, inscrito no DNA, e sim, pelo aprendizado e pela cópia de modelos de comportamento.
Remédios resolvem?
Ajudar até que ajudam, mas resolver é impossível, ilógico e cruel, se possível fosse; pois, nem todos têm acesso a todos os recursos ao mesmo tempo.
Remédios usados sem a contrapartida da reforma no pensar, sentir e agir podem causar terríveis problemas de atraso evolutivo individual e coletivo, pois apenas abrandam os efeitos sem mexer nas causas.
Remédios previnem?
Claro que não; apenas adiam o inexorável.
Quanto a isso, até os cientistas mais agnósticos concordam.
Um dos mais eficazes remédios já inventados foram os grupos de apoio à terceira idade.
A convivência saudável e as atividades que possam ser feitas em grupo geram um fluxo de energia curativa.
A doença de Alzheimer, acima de tudo, é uma moléstia que reflete o isolamento do espírito que se torna solitário por opção. O interesse pelos amigos é um bom remédio.
O ato de nos vacinarmos contra a doença de Alzheimer é o de estudar as características de personalidade, caráter e comportamento dos que a vivenciam, para que não as repitamos. A melhor e mais eficiente delas é o estudo, o desenvolvimento da inteligência, da criatividade e a prática da caridade. 
Quer evitar tornar-se um Alzheimer?

Torne sua vida produtiva, pratique sem cessar o perdão e a caridade com muito esforço e inteligência.
Muito mais há para ser analisado e discutido sobre este problema evolutivo que promete nos visitar cada dia mais precocemente.
Além das dúvidas que levantamos, esperamos que os interessados não se
furtem ao saudável debate.
“O desapego é necessário para o crescimento espiritual.”
E aqui fica a célebre frase de todo doente de Alzheimer: “Quero voltar para minha casa”   Que casa seria esta?

A ansiedade em um mundo de perigos reais

24/01/2013

O jovem golfista profissional Charlie Beljan deveria estar se divertindo no campo na Flórida, em novembro passado, quando se encaminhava para a sua primeira vitória no torneio PGA. Em vez disso, porém, passou o tempo todo pensando que ia morrer.

O medo tomou conta dele entre um buraco e o seguinte: Beljan, 28, tinha a certeza de que estava tendo um ataque cardíaco. Seu pulso ficou acelerado, e seu coração batia descompassadamente. Depois da primeira rodada, ele saiu do campo de golfe numa ambulância. Examinado no hospital, estava ótimo. Ele tinha sofrido um ataque de pânico.

Beljan retornou ao campo e venceu o torneio, mas passou o tempo inteiro fazendo grande esforço para permanecer em pé. “Lá fora, no campo, eu estava chorando de medo de que aquela sensação voltasse”, contou ao “New York Times”.

Sua reação é compreensível: num mundo onde o perigo realmente nos espreita (como mudanças climáticas e epidemias de gripe) e a tragédia pode de fato nos atingir (acidentes, guerras e massacres), o medo descontrolado de um ataque de pânico -um episódio neuroquímico que provoca uma reação de fuga, sem motivo evidente- é especialmente desorientador. Mas não é incomum. Cerca de 40 milhões de adultos americanos vivem alguma forma de ansiedade, fazendo desta a condição de saúde mental mais comum nos Estados Unidos.

O medo de situações de perigo (um terremoto ou uma cobra venenosa diante de nós) é normal e é visto como uma característica evolutiva que faz parte da capacidade de sobrevivência. A ansiedade ocorre quando qualquer medo, seja ele racional ou não, interfere na vida cotidiana.

Mas Beljan poderia ser visto como novato. Um mestre real da preocupação, como o cineasta e roteirista Woody Allen, abraça seu medo -em seu caso, a hipocondria- e o utiliza para arrancar gargalhadas.

“Quando entro em pânico por sintomas que não exigem mais que uma aspirina ou uma pomada de calamina, do que é que tenho medo realmente? Acho que da morte”, escreveu Allen no “NYT”.

“Sempre senti um medo animal da morte. A única coisa que considero pior do que ela é ser obrigado a assistir sentado a um concerto de rock, do começo ao fim.”

A ansiedade lidera a lista de transtornos mentais em quase todos os países desenvolvidos. Mas algumas pessoas acham que o modo de vida americano, com sua adoração da “busca da felicidade”, representa uma prescrição nacional de preocupação.

A britânica Ruth Whippman escreveu no “New York Times”: “Na América, a felicidade dá trabalho. Trabalho intensivo, de roer os dentes, feito em seminários motivacionais e sessões de terapia, em retiros de meditação e livrarias de aeroporto. Para a esquerda, há a ioga, para a direita, Jesus. Ninguém escapa desse trabalho”.

A ansiedade pode ter um caráter nacional, não desvinculado de fatos e histórico. Acontecimentos traumáticos, como guerras, desastres naturais e colapsos econômicos -como os da Grécia e da Espanha, que agora ameaçam a estabilidade da Europa- podem contaminar uma psique nacional.

Em lugares onde a longa sombra do Holocausto ainda não se dissipou e onde a violência imprevisível de facções da extrema direita ainda ameaça muitos grupos étnicos, a ansiedade pode ser fantasmática ou muito real.

Quanto a Charlie Beljan, o fato de seu ataque de pânico ter ido a público o levou a ser conhecido como representante talentoso e simpático das pessoas com transtornos de ansiedade, que, com frequência, sentem-se intensamente isoladas.

A vitória no torneio de golfe lhe valeu um cheque de US$ 846 mil e, talvez por apenas algum tempo, um pouco de paz de espírito.

 

 

Fonte: Folha de São Paulo

Viciados em internet têm mais risco de depressão.

16/12/2012
Reportagem: O Globo

Adolescentes que passam tempo demais na Internet têm quase 50% mais chances de desenvolver depressão do que usuários moderados, segundo um estudo chinês. O pesquisador Lawrence Lam disse que adolescentes que passam de 5 a 10 horas por dia conectados apresentam agitação quando não estão na frente do computador e perdem o interesse pelas interações sociais. “Alguns passam mais de dez horas por dia, eles são usuários realmente problemáticos e demonstram sinais e sintomas de comportamento aditivo ao navegar na Internet e jogar games”, disse Lam, coautor do estudo publicado na terça-feira pela revista Archives of Pediatrics & Adolescent Medicine.

“Eles não conseguem tirar a cabeça da Internet, sentem-se agitados se não voltam após um curto período distantes”, disse por telefone o psicólogo da Escola de Medicina da Universidade Notre Dame, de Sydney. “Eles não querem ver amigos, não querem participar de reuniões familiares, não querem passar tempo com pais e irmãos”, acrescentou.

O estudo envolveu 1.041 adolescentes de 13 a 18 anos em Guangzhou, no sul da China. Nenhum deles tinha depressão no começo do estudo. Nove meses depois, 84 apresentavam a doença, e os que passavam tempo demais na Internet eram 50% mais vulneráveis que os usuários moderados.

Lam, que trabalhou em parceria com Zi-wen Peng, da Universidade Sun Yat-sem, de Guangzhou, disse que a falta de sono e o estresse causado pelos jogos online podem explicar a tendência depressiva. “Quem passa tempo demais na Internet perde o sono, e é um fato muito bem estabelecido que quanto menos se dorme, maiores as chances de depressão”, disse Lam.

Segundo ele, foi a primeira vez que um estudo examinou aspectos patológicos do uso da Internet como possível causa da depressão. Um estudo anterior havia apontado a depressão como possível fator causal para o vício em Internet, e outros estudos haviam demonstrado uma correlação entre ambas as coisas, mas sem definir claramente o que era causa e o que era consequência.

Lam disse que as escolas deveriam ficar atentas aos alunos que estejam viciados em Internet para lhes oferecer tratamento e orientação.

(O Globo)

Nota: Portanto, termine de ler as postagens deste blog, desligue o computador e vá conversar com alguém ou ler um bom livro .

Gentileza gerando gentileza …

08/12/2012

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Clique no link e deixe-se contagiar por essa onda do bem :

Gentileza gera gentileza

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Só um lembrete do Mário Quintana …

27/11/2012
 

Quando se vê, já são seis horas!

Quando se vê, já é sexta-feira…

Quando se vê, já terminou o ano…

Quando se vê, perdemos o amor da nossa vida.

Quando se vê, já passaram-se 50 anos!

Agora é tarde demais para ser reprovado.

Se me fosse dado, um dia, outra oportunidade, eu nem olhava o relógio.

Seguiria sempre em frente e iria jogando, pelo caminho, a casca dourada e inútil das horas.

Desta forma, eu digo:

Não deixe de fazer algo que gosta, devido à falta de tempo,

pois a única falta que terá,

será desse tempo que infelizmente não voltará mais.’

 

Mário Quintana

Cai o último argumento dos maconheiros: droga é mais prejudicial do que álcool e tabaco, sim!

01/11/2012

Revista Veja – Blog Reinaldo Azevedo

 

Um dos lobbies mais organizados, mais influentes e mais aguerridos do Brasil é o dos maconheiros. Não há, já demonstrei aqui, acho que em centenas de textos, uma só centelha lógica em seus argumentos. Ao contrário: no fim, tudo termina na mais pura irracionalidade. Não repisarei argumentos. O capítulo 3 de “O País dos Petralhas II” chama-se “Das milícias do pensamento” — um dos subcapítulos tem este título “Da milícia da descriminação das drogas”. Como, em certas franjas, o consumo da maconha e de algumas outras substâncias se mistura com hábitos próprios dos endinheirados, a descriminação ganhou porta-vozes influentes. Por incrível que pareça, está presente até na eleição do comando da OAB…

 

Leiam reportagem de Adriana Dias Lopes, que é capa da VEJA desta semana. Cai por terra a mais renitente — embora, em si, seja estúpida, já demonstrei tantas vezes, tese dos defensores da descriminação da maconha: a de que a droga ou é inofensiva ou é menos danosa à saúde do que o tabaco e o álcool, que são drogas legais. Errado! Leiam trecho da reportagem:

 

(…)

A razão básica pela qual a maconha agride com agudeza o cérebro tem raízes na evolução da espécie humana. Nem o álcool, nem a nicotina do tabaco; nem a cocaína, a heroína ou o crack; nenhuma outra droga encontra tantos receptores prontos para interagir com ela no cérebro como a cannabix. Ela imita a ação de compostos naturalmente fabricados pelo organismo, os endocanabinoides. Essas substâncias são imprescindíveis na comunicação entre os neurônios, as sinapses. A maconha interfere caoticamente nas sinapses, levando ao comprometimento das funções cerebrais. O mais assustador, dada a fama de inofensiva da maconha, é o fato de que, interrompido seu uso, o dano às sinapses permanece muito mais tempo — em muitos casos, para sempre, sobretudo quando o consumo crônico começa na adolescência. Em contraste, os efeitos diretos do álcool e da cocaína sobre o cérebro se dissipam poucos dias depois de interrompido o consumo.

 

Com 224 milhões de usuários em todo o mundo, a maconha é a droga ilícita universalmente mais popular. E seu uso vem crescendo — em 2007, a turma do cigarro de seda tinha metade desse tamanho. Cerca de 60% são adolescentes. Quanto mais precoce for o consumo, maior é o risco de comprometimento cerebral. Dos 12 aos 23 anos, o cérebro está em pleno desenvolvimento. Em um processo conhecido como poda neural, o organismo faz uma triagem das conexões que devem ser eliminadas e das que devem ser mantidas para o resto da vida. A ação da maconha nessa fase de reformulação cerebral é caótica. Sinapses que deveriam se fortalecer tornam-se débeis. As que deveriam desaparecer ganham força”.

(…)

 

Leiam a íntegra da reportagem especial na edição impressa da revista e depois cotejem com tudo o que anda dizendo a turma da descriminação, cujo lobby é tão forte que ganhou até propaganda gratuita na TV aberta, o que é um despropósito.

 

Para encerrar este post, vejam alguns dados cientificamente colhidos sobre os consumidores regulares de maconha:

 

– têm duas vezes mais risco de sofrer de depressão;

– têm duas vezes mais risco de desenvolver distúrbio bipolar;

– é 3,5 vezes maior a incidência de esquizofrenia;

– o risco de transtornos de ansiedade é cinco vezes maior;

– 60% dos usuários têm dificuldades com a memória recente;

– 40% têm dificuldades de ler um texto longo;

– 40% não conseguem planejar atividades de maneira eficiente e rápida;

– têm oito pontos a menos nos testes de QI;

– 35% ocupam cargos abaixo de sua capacidade.

E, digo eu, por tudo isso, 100% deles defendem a descriminação

 

 

Fonte: uniad.org.br