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Auto-sabotagem : existe isso ?

10/05/2012

Comecemos pelo fim … e, para tanto, peço ajuda de Einstein que em uma das suas mais brilhantes citações filosóficas, nos alerta que :

“Uma mente que se apropria de uma ideia nunca mais volta a seu tamanho original.” 

Isso não é fantástico ? Pense bem, quando nós nos apropriamos de um saber, este passa a ser integrante de nosso repertório de conhecimento, nós nos ampliamos na capacidade de compreender aquilo que estava sob investigação … é nosso, ninguém mais tem como tirar.

Com excessão de talvez de uma pessoa apenas : nós mesmos.

E é justamente aí que entra a auto-sabotagem. É muito mais comum do que se imagina se deparar em terapia com pessoas que parecem atreladas a um padrão de negativismo.

Este se apresenta de várias formas em um gradiente ilimitado de gravidade, pode ir desde uma mera tendência ao sedentarísmo (onde se boicotam o cuidado com o corpo, estudo, trabalho, planos pessoais, responsabilidade nas inter-relações, etc), passando pela auto-estima degradada, vulnerabilidades aos vícios (tabagismo, comer compulsivo, álcool, drogas lícitas ou ilícitas), depressão (em menor ou maior grau) e chegando mesmo a auto-mutilação (quando a pessoas recorre ao extremo de impingir-se a dor, física ou psicológica, como forma pervertida de prazer ou de “sentir-se viva”).

A origem dessa condição é, como em tudo na psicologia, multi-determinada e seria leviandade apontar uma ou outra causa como determinante, mas a investigação de como essa pessoa foi estruturada em seus recursos de enfrentamento desde a primeira infância é uma necessidade terapêutica e campo promissor na perspectiva de mudança.

Crianças que cresceram em lares onde elas foram alvos recorrentes de crítica, ou usadas como válvula de escape da violência doméstica subjacente, tendem a introjetar uma tendência a sempre verem-se enredadas no negativo e acabam investindo ao longo da sua vida em uma série de situações que lhe são reconhecidas como familiares : chamam a atenção para si através de padrões de vitimização, masoquismo, hipocondria, dependências, fragilidade, etc.

Ou tornam-se eles próprios críticos contumazes, sempre projetando no outro os defeitos que sua baixa auto-estima não permite que ele enxergue de frente na sua própria sombra.

Em eventos de maior clareza e enlevados pela inquietação (que pode eventualmente se transformar no combustível necessário para a mudança), questionam razões pelas quais parecem sempre estar tropeçando nas coisas da vida: parceiros errados, trabalhos insatisfatórios, performances as mais variadas aquém do desejado, ou seja, parece que sempre existe um “freio de mão puxado” ou uma “nuvem cinza” que paira sobre suas cabeças.

Parece até que sabem o que precisa ser feito para mudar e chegam mesmo a planejar as ações necessárias, mas na hora “h” falta-lhes recursos e acabam reincorrendo nos mesmos padrões … afinal de contas “nem vale a pena tentar, pois como não vou conseguir mesmo, assim pelo menos a frustração é menor.”  Protegem-se do fracasso garantindo que não terão a vitória.

Para romper com esse ciclo vicioso, precisamos lembrar do nosso amigo Einstein lá do início do texto e nos rendermos a ideia de que apenas nós mesmos podemos nos dar conta de que se existe uma tendência, um viés que me faz paralisar frente ao novo, me aterroriza diante do desafio, ou me faz “roer a corda” frente aos compromissos estabelecidos comigo mesmo das ações reconhecidas como necessárias … muito provavelmente eu esteja me auto-sabotando.

A terapia é o campo adequado para se aperceber desta condição e também um aliado poderoso no sentido de aparelhar-se adequadamente para empreender no movimento correto para sua superação.

Mas essa oportunidade só pode ser oferecida a si próprio quando a pessoa se dá conta e busca o amparo psicológico. Compete a cada um investigar o quanto já “patinou no mesmo lugar” e o quanto ainda está disposto a sofrer, ou se chegou a hora de virar o jogo em seu próprio favor.

Terapia é um ato de escolha deliberado, exige engajamento e disponibilização de recursos não podendo, desta forma, ser considerado algo para “fracos”, ao contrário, é para aquelas que já tem a determinação necessária de enfrentar o que precisa ser enfrentado em busca de uma vida mais plena.

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4 Comentários leave one →
  1. Jung Mo Ahn permalink
    10/07/2013 18:09

    Gostei, por acaso tem algum colega em São Paulo?
    abç.

    • Patrícia Mantovani permalink*
      09/08/2013 11:15

      Em São Paulo vc pode procurar o Psicologo Marcelo da Rocha ou o Instituto do stress de Marilda Lipp.
      Abço

  2. 02/03/2013 09:51

    Muito bom o texto….faz nos levar a uma introspecção de qtas vezes sabotamos nossos sonhos por medo de “nao conseguir”….sigo vcs agora !!! abçs

    • Flávio Mesquita permalink*
      02/03/2013 13:49

      Obrigado Gislene, continue com a gente, sempre que possível, postaremos textos bacanas !

      Abç

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