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Entrevista concedida ao site Baboo

18/06/2011

Você precisa de tanta tecnologia ?

Todos nós estamos dependentes dela ?

Nos tempos dos nossos pais não existiam gadgets, MSN, Orkut, Facebook, vlogs, GPS, entre outros. E todos viviam bem, correto? Mas o que será que fez com que em tão pouco tempo tudo mudasse e os produtos tecnológicos virassem mais do que necessidades em nossas vidas?

De acordo com o psicólogo especialista em comportamento, Flávio Mesquita, hoje em dia existe uma demanda muito grande do contexto social para que o indivíduo esteja alerta e sabedor de tudo que acontece a sua volta. “Veja a rapidez, por exemplo, que existe na divulgação de notícias do mundo inteiro. Acontece um Tsunami no Japão e em questão de minutos temos uma profusão gigantesca de informações, fotos e vídeos mostrando o que aconteceu. Essa possibilidade de ter acesso a tudo é muito sedutora e daí o indivíduo desenvolve um padrão de comportamento que o cerca de vários gadgets que deem conta de dar a ele as informações disponíveis, onde ele estiver. Acredito que esse poder de sedução está ligado a uma sensação de potência, de uma quase ‘onisciência’. Esse mesmo processo parece subjazer a questão ligada aos vínculos virtuais promovidos pelas redes sociais”.

A psicóloga clínica Maria de Lourdes Sola acredita que ser “fissurado” pelas redes sociais pode atrapalhar, e muito, a vida de algumas pessoas. “Alguns limitam as suas vidas com relações e serviços virtuais, se privando de eventos que fortaleçam o desempenho. Uma boa orientação no sentido de buscar reforçadores no ambiente são participar de grupos e eventos reais. Uma pessoa bem orientada, vinda de uma família saudável, não terá este problema, pois desde cedo vai aprendendo a se relacionar adequadamente e aí faz uso das redes de forma produtiva”.

Segundo Mesquita, os telefones celulares, que estão rapidamente sendo substituídos pelos smartphones, parecem estar no topo da lista dos gadgets dos quais parece ser quase impossível viver sem. “Ainda outro dia mesmo eu achei muita graça quando testemunhei meu próprio filho de 13 anos dizer após um longo suspiro: ‘acho que eu não seria mais capaz de viver sem meu iPhone’. O fato interessante é que parece haver uma inversão do paradigma de marketing que fala sobre o potencial sucesso de um produto estar ligado à sua capacidade de satisfação de uma necessidade previamente existente. Um exemplo é o tablet,  que só se sabe o quanto ele é ‘necessário’ após se ter a oportunidade de tê-lo em mãos”.

Quando a pessoa fica dependente da tecnologia

“Qualquer comportamento pode dar início a um problema quando se tornar demasiado. Indícios de stress, inquietação, ansiedade ou hábitos de frequência que se destaquem daquilo que pode ser entendido como ‘normal’ devem ser encarados com responsabilidade, para que não haja um agravamento do quadro. A conversa franca e a conscientização responsável são importantes ferramentas que devem ser usadas sempre por pais, amigos, companheiros, professores, terapeutas, entre outros”, explica o psicólogo Flávio.

Maria de Lourdes complementa que a partir do momento em que os produtos tecnológicos passam a interferir na vida produtiva da pessoa, é a hora de ficar em alerta. “Esta necessidade não é regra! Da mesma forma em que a dependência química também não. Quero dizer que não é qualquer pessoa que se torna dependente de qualquer evento, mas ela se tornar viciada nisso vai depender de uma série de fatores, entre eles a base biológica e a estrutura familiar”.

Ela ressalta que para não ficar tão dependente da tecnologia, as pessoas devem fazer investimentos pessoais.“Estudando, trabalhando, juntando grupos de amigos e fazendo coisas que as façam feliz (os reforçadores positivos). Isto significa fazer uso adequado das relações e, assim, estar distante de qualquer dependência. Vamos pegar um exemplo prático: a possibilidade de alguém que não tenha um projeto próprio, não tenha boas relações familiares e por aí vai. A tendência é que quando ela começar a se relacionar com alguém, o faça de forma patológica. Então é do perfil da pessoa, potencializado pelos estímulos do ambiente”.

Flávio finaliza dizendo que as pessoas devem valorizar situações que, infelizmente, estão cada vez mais perdendo espaço em nossas vidas, as chamadas situações ligadas à valorização do simples, do singelo.“As pessoas podem criar hábitos de se resguardar do excesso de uso desses aparelhos em momentos inapropriados, que é algo que está ficando cada vez mais difícil fazer. Quer um exemplo? Sabemos da irrefutabilidade da importância de se ter bons hábitos alimentares. Mas não é suficiente ‘comer’ bem no que diz respeito ao alimento em si, enquanto se fica pendurado ao telefone celular falando sobre assuntos ‘que não podem esperar uma hora para serem tratados’ ou, o que é ainda pior, atrapalhando as pessoas ao seu redor usando o rádio em viva-voz com aquele ‘beep beep’ irritante!”.

Ou seja, saiba utilizar a sua vida real junto à virtual de maneira saudável, pois esta é a chave-mestra para se ter qualidade de vida aliada a um estilo moderno em seu cotidiano mais harmônico.

Por Priscilla Silvestre

Conteúdo original acessível em : http://www.baboo.com.br/conteudo/modelos/Voce-precisa-de-tanta-tecnologia_a42070_z397.aspx

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