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A escolha do psicólogo

27/04/2011

Tomo a liberdade de reproduzir este texto, uma vez que trata de forma objetiva importante tema ligado à nossa profissão. Crédito e link para a fonte original estão no fim do texto.

Por Paulo Issa

Se você procura um dentista e não gosta do atendimento, o que você faz? Vai procurar um outro dentista ou continuar com dor de dente para o resto da vida? Provavelmente, vai procurar até encontrar um bom profissional.

Se você precisa de um cardiologista e ao ser atendido você não gostou da consulta ou não sentiu confiança no profissional, o que você faz? Provavelmente vai procurar um outro cardiologista.

Entretanto, muitas pessoas quando precisam de um psicólogo e ao buscarem ajuda não gostam do tratamento ou do profissional, acabam não querendo mais fazer o tratamento. Por que não procurar um outro psicológo para se tratar, se você continua precisando?

A escolha do psicólogo é uma tarefa ainda mais difícil que a busca por outros profissionais de saúde. Primeiramente, como as consultas são no mínimo uma vez por semana, você precisa se sentir bem de estar com aquela pessoa, ou seja, precisa ter empatia com o profissional. Mas como toda relação, nem sempre essa afinidade vai acontecer na primeira consulta. Então é necessário insistir, persistir para que aos poucos você conheça melhor aquela pessoa, seu jeito de trabalhar, seu profissionalismo e adquira confiança, respeito e até descobrir uma afinidade que nem sempre vai ficar tão clara nas primeiras consultas.

E se depois de muitas consultas, mesmo assim você não gostar do seu tratamento ou do profissional? Primeiro: Converse com ele sobre o que você não está gostando, isso vai ser bom para você e para ele também. Se após esta conversa as coisas não melhorarem, não desanime, não sinta-se culpado, você tem o direito de procurar outro profissional. Não fique com preguiça ou sem paciência de começar a contar sua história toda de novo desde o início. Cada vez  que se conta uma história contamos de forma diferente e assim você pode lembrar de outros detalhes que você não havia comentado com o outro profissional.

Além disso, muita gente não sabe, mas existem várias técnicas diferentes de terapia, algumas delas são: cognitivo comportamental, psicanálise, gestalt, lacaniana, corporal, ludoterapia e outras. Você precisa pesquisar antes para saber qual o tipo é mais conveniente para o seu caso, converse com o próprio psicólogo sobre isso na primeira consulta, deixe bem claro o tipo de técnica que você procura e principalmente se informe a respeito da formação, especialização e experiência do profissional naquela técnica. Ou ainda se foi recomendado por um médico psiquiatra, peça a opinião dele sobre qual a técnica mais indicada para você.

Nos dias atuais a tendência é o psicólogo utilizar um pouco de cada técnica de acordo com a necessidade daquele momento do paciente. Porém em alguns casos é fundamental uma técnica específica. Vale lembrar que ter especialização, pós-graduação ou extensão em um determinado tipo de psicoterapia, não significa propriamente que a técnica está sendo bem utilizada e aplicada nas sessões, por isso a importância de se entender como funciona, para poder certificar se está sendo bem executada.

Fazer psicoterapia pode ser trabalhoso, ter que ir toda semana, encontrar o profissional certo, as vezes até mesmo pagar o tratamento e mais ainda, tocar em assuntos que nem sempre você gostaria de mexer naquela hora, mas que pode ser fundamental para o fim de seu sofrimento.

É  importante ressaltar que na escolha de um profissional competente, você saiba que um bom psiquiatra não fala mal dos psicólogos e da terapia e ao mesmo tempo um bom psicólogo não fala mal dos médicos psiquiatras e dos remédios. Se o seu médico diz que psicoterapia não adianta nada, que é conversinha ou enrolação, mude imediatamente de psiquiatra. Se o seu psicólogo diz que os médicos só querem dopar você, te encher de remédio controlado ou te deixar dependente, troque imediatamente de psicólogo.

A saúde mental já luta para mostrar sua importância e salvar a vida das pessoas e não pode ser levada como um fanatismo religioso, charlatanismo, terrorismo, extremismo radical, como fazem alguns profissionais, na tentativa de se promover, polemizando com posições ideológicas e filosóficas, para conquistar notoriedade. Estes deveriam ser banidos por seus Conselhos e Òrgãos de Classe, por denegrirem a imagem da profissão e dificultarem que os psicólogos sejam valorizados, encarados com seriedade e alçados a uma das principais e mais importantes profissões que existem para o bem da humanidade.

As pesquisas científicas de credibilidade internacional apontam que os dois tipos de tratamento, conjuntamente, são fundamentais na maioria dos casos de doença, portanto estes profissionais que alimentam ¨rixas¨ entre classes, e emitem suas opiniões pessoais como verdades científicas, são antiéticos e mal preparados tecnicamente, não valorizando a ciência e as premissas mundialmente protocoladas para a saúde mental segundo a Organização Mundial de Saúde, maior autoridade em saúde no mundo.

A psicologia é uma das profissões mais difíceis do mundo, pois é preciso muita técnica e perícia para mexer delicadamente, com o infinito de propriedades do órgão mais complexo do corpo humano: O cérebro e a estrutura da mente humana.

O cérebro é o único órgão com uma terceira propriedade além da física e da química: O psicológico. E nesta coexistência, mexer com o psicológico é mexer com todo o corpo.

O cérebro é o regulador, o verdadeiro ¨centro de comando¨ de todos os sistemas e aparelhos do corpo, por esta razão é chamado de Sistema Nervoso ¨Central¨, suas inervações enviam comandos a todos os orgãos.

Portanto, este altíssimo grau de complexidade, faz com que não seja tarefa simples, achar um bom profissional.

Concluindo, a psicoterapia é um dos melhores, mais eficazes, sérios e importantes tratamentos em saúde de uma forma geral. Cuidar do corpo e dos orgãos sem cuidar da mente é perda de tempo. Grande parte das doenças que as pessoas vivem se tratando nos médicos, tem forte ligação com estresse emocional e quando ignora-se esta íntima relação do psicológico com o físico, o resultado é uma busca incessante pelos médicos e por uma cura que pode estar dentro de você mesmo, aparentemente invisível, escondido no infinito do seu cérebro.

FONTE -> http://pauloandreissa.com/blog/2010/02/a-escolha-do-psicologo/

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4 Comentários leave one →
  1. MARINA MORENA permalink
    05/01/2013 10:58

    Muito claro o seu artigo, Flavio, e tb explicação ao internauta. Continuarei lendo suas postagens,
    pois tenho auferido mais lucidez e melhorias em atitudes ante a Vida. Grata. Att .Marina Moreno.

    • Flávio Mesquita permalink*
      06/01/2013 15:58

      Olá Marina, obrigado pelos comentários …

      Continue participando e enriquecendo nosso BLOG !

      Abç

  2. Tassio Souza permalink
    15/06/2011 08:21

    Bom dia.

    Parabenizo pelo texto.

    Eu gostaria de saber porque alguns psicoterapeutas não trabalham apresentando um diagnóstico ao paciente. Faço psicoterapia há 1 ano e meio. Quando fui perguntar se eu tinha algum problema (Em termos de Diagnóstico), a doutora disse que não trabalhava dessa forma. Logo, nunca vou saber o problema especifico que posso ter ou não. Passei a ter a sensação de que perco 45 minutos na semana apenas para bater um papo. Sem ter idéia do porque estar fazendo isso. Não é apenas uma questão de curiosidade, mas querer saber, em cima do que estamos trabalhando.

    Agradeço pela atenção.

    • Flávio Mesquita permalink*
      16/06/2011 11:18

      Olá Tassio,

      Obrigado por seu contato.

      A utilização ou não de um diagnóstico é de critério do terapeuta e da abordagem utilizada. Quando existe uma situação clara, irrefutável e que exija um diagnóstico para pautar o tratamento (principalmente se houver necessidade de medicação), o diagnóstico é sim necessário.

      No entanto, existem muitos casos (talvez a maioria) em que não existe benefício, ou mesmo condição, de “fechar um diagnóstico”. Veja que ao fazer isso, estabelece-se uma referência que transcende a subjetividade do cliente e pode-se incorrer em uma tendência de “esperar” que ocorram manifestações que dizem respeito àquele quadro clínico.

      Tive uma paciente com transtorno alimentar (claro, irrefutável e aceito por ela) que ressentia-se profundamente de que sempre foi tratada pelos profissionais com quem teve contato de uma forma meio que padrão … como se tudo que a mobiliza-se fosse compreendido previamente a partir de uma lente norteada pelo TA. isso dava a ela uma sensação de despersonificação, servindo inclusive de importante obstáculo para sua aderência aos tratamentos. Na sua terapia, o importante era “suspender” o diagnóstico na medida do possível, dando o máximo de atenção à sua singularidade.

      Creio que esse exemplo ajuda a explicar o porquê de muitas vêzes não ser adequado, possível ou necessário apoiar-se em um diagnóstico, todavia, se isso te incomoda, converse abertamente com sua terapeuta e explique as razões pelas quais você sente falta disso e, provavelmente, vocês conseguiram chegar a um consenso em relação a isso.

      Espero ter ajudado.

      Um abç

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