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E afinal de contas o que é Assertividade ?

27/03/2011

Se buscarmos a definição no Dicionário Aurélio encontraremos: afirmação, asseveração, alegação, argumento. Mas isso não basta para expressar a assertividade em toda sua amplitude. Assertividade diz respeito à habilidade de dizer coisas e idéias, de expressar opiniões e desejos de uma forma transparente, clara e direta, mas sempre respeitando seu interlocutor.

Poderíamos simplificar dizendo que ser assertivo é entrar em uma negociação levando em consideração os interesses de ambas (ou mais) partes envolvidas, de forma a nos habilitarmos na busca de uma posição consensual. Não precisa necessariamente ser ótimo pra mim e nem para o outro, desde que seja bom para ambos. O objetivo é um jogo de ganha-ganha onde o único resultado que interessa é que seja satisfatoriamente bom para os dois… não vale um ter que perder para o outro ganhar. Por mais tentadora que seja essa perspectiva, nem sempre é tão fácil assim.

Assertividade enquanto conduta a ser adotada na prática traz exigências mais profundas, uma vez que uma atitude assertiva pede a construção de uma estrutura psicológica que a sustente a contento. Para ser assertivo é preciso saber o que se quer, conhecer seus direitos e deveres, conhecer seus potenciais e limites, saber expressar-se com transparência, lógica e com boa argumentação. Mas é também necessário ser flexível, saber ouvir o que o outro tem a dizer (com a devida atenção e respeitando seu ritmo) e, sobretudo, ser empático permitindo assim, colocar-se no lugar do outro e procurar entender o mundo através de seus olhos…

Só a partir de uma perspectiva assertiva, é possível acreditar na construção de um cenário sustentável a longo prazo. Ao ser assertivo e fomentar a assunção de um desenlace conciliatório para as negociações nas quais me envolvo, eu estarei investindo na manutenção dessas relações de forma salutar, tanto para mim quanto para o outro

E quais são as manifestações de atitudes não assertivas? Existem basicamente duas: a passividade (ou inassertividade) e a agressividade.

Existem pessoas que por não conseguirem ser assertivas e por receio de magoar ou afastar quem gostam ou de quem dependem, acabam deixando-se levar pelo desejo ou objetivo do outro sem enfrentamento, tornando-se passivos aos desejos alheios. Fazem isso por muito tempo até que chega um momento em que simplesmente não agüentam mais, não tem mais energia vital para continuar bancando o custo dessas relações e acabam tomando atitudes drásticas que muitas vezes culminam justamente no rompimento com aquelas pessoas que elas tanto receavam afastar ou magoar. Exemplos típicos são pedidos de divórcio ou demissão, afastamento de amigos, ou mesmo adoecimento.

No outro extremo, existem os agressivos, pessoas que não investem na empatia com aqueles com quem lida e acabam forçando seu ponto de vista a qualquer custo. Partem de um pressuposto que estão sempre certas ou que tem o direito de fazer com que as coisas aconteçam da maneira que querem. Não é difícil entender que essa atitude também não é sustentável e que, mais cedo ou mais tarde, aqueles que se submetem a seus caprichos vão se cansar e vão deixá-lo falando sozinho… literalmente, visto que a solidão e o abandono podem vir a ser o destino de pessoas altamente inflexíveis.

Em resumo, acreditamos que a grande “sacada” da assertividade é justamente a possibilidade de investir na sustentabilidade a longo prazo das relações. O imediatismo que tange tanto a atitude do passivo que se “vende fácil” a vontade do outro em prol de não entrar em atrito, ou do agressivo que “atropela” o outro por estar sempre com a razão, são ambos meio caminho andado para não fortalecer este vínculo que, em algum momento, exigirá ajuste para que essa relação não míngüe ao sabor da insustentabilidade.

Por fim, vale ressaltar que a assertividade tem mais uma característica interessante e muito positiva: ela se retroalimenta dentro de uma relação, ou seja, ao ser assertivo você “convida” que o outro também o seja e assim ele devolve essa perspectiva a você e assim por diante, fortalecendo a possibilidade crescente de sua expressão e a conseqüente sanidade deste vínculo.

E você… está conseguindo ser assertivo nos seus contatos com o mundo? Que tal ampliar ainda mais essa competência no seu cotidiano?

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4 Comentários leave one →
  1. Rafaela permalink
    24/01/2012 15:37

    Olá! Quando percebemos que o parceiro da relação não é assertivo e age passivamente, como podemos ajudá-lo a mudar? Porque mesmo que eu não seja exatamente o outro extremo, a agressiva, acaba parecendo isso ou até eu exercendo este papel porque o outro não ocupa o seu espaço, não diz o que quer. Outra dúvida: depois que o não assertivo passivo joga a relação para o ar, tem alguma forma de reconstruir, dele não ter receio de participar da relação e se anular de novo? E ele poderá conseguir identificar seus sentimentos mesmo com esta sensação de não aguentar mais bancar a relação? Ou se já rompeu é porque chegou no limite e realmente o sentimento pelo outro se acabou?

    • Flávio Mesquita permalink*
      24/01/2012 16:29

      Olá Rafaela,

      Seus questionamentos (esse e o do outro post) são muito pertinentes. Eles tem potencial de levá-la a reflexão e ao ajuste sempre necessário em se tratando de relacionamentos humanos. Ao se questionar a respeito desse tema (assertividade) vc pode ir lapidando seu comportamento no sentido de sempre estar buscando uma atitude que seja promotora de uma relação sustentável. Mas entenda que, nesse momento, não há como haver respostas objetivas às suas perguntas, existem uma série de variáveis a serem investigadas e que fazem parte do cenário na qual vc e seu parceiro estão inseridos.

      Sendo assim, não haveriam como, a distância e apenas com essas informações, proferir um parecer objetivo sem ser negligente e generalizador, entende ? Você já pensou em fazer terapia ? Pode ser um momento muito rico de auto-conhecimento e desenvolvimento de sua postura dentro da relação. O mesmo vale para seu parceiro, mas como é vc que está fazendo essa investigação, fica ai a sugestão, ok ?

      Att,

  2. Daniela permalink
    03/01/2011 13:16

    Olá, pessoal!
    Gostei muito deste texto e me fez lembrar como eu “descobri” a assertividade! Minha terapeuta na epoca disse q eu era inassertiva. Levei um susto, mas ela me explicou… e eu disse pra ela q na minha cabeça eu chamava (ainda q de maneira extremamente infantil)essa situaçao de “guerra de respostas” !! Isso pq o inassertivo nao sabe se colocar frente a uma situaçao e fica sempre tendo q dar uma resposta q nao corresponde exatamente ao q quer no momento e entao a outra pessoa apresenta outro ponto e o inassertivo mais uma vez tem q dar uma resposta q definitivamente nao eh o q ele quer e por ai vai, e vence a melhor resposta ou a submissao do inassertivo, sendo q se houvesse um posicionamento claro do seu desejo desde o primeiro momento, tudo se desenrolaria de formadiferente!
    Este conceito ficou muito claro pra mim, e tento sempre ser assertiva, mas as vezes me enrolo!!! Acho legal q mesmo nao conseguindo ser assertiva sempre, sou capaz de identificar claramente isso nos outros e tento usar situaçoes alheias como exemplo e contra-exemplo a meu favor. Foi uma maneira q descobri para tirar proveito desse conhecimento.
    Bem, apenas contei minha experiencia…
    Vamos acabar com a “guerra de respostas”!!
    Um gde abraço a todos!!

    • Patrícia Mantovani permalink*
      03/01/2011 17:41

      Olá Daniela, realmente a assertividade é um conceito muito importante e um material muito rico para utilizarmos. Tem se mostrado muito útil no desenvolvimento mais satisfatório das relações, seja no trabalho, na família ou com os amigos. Mas, ela requer alguns cuidados como: refletir sobre a situação, colocar-se no lugar do outro, avaliar as alternativas e só depois emitir uma resposta que nem sempre será verbal, muitas vezes a forma de carinho funciona muito mais que muitas palavras… Parece complicado, não? E, pode até ser no começo, mas do mesmo jeito que aprendemos ser inassertivos ou agressivos e isso se torna automático, podemos aprender a ser assertivos e com o tempo isso também se tornará automático… o importante é praticar, até se tornar uma nova maneira de ser e agir.
      Obrigada pela participação.
      Um abço

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