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A importância do Feedback

14/04/2010

Depois do texto sobre a Relação Paciente / Médico (se não leu, leia clicando AQUI), fiquei inspirado para escrever sobre um importante conceito que subjaz àquele tema : o Feedback.

Mesmo que você seja como eu, que odeia ter que lançar mão de termos em outra língua para poder falar de coisas importantes de nossa vida, te convido a olhar com mais carinho e atenção para o conceito de feedback.

Primeiro que tudo, façamos uma concessão à necessidade de usar essa palavra da língua inglesa, pois simplesmente não há uma tradução conveniente para o português. O termo mais próximo ao significado de feedback seria algo como retroalimentar e, convenhamos, não soa nada bem você no meio de uma conversa dizer : “Deixa eu te fazer uma retroalimentação” ao invés de “Deixa eu te dar um feedback” …

Posto isso, vamos ao que interessa. Faz muito tempo que eu credito a capacidade de dar bons feedbacks como sendo de fundamental importância para o estabelecimento de inter-relações saudáveis e sustentáveis a longo prazo. Por que ? Vamos por partes.

Primeiro porque dar bons feedbacks é absolutamente necessário para conquistar uma posição assertiva em uma negociação, seja ela qual for, tipo uma relação social, matrimonial ou do âmbito profissional. Suprir o seu interlocutor com informações relevantes acerca da sua concordância, discordância ou simplesmente qualquer  outra coisa que possa ser agregada ao tema discutido, no sentido de enriquecê-lo e torná-lo o mais tangível possível é, por si só, um critério fundamental.

Mas não pára por aí … dar um bom feedback é uma das maneiras mais eficazes de você se engajar na negociação com um nível de investimento saudável. Isso exige um pouco mais de atenção para ser compreendido na integra.

É bastante comum que as pessoas se privem do direito de dar um feedback sob o pretexto de estarem evitando o confronto ou uma forma de poupar o outro de opiniões que podem, em um primeiro momento, serem desagradáveis aos ouvidos dele.

Isso soa como sábio, conciliador, não é mesmo ? Sim, mas … (sempre tem um “mas”) pode também ser uma armadilha. E provavelmente se tornará uma, se essa for sua atitude a longo prazo.

Quando você poupa o outro de se confrontar com uma opinião desagradável, é como se você estivesse partindo de um pressuposto de que ele não tem condição de lidar com isso e, portanto, deve ser poupado. Mas essa é uma postura duplamente limitante, pois limita a condição do outro de ter acesso a informações importantes e limita você do direito de expressar-se livremente.

Essa compreensão de que o outro deve ser poupado é sua … talvez o outro tenha mais condição de lidar com a informação que você o está privando do que você imagina e, o pior, é que quanto mais você poupá-lo, menos ele estará apto a lidar com ela, pois simplesmente não recebe o subsídio para se estruturar na sua própria capacidade.

Está difícil de “comprar” essa idéia ? Deixa eu dar um exemplo bem simples e de fácil compreensão. Imagine que ao interagir com um amigo, você note que ele está com mau hálito. Você se sente a vontade de dizer isso para ele ou, ao contrário, você tem a tendência de poupá-lo desta informação desagradável ?

Muito provavelmente a sua resposta está mais para a linha da segunda, certo ?

Pois bem, agora imagine o contrário, que seja você a pessoa que esteja com mau hálito … o que você preferiria de fato ? Que esse seu amigo te dissesse isso com zelo e cuidado de forma que você pudesse tomar as ações cabíveis para resolver o problema (escovar os dentes, fazer um bochecho com anti-séptico bucal, tomar um anti-ácido para o estômago, etc) ou que ele te poupasse dessa informação desagradável ?

Pense que, na segunda hipótese, você automaticamente ficou sem ter acesso à informação … com isso não tomou as ações para solucionar o problema e vai continuar com mau hálito, feliz da vida e sem saber que isso está sendo percebido por todo mundo com quem você vai interagir dalí pra frente…

Captou a idéia ? Agora abstraia a mensagem para toda e qualquer área da sua vida e vai começar a fazer sentido a importância que tem dar e receber bons fedbacks. Agora é preciso finalizar dizendo que a necessária distinção deve existir entre bons e maus feedbacks.

Por isso o negrito no zelo e cuidado na informação dada pelo seu amigo de que você estava com mau hálito. Um bom feedback é aquele que é dado com o intuito de construir, de ajudar e de dar subsídios ao outro e à relação. Um mau feedback é aquele que machuca, fere, destrói e sabota a relação.

O bom feedback abre a aceitação do outro para o que está sendo transmitido, aproxima e reforça a relação … o mau feedback faz com que o outro se feche, se proteja e, finalmente, se afaste.

Como está a sua capacidade de dar e receber bons feedbacks ? Quem sabe você não gostaria de praticá-la fazendo o seu comentário acerca deste artigo ?

14 Comentários leave one →
  1. willian permalink
    15/08/2015 10:49

    acho que devemos falar algum ponto positivo para depois falar o mau meu supervisor , fez isso comigo já e deu certo vi que ele não fica vendo meus defeitos só , é bom elogia algo para a pessoa não acha que você só enxerga os defeitos dela.

    • Flávio Mesquita permalink*
      15/08/2015 18:29

      Olá Willian,

      Excelente colocação ! Eu concordo plenamente com vc e com o seu supervisor, que tem esse cuidado.

      Aliás, isso é reconhecidamente uma potente técnica de negociação : partir do consenso para depois construir a discordância.

      Dessa forma vc contribui para que sua contraparte esteja aberta e receptiva ao que está sendo dito … É muito mais fácil ouvir coisas boas e validações do que avaliações negativas. Se fosse ao contrario, partindo da discordância, aumenta o risco da pessoa se fechar e ficar pouco receptiva ao que está sendo passado como mensagem.

      Obrigado pela sua participação !

  2. Marcelo Sena permalink
    04/06/2013 14:30

    MUITO BOM ARTIGO, FEEDBACK, É UMA ÓTIMA E ESSENCIAL FORMA DE AJUDAR PESSOAS E A FORTALECER RELAÇÕES-INTERPESSOAIS. EU SEMPRE QUE POSSO FAÇO USO DESSE RECURSO.

    • Patrícia Mantovani permalink*
      09/08/2013 11:21

      Obrigada Marcelo pela participação.
      Abço

  3. Julio Cesar Leone permalink
    24/09/2010 15:46

    Olá Pessoal,

    Gostaria de compartilhar com vocês, um detalhe bastante importante, que é o momento do feedback.

    Eu considero de suma importância, criar o momento para se dar o feedback, assim como no Coaching. Este momento deve ser trabalhado com muita cautela, pois não é sempre ou qualquer momento que estamos receptíveis para receber o feedback ou mesmo para conceder.

    Como já explanado acima, pode-se correr um risco muito grande de dar o feedback, e acontecer o inverso, ou seja, a pessoa não estar preparada para receber e considerar como crítica, ou até a outra pessoa não estava preparada para dar, e estabelecer um ambiente hostil.

    Abraços a todos.

    Julio Cesar Leone
    São Paulo.

    • Flávio Mesquita permalink*
      25/09/2010 16:20

      Olá Julio,

      Obrigado por sua contribuição. Sim, é verdade ! Entre as variáveis importantes no que diz respeito ao feedback, sem dúvida está o momento apropriado para provê-lo ao outro.

      Muitas vêzes é melhor deixar a “poeira baixar” e entrar no tema apenas depois que passar o calor da emoção de determinado momento. Ter a sensibilidade para escolher QUANDO e não só COMO dar o feedback amplia em muito a probabilidade desta contribuição ser mais bem recebida pelo nosso interlocutor.

      Aí, no entanto, vale mais uma dica : há que se tomar cuidado com a possibilidade de ficarmos sempre protelando o momento de dar feedback como se isso fosse uma estratégia quando, na verdade, pode estar se estabelecendo um padrão de não enfrentamento típico de pessoas inassertivas.

      Sendo assim, é necessário dosar bem o cuidado para que ele não se perverta em uma esquiva crônica.

      Mais uma vez obrigado e continue contribuindo com a gente !

      Abraço,

  4. Eliane permalink
    31/07/2010 01:45

    Alguém pode me tirar uma dúvida? Quando vc recebe um feedback, você nao pode responder a ele não??? Pq eu recebi um recentemente, que considerei uma crítica, e quando fui explicar que não era bem como a pessoa estava falando, que foi apenas uma impressão dela, mas não foi minha intenção passar o que ela achou, ela me deu um fora dizendo que o feedback não é para se explicar e sim, para meditar no nosso comportamento e melhorar! Fiquei muito indignada com tudo que ouvi, porque na verdade fui julgada, sem possibilidade de defesa.

    • Flávio Mesquita permalink*
      03/08/2010 10:20

      Olá Eliane,

      Seria difícil poder expressar algum parecer mais acurado a partir apenas do seu relato, mas de qualquer forma acho importante pensar que toda a dinâmica de dar e receber feedback não é mesmo muito fácil. No caso de dar o feedback é importante fazê-lo de forma que seja, de fato, uma contribuição para o crescimento do outro e, preferencialmente, seja dado com cuidado, zelo e até mesmo amorosidade. Se o feedback preenche esses pré-requisitos, ao recebê-lo talvez o mais construtivo seja mesmo guardar para si qualquer discordância inicial, pois se ja houver o movimento de “defender-se” corre-se o risco de não aproveitar na íntegra o que ele tenha a nos oferecer como material para crescimento.

      Agora, se o feedback é excessivamente crítico, carregado de negatividade ou até mesmo maldoso, compete a vc escolher se vale mesmo a pena entrar nessa discussão ou, com o intuito de preservar-se, permitir apenas que o outro coloque aquilo que ele julgar cabível no momento sem se deixar afetar negativamente.

      Eliane, não há uma formula pronta de como acertar nas inter-relaçoes … o sucesso delas é uma construção dinâmica e infindável. Compete a vc medir o peso daquilo que lhe foi dito e averiguar o que tem ou não de concreto. Ás vezes, se muitas pessoas nos dão feedbacks similares, mesmo que não concordemos com eles, talvez seja hora de reavaliar nossas convicções e investigar se, de alguma forma, nos não estamos contribuindo para que os outros tenham essa percepção de nós … mesmo que não queiramos.

      Espero ter ajudado, continue acompnhando e contribuindo com o nosso BLOG !

  5. andreia machado silv permalink
    28/05/2010 00:18

    Dar e receber um feedback é imprescindível para uma pessoa construir uma relação saudável, é necessário que a pessoa que está disposta a essa atitude possa fazer com cautela e pensando no bem estar do outro e não sair por aí ferindo o sentimentos das pessoas é amar o próximo como a ti mesmo.

    • Flávio Mesquita permalink*
      28/05/2010 17:39

      Perfeito Andreia … É exatamente isso !

      Obrigado e continue participando sempre.

  6. JOSIMARA NEVES permalink
    23/05/2010 11:17

    ACHEI MUITO INTERESSANTE!

    ACREDITO QUE DAR BONS FEEDBACKS ENTRA NA LÓGICA DA ASSERTIVIDADE DE MODO QUE PESSOAS ASSERTIVAS CONSEGUEM SE POSICIONAR DE FORMA POSITIVA SEM MAGOAR OU OFENDER OS OUTROS E SEM DEIXAR TAMBÉM DE SE EXPRESSAR SÓ PORQUE O ASSUNTO É DELICADO E EXIGE UMA DOSAGEM A MAIS DE CAUTELA.

    EU SOU FAVORÁVEL À CRENÇA DE QUE TODO MUNDO MERECE RECEBER FEEDBACK, EMBORA NEM TODOS SAIBAM COMO RECEBÊ-LO.

    • Flávio Mesquita permalink*
      23/05/2010 21:14

      Obrigado Josimara !

      É muito bom saber que estamos fazendo boas contribuiçōes para reflexões. Concordo plenamente com vc : receber um bom feedback é um direito de qualquer pessoa e, portanto, é um exercício a ser cada vez mais praticado, tanto para quem o dá, quanto para quem recebe.

      Continue participando do noose BLOG.

  7. loara permalink
    19/05/2010 13:45

    Achei muito interessante este material sobre feedback,e acho de suma importancia a psicologia para um feedback construtivo que só tem a ajudar no desenvolvimento pessoal dentro das organizações.

    • Patrícia Mantovani permalink*
      20/05/2010 12:23

      Sem dúvida loara, o feedback é uma ferramenta muito importante a ser utilizada no desenvolvimento individual e das relações como um todo.
      Obrigada pela participação.
      Abço

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