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Uma questão de escolha : LEVANTAR ou AJOELHAR…

01/02/2010

Não. Nem sempre é fácil, eu sei… Mas o que importa é muito mais a atitude  do que o resultado a curto prazo.

Acho que já ficou mais do que claro o quanto gosto de filmes como agente promotor de reflexões. A sessão DICAS PARA CONFERIR tem vários filmes, além de livros e seriados, com breves comentários acerca de coisas importantes, ao meu ver, em alguns dos melhores filmes que já assisti (confira aqui no BLOG)

Trazendo para o aqui e agora, outro dia fui obrigado a participar de um evento onde o poder de massificação e a ideologia do sistema capitalista se faziam presentes de forma muito intensa. Como de costume, gosto de refletir e analisar tais situações (e as pessoas nela inseridas) e me recordei de uma cena fantástica do filme 300 (2006).

Este filme se reporta à batalha de Termópilas entre Esparta e o exército Persa. Já fiz uma menção em outro texto ao livro Portões de Fogo, que é baseada no mesmo evento histórico, sobre como Esparta era capaz de controlar a imensa massa de escravos que ela dominava e o quanto o mecanismo adotado à época se assemelha aos nossos padrões atuais de ascensão social e relações do sujeito com o trabalho (leia aqui no BLOG).

A cena do filme a que me refiro é protagonizada por Ephialtes, um cidadão espartano prestes a trair sua pátria, e o rei bossal persa Xérxes, interpretado por Rodrigo Santoro. Ephialtes é  portador de severas deformidades físicas. O sistema espartano presava apenas pela força, simetria e competência bélica.

Crianças fracas ou deformadas deveriam ser sumariamente descartadas pelos seus pais em um penhasco, fadadas a uma morte rápida por não terem espaço no modelo de sociedade espartana. Esse deveria ter sido o destino de Ephialtes, mas uma mãe extremamente amorosa foi incapaz de levar a cabo sua obrigação como cidadã e fez com que Ephialtes tivesse outro destino. Este, como também era filho de um bravo guerreiro espartano, nutriu dentro de sí o desejo de tornar-se ele também um soldado, pela mesma pátria que o rejeitou pela condição física. Tendo guardado, com orgulho, escudo e lança que pertenceram a seu pai.

Durante o evento da batalha de Termópilas, Ephialtes toma coragem e vai submeter-se ao rei espartano Leônidas, conhecido tanto por sua força quanto inteligência e, até mesmo, benevolência.

Leônidas recebe Ephialtes com muito respeito, mas o faz ver que sua condição física o impede de ingressar na linha de frente do exército, sob pena de tornar-se um “elo fraco da corrente” e pondo assim em risco toda a operação. A prova disto é dada quando ele é solicitado a erguer seu escudo na altura necessária. LEVANTANDO-SE. Mas Elfiates não é capaz, pois é muito corcunda. Leônidas sugere que ele ajude logísticamente o exército ao invés de no front da batalha.

Ele fica extremamente decepcionado e, tomado por ódio, vende-se a Xérxes tornando-se um informante acerca da estratégia que será usada por Leônidas. Xérxes, do alto de sua extrema bossalidade (julgava-se um Rei-Deus) diz a Ephialtes, a guisa de convencimento e envolto em uma atmosfera de sedução com promessas de dinheiro e luxúria, que ele (Xérxes) é muito bondoso (I am kind !)… visto que Leônidas maldosamente havia pedido que ele se LEVANTASSE, enquanto ele  pedia apenas para que ele se AJOELHASSE…  em sinal de submissão.

Percebe ? O simbolismo que existe e o quanto está “próximo” de muitas situações em que vivemos e somos verdadeiramente assolados (se assim permitirmos) pelas sedução ideológica do sistema ? Faça seus comentários !

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5 Comentários leave one →
  1. francisco permalink
    03/02/2010 18:34

    Ehhh!! Sobrepujar o degradante com o edificante!!

    Sinto essa coerência comigo mesmo, muito ligada a quanto eu me conheço, e as situações nas quais me coloco e a atitude que escolho para enfrenta-las !

    abraço!

  2. chico permalink
    01/02/2010 13:19

    Meu, primeiro parabens pelo site… tava olhando mais a fundo os links!! da pra fica surfando um tempão refletindo aqui!! ta muito legal!!

    Pra mim o simbolismo é muito forte, o Ephialtes não engole suas limitações… não entende que sua debilidade (não conseguir levantar o escudo) pode trazer consequencias fatais para o funcionamento da estratégia do grupo.

    E o incrivel da história, na minha opinião, é que mesmo Leônidas “sacando” isso, e podando a participação de Ephialtes no grupo, a dor de segregação que Ephialtes sofre influencia ele a revelar um maior e definitivo ponto fraco dos espartanos.

    Deixando como unico consolo para Leônidas a morte de “consciencia limpa”.

    Pra mim é um exemplo claro de como o sistema afeta a visão do leque de opções do ser humano, para uma versão radical de “sujo” ou “morto”. Em compensação hoje é facil renascer no sistema, caso voce seja excluido dele. A morte não vem tão facil como na época dos espartanos.

    Então fica uma duvida comigo depois de ver o filme…

    Já que estamos “copiando e colando” para aprender sobre nossas vidas, como eu posso ser mais como leonidas (corajoso e não submisso) sem deixar que minha coragem afete os covardes?

    • Flávio Mesquita permalink*
      01/02/2010 13:45

      Taí, eu não tinha pensando nesse desmembramento : o de que Leônidas não conseguiu antecipar uma possível retaliação de Ephialtes e com isso vulnerabilizou o exército como um todo ! Que legal … talvez se ele tivesse colocado o “elo fraco da corrente” os danos teriam sido muito menores do que acabaram sendo.

      E quanto a sua pergunta, quando vc encontrar a resposta, não deixe de compartilhar com a gente ! Hehe…

      Mas brincadeiras a parte, acho que não existe uma resposta pronta e muito menos fácil para ela. Como foi dito no início do texto, creio ser muito mais uma questão de atitude do que resultado imediato alcançado e, quem sabe, no decorrer do tempo, o cômputo de experiências positivas no sentido de edificantes irá sobrepujar aquelas que seriam degradantes e, assim, vc estaria se aproximando mais de uma atitude a la Leônidas a longo prazo.

      De qualquer forma, creio que a tônica da coisa seja a coerência para consigo mesmo… cada um tem o seu processo e compete a vc cuidar do seu com o máximo zêlo…

      Aproveita e lê o texto (aqui no BLOG) sobre transformar-se naquilo que você é !

      Abraço e obrigado pela participação no BLOG !

  3. Frederioc permalink
    01/02/2010 11:15

    Muito bacana.
    Nunca tinha parado para analisar a fundo a situação no filme.
    Acho super legal no final do filme quando Ephialtes se encontra novamente com Leônidas, quando o rei de Esparta se da conta que o corcunda o havia traido ele exclama: “I hope you live forever”.
    Só depois da, sei la, 5a vez que vi o filme me toquei do sentido que isso tinha para o Ephialtes.

    Um beijo e abraço.

    Fre

    • Flávio Mesquita permalink*
      01/02/2010 12:17

      Pois é Frê … “I hope you live forever” sentindo sempre o gosto amargo de ter feito a escolha errada … é mesmo muito forte ! Apesar da maquiagem pesada, Ephialtes consegue ainda passar todo o arrependimento pela opção que fez. Eu não quis deixar o texto muito longo, mas estava torcendo para alguém chegar até essa conclusão da cena do final do filme, valeu !

      E que essa simbologia do Ephialtes nos sirva de alerta para sabermos, no dia a dia, quando nós estamos levantando e quando estamos convenientemente ajoelhando ao sabor das imposições ideológicas que vivemos !

      Não é a toa que tanto temos falado e tanto tem sido pesquisado sobre assertividade no BLOG … a maneira mais eficaz de LEVANTAR-SE.

      Abração

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