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Psicologia… E o que é que eu tenho a ver com isso?

03/12/2009

É freqüente, nos meios de comunicação, a utilização de um estereótipo bastante tacanho da figura do psicólogo… atire a primeira pedra quem nunca imaginou este profissional como um cara sisudo, de barba e fumando um charuto bem freudiano ou ainda como uma mulher meio esquisitona, cujo grau de histeria mais a habilitaria a deitar ela mesma no divã, do que vir a prestar algum amparo a quem a procura.

Não é, portanto, de se estranhar que ainda se encontre resistência por parte de muita gente em acreditar que a psicologia tenha, de fato, algo a contribuir para si. Afinal de contas, para elas, a psicologia seria coisa pra gente fraca, médico de louco

Bem, por sorte, não é destes personagens que é constituído o mundo da psicologia.

Muito já transcorreu do início do século XX em Viena, quando Freud chocou a opinião pública pela instauração de uma nova forma de entender o homem, suas demandas e limitações. E muito também transcorreu para o sujeito que habitava naquele momento histórico. O cenário mudou, são outras demandas, limitações (ou mesmo a falta delas) e outros enfrentamentos que se fazem necessários em seu repertório.

Há que se investir na desconstrução de preconceitos para que possamos, de uma vez por todas, entender e nos beneficiarmos das contribuições que o campo da psicologia tem a oferecer. E isso para todos nós… não loucos, fracos ou doentes.

A título de provocação, gostaríamos de citar conversa que tivemos com um psiquiatra afinado com a psicologia:

Seria possível tratar psicologicamente de uma perna fraturada? A primeira resposta que nos vem a mente é, obviamente, um sonoro não! Afinal de contas nada mais tangível do que uma fratura… material a ponto de ser diagnosticável via Raio X, sem possibilidade de discordância de quem quer que tenha um mínimo de capacidade de leitura deste tipo de exame.

Mas o portador da fratura na perna não se limita a ela… é alguém que sente a dor, que sofreu o acidente que a ocasionou, que terá de se haver com as conseqüências daí advindas, tais como o socorro, o engessamento, o uso dos analgésicos e antiinflamatórios, a limitação da locomoção, a dificuldade nos hábitos de higiene, a coceira onde a mão não alcança, a fisioterapia para reabilitação após a retirada do gesso, etc.

E isto ainda sem entrar no mérito de que a própria atitude do sujeito frente à situação, tem ela mesma a capacidade de influenciar no ritmo de seu restabelecimento. Mas isso poderemos tratar com mais vagar em uma próxima oportunidade…

Esse simples exemplo serve para nos lembrar que o ser humano é extremamente complexo, multideterminado em suas mais diversas conexões com o mundo e que a psicologia é justamente a área de saber cuja vocação maior é a de estar atenta a essa profusão de variáveis, as quais, de uma forma ou de outra, se manifestam no sujeito e ao serem trabalhadas contribuem para um enfrentamento mais fluido, saudável e enriquecedor.

Se vamos à academia para exercitar os músculos e alcançar um melhor bem estar físico, não precisávamos estar fracos ou doentes para isso. Com a psicologia vale o mesmo raciocínio: exercitar a mente pode ser uma forma de alcançar níveis ainda melhores de aptidão para dar conta das demandas de nossa existência. Devemos, portanto, entender a psicologia como uma promotora de melhora e não necessariamente como uma forma de buscar pela cura de algo que esteja doente.

O ser humano está em constante movimento… em constante desenvolvimento e busca por níveis crescentes de realização e felicidade. A psicologia constitui importante ferramenta da qual se pode lançar mão nesse caminho.

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4 Comentários leave one →
  1. Paula permalink
    10/10/2016 00:04

    Haver? acho que você quis dizer a ver… ter a ver, no sentido de ter algo em comum…
    O português correto não só facilita o entendimento, ele tem um caráter de legitimador do seu conhecimento. É uma senha social de que você é uma pessoa inteligente e sabe do que está falando. Procure aprender um pouco mais… Abraço! 🙂

    • Flávio Mesquita permalink*
      10/10/2016 05:41

      Olá Paula,

      Erro assumido ! Grato pelo toque, realmente passou despercebido.

      Só acho desnecessário o “pito” que vc me passou …

      Dizer o óbvio tentando se apresentar como detentora de uma verdade pretensamente só sua não contribui com nada …

      Procure ser um pouquinho mais humilde e sensível.

      Abraço 😐

  2. Juçara permalink
    05/12/2009 09:46

    As vezes uma perna engessada nos faz parar e pensar.
    Entramos num mundo louco de correria.Voamos de 1 lado para outro.Não temos tempo pra nada.E de repente, com a fratura, temos todo o tempo do mundo:não podendo sair de casa temos que ficar” dentro de nós mesmos”.
    E aí haja analgésico, ou anti inflamatório, para não “pensar” em nada.
    Seria bem + fácil trabalhar a mente junto com o corpo,mas não deixamos isso acontecer.E dá-lhe sofrimento,decepção….
    Mas um dia aprendemos ou aprenderemos.
    Ainda bem que vcs existem para nos acordar,enquanto ainda é tempo.
    Abraços carinhosos,

    Juçara

    • Flávio Mesquita permalink*
      06/12/2009 09:00

      Olá Juçara, é sempre bom receber a prova de que nosso esforço por essa via do BLOG ecoa na mente de pessoas como você !

      Continue sempre nos acompanhando e enriquecendo o BLOG com suas participações.

      Obrigado

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