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Atitude contra-ideológica

30/10/2009

Faz muito tempo que eu acolho qualquer atitude contra-ideológica com muita atenção e zelo. Penso que tantas são as forças que se esmeram em embotar o senso crítico das pessoas, que qualquer vislumbre de expansão de consciência deve ser nutrido com carinho. Leia sobre Ideologia no BLOG.

portoes-de-fogoFoi com essa mesma “lente” que li o romance épico Portões de Fogo, sobre a batalha de Termópilas(a mesma que é retratada no filme 300), que aconteceu entre um exército de 300 espartanos contra o inimigo persa em número muitas vezes superior. Para ilustrar como foi possível aos espartanos resistirem durante sete dias aos ataques maciços dos persas, o narrador da história primeiro faz um preâmbulo da cultura espartana mostrando como era forjado o sujeito naquela comunidade.

Um fato me chamou atenção pelo (triste) paralelo possível de ser tratado com o que vivemos hoje: a civilização espartana era extremamente belicosa e por sua eficácia em guerra conseguia conquistar inúmeras civilizações cujos integrantes eram incorporados ao já imenso contingente de escravos sob seu poder.

O número de escravos era tão grande, que em muito superava o número de cidadãos espartanos, fazendo com que fosse plausível o estabelecimento de um motim em prol de sua libertação.

Então como seria possível controlar essa potência sem permitir que o jogo virasse?

Existia uma complexa estrutura de classificação hierárquica entre os escravos que iam ganhando pequenos privilégios por mérito e boa conduta, inclusive estabelecendo direito de mando sobre os escravos em posição inferior. Acenava-se, inclusive, com uma remota possibilidade de conquista de liberdade após longos anos de prestação de serviço submisso e fiel ao estado. Fato muito pouco provável de acontecer, visto a alta taxa de mortalidade dos escravos nas frequentes batalhas.

Esse sistema por si só era capaz de manter todo o organismo em controle sobre ele próprio, sem exercer demasiado perigo uma vez que a ideologia dava cabo de manter o rebanho sobre controle.

Já conseguiu fazer um paralelo com a nossa própria vida? Já parou pra pensar o quanto estamos cada vez mais dispostos a nos anular em prol de continuarmos “tendo um lugar ao sol”? Já pensou em quantos sapos temos que engolir para que não venhamos a perder nossos empregos, já que se nós mesmos não engolirmos, tem uma batalhão de gente disposta a isso e daí nosso emprego corre perigo?

Já parou pra pensar que quanto mais fragmentados e individualistas nós sejamos, mais fácil será nos controlar, porque perdemos a noção do todo… do coletivo, em prol do bem para o qual deveríamos estar trabalhando, ao invés do bem individualista, imediato e insustentável da Lei de Gérson que faz parte da nossa cultura já há décadas?

Percebe a importância que nossa cultura dá a futilidades que rapidamente viram “capa de revista” e concedem os 5 minutos de fama para as trocentas celebridades que emergem e somem a cada dia?

Mas essas fugazes celebridades são capazes de ditar regras de consumo, de moda, do “bacana” a ser copiado  custas de encher os cofres daqueles que os promovem… e assim continuamos permitindo a repetição de um sistema de controle que se impõe e que muitas vezes nem nos damos conta, talvez de forma não muito diferente do que acontecia com os escravos dos espartanos.

A atitude contra-ideológica é promotora de uma profunda reflexão, empossando o sujeito da compreensão de todas as dimensões de suas escolhas em seu próprio benefício. O processo terapêutico pode ser um instrumento valoroso no investimento da reflexão e tomada de decisões responsáveis para a própria vida. Compartilhe sua percepção sobre esse tema postando um comentário.

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Patrícia Mantovani e Flávio Mesquita

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