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É preciso cuidar de si para poder cuidar dos outros

21/10/2009

Se você já viajou de avião, deve ter prestado atenção nas orientações de segurança dadas pelos comissários de bordo antes da decolagem:

“Em caso de descompressão e o uso das máscaras de oxigênio for necessário, você deve colocar primeiro a máscara em você próprio para depois auxiliar outras pessoas, mesmo que seus filhos ou idosos”.

Seria isso um sinal de egoísmo ou de uma mentalidade a la “salve-se quem puder” ? De forma alguma… isso se explica por uma questão lógica, simples e inquestionável. Para que você esteja habilitado a prestar auxílio a outras pessoas, é absolutamente imprescindível que você primeiro garanta a sua fonte de oxigênio, caso contrário você corre o risco de “apagar” e, além de não cuidar de si, ainda fica impedido de cuidar dos outros.

Não é simples e verdadeiramente inquestionável? Pois bem, então porque na vida cotidiana, muitas pessoas acabam por cair na armadilha de que tem sempre que se dispor a ajudar, satisfazer os desejos e necessidades  dos outros antes do que os seus próprios?

É claro que cada caso é um caso e seria negligente generalizar uma resposta minimamente responsável, mas a investigação pode sim passar por fatores bastante tangíveis. Existe um reconhecimento social para pessoas que vestem a “camisa de super pais ou super mães“, fica bacana dizer (e mostrar) que se é capaz de dar conta de qualquer coisa, de que o bem estar das pessoas queridas é o foco principal da sua própria vida. Ou ainda, de que “o dia para mim deveria ter no mínimo 25 horas para que eu pudesse dar conta de tudo que tenho para fazer …mas a vida é assim mesmo …”

Não …não é. A vida se transforma nisso se formos coniventes com o estabelecimento de uma rotina que não contemple aspectos importantes da nossa humanidade: lazer, descanso, compromissos saudavelmente organizados, tempos de deslocamento preservados e, porque não, ócio!

É absolutamente necessário ter tempo para si próprio, para refletir, pensar na vida …meditar. Só assim podemos ser criativos. Se a rotina nos engole com uma seqüência interminável de “tenho que fazer” que não passaram por uma censura subjetiva de priorização de fato, nos tornamos um simples repetidor de rotinas pré-programadas …um robô.

O fato é que ao ter um padrão de não se cuidar, uma pessoa vai bancando uma “conta” imaginária com sua própria vitalidade, energia e saúde. Dessa conta só se fazem saques e um dia, mais cedo ou mais tarde, essa conta entra no vermelho e a pessoa não agüenta mais. Doenças físicas (de origem psicossomática), transtornos psíquicos, crises existenciais ou sensação de stress prolongado podem se estabelecer (leia mais sobre o Stress).

Nesse ponto a pessoa corre o risco de se tornar como aquele passageiro do avião que “apaga” e não consegue mais cuidar nem de si e nem daqueles que ele mais ama.

Pense nisso: antes de se sentir culpado ou se achar egoísta por se permitir, em algumas situações, fazer valer seu próprio ritmo, interesse ou vontade, reflita se isso não seria uma maneira de fazer “créditos” na sua conta imaginária, habilitando-o a manter o saldo sempre no positivo e, assim, poder continuar cuidando de si e dos outros. Invista sempre no desenvolvimento de sua assertividade, negociando resultados conciliatórios com as outras pessoas (leia mais sobre Assertividade).

Como anda a sua conta imaginária? Você está conseguindo mante-la no positivo, ou você anda sempre recorrendo ao limite do cheque especial? Lembre-se que os juros sempre serão cobrados…

.

Patrícia Mantovani e Flávio Mesquita

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9 Comentários leave one →
  1. Fernanda permalink
    04/07/2016 19:31

    Ameeeeeeeeeeeei

  2. 18/10/2013 09:19

    Encontrei hoje a mensagem que estava precisando…obrigada.

    • Flávio Mesquita permalink*
      18/10/2013 14:38

      Que bom Inês !

      A gente sempre encontra o que precisa … basta procurar com os olhos do corpo e os da alma bem abertos !

      Abç

  3. beatriz permalink
    05/04/2010 16:57

    Foi muito importante achar no google as repostas que eu precisava, onde através de um estudo, não somente respondeu o que de fato eu precisava, mas como para o meu próprio eu.

    • Flávio Mesquita permalink*
      05/04/2010 17:08

      Ficamos felizes Beatriz !

      Continue acompanhado nosso BLOG.

      Abç

  4. Monica Krehovski permalink
    08/12/2009 12:05

    Flavio e Patricia, se permitir , se respeitar, colocar limites, são sonhos tão desejados por mim, lendo o que vcs escreveram dá uma força imensa, pois abre muitos questionamentos, basta no entanto tomar atitudes.

    • Flávio Mesquita permalink*
      08/12/2009 14:23

      Querida Mônica, não é segredo que este artigo foi escrito para você ! Demorou mas você leu, né ? Fico feliz em saber que ele te suscita “muitos questionamentos”. Nós dois sabemos o quanto é importante permitir questionar-se e pôr à prova, todos os dias, a tendência que se tem em ser um repetidor de um modelo já estabelecido. O cotidiano tem uma poder enorme (isto é … isso se nós concedermos esse poder a ele !) de ditar as regras da nossa atuação vida afora… Parar para refeltir, fazer “o balanço” e inovar é absolutamente necessário para estar continuamente em evolução e sendo criativos para com a nossa própria existência !

      Questione-se … questione-se muito e se ponha em ação ! (E não deixe de participar sempre do nosso BLOG !)

      Um beijo

  5. Juçara permalink
    13/11/2009 13:27

    Esse artigo é super importante,pois é mto díficil se dizer NÃO,sem se sentir culpada.A sensação que fica é a de que “poderia ter feito”,”poderia ter arranjado tempo”.Sensação de egoismo.No entanto,a negociação é difícil,mas necessária.O saber dizer não,não,não.E ponto final,sem explicação.Ainda chego lá.Tenho trabalhado e mto,diariamente,nessa questão.Bjs,Juçara

    • Patrícia Mantovani permalink*
      13/11/2009 18:03

      O importante é perceber que muitos “nãos” que por vezes temos que falar, são para o bem do outro. É para que com esse “não” ele tenha oportunidade de crescer, aprender, achar soluções e andar com suas próprias pernas. Pense nos “nãos” que você recebeu de seus pais, amigos e da própria vida e analise se no final das contas eles não foram, muitas vezes, os responsáveis por sua mudança, novas perspectivas e crescimento pessoal, emocional e até intelectual. Mas é difícil mesmo… muito mais simples e fácil falar o sim, porque além de nos sentirmos úteis, não precisamos explicar e lidar com a indignação e a postura de quem os recebe. Saber dizer “não” é lidar consigo e com o outro de forma mais consciente e responsável. Ao perceber o desenvolvimento que se proporciona ao outro agindo dessa forma, a sensação de culpa e de egoísmo logo será substituído por sentimentos outros, muitas vezes de grande satisfação por ter ajudado a proporcionar esse desenvolvimento.
      Agradeço muito sua participação, é um prazer podermos conversar sobre estes temas.
      Bjs

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