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Excesso de prescrições e uso de medicamentos psiquiátricos

08/10/2009

Ainda ontem conversava com uma pessoa sobre a enorme tendência de medicalização que estamos vivendo. E hoje notícia com este conteúdo está sendo veiculada no portal UOL. Ótima oportunidade para pensar…

Vários são os fatores que podemos elencar e que, em maior ou menor grau, são coadjuvantes nesse problema:

– Existe uma emergência das pessoas em solucionar seus problemas e muitas vezes elas preferem se entregar submissamente à idéia de que o uso de medicamentos psiquiátricos seria a solução ideal para seus problemas… de forma rápida e sem “dar trabalho”.

– Culturalmente, vivemos um cenário onde parece haver uma “patologização” de emoções e condições naturais do repertório humano. Mistura-se tristeza, baixo astral ou desmotivação com depressão, por exemplo.

Depressão é doença e não podemos confundir emoções cabíveis em momentos da nossa vida (como o luto pela perda de um ente querido ou a perda de um emprego), com um quadro patológico passível de ser medicado. E vale lembrar que mesmo a depressão em estados leves ou moderados pode ser trabalhada em terapia de forma a buscar-se a gênese do problema, ao invés do simples apaziguamento com o uso de medicamentos.

– Muitos profissionais da saúde tornam-se, eles próprios, instrumentos de disseminação do uso indiscriminado de medicamentos, pelo excesso de prescrições de drogas e, pior, sem o devido encaminhamento para tratamentos coadjuvantes cabíveis, como a psicoterapia.

– Por fim, não podemos deixar de pensar no poder da indústria farmacêutica como agente de influência no uso de seus produtos, por interesses mais do que óbvios. Pesquisas recentes indicam que quem mais diagnostica e prescreve antidepressivos na França é o médico generalista e não o psiquiatra ou o neurologista. Existe um enorme investimento da indústria farmacêutica no sentido de convencimento mercadológico da classe médica acerca dos “benefícios” do uso de seus produtos. Não é de se esperar que no Brasil a coisa seja diferente…

É um cenário grave e exige uma postura crítica e responsável das pessoas que necessitam de amparo psicológico ou psiquiátrico, bem como seus familiares e todos o profissionais da rede de atendimento: reflita, pondere, pesquise, se informe… participe ativamente da decisão do que é melhor para você, para seus familiares ou clientes!

Assista ao vídeo que foi ao ar hoje no portal UOL clicando no link abaixo:

Uso de antidepressivos pode causar males à saúde (UOL Notícias)

.

Patrícia Mantovani e Flávio Mesquita

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