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O poder da validação (reforço positivo)

06/10/2009

Neste domingo, percorrendo bobamente os canais da televisão e tentando fugir da absoluta falta de conteúdo nos 300 canais disponíveis, acabei parando no Oprah Winfrey Show. Estavam falando sobre um projeto que ampara as pessoas a se desfazerem da quinquilharia que vai se acumulando ao longo da vida de muita gente. Dão conselhos, sugestões, estabelecem metas e dão algum tipo de suporte logístico, pelo que entendi. Bem, mas isso não importa…

O que me chamou atenção foi o dizer de uma arquiteta que, explicando o que tinha feito de arrumação na sala de estar de uma das pessoas envolvidas, acabou dizendo uma coisa brilhantemente simples:

Quando você ilumina tudo… na verdade não está iluminando nada!

Aquilo ficou retumbando na minha cabeça. É de uma paradoxalidade fantástica… como pode ser que ao iluminar tudo eu, de fato, não ilumine nada? Mas fazia sentido, parecia familiar, uma forma diferente de dizer algo que eu sempre acreditei. E daí caiu a ficha!

Na psicologia comportamental um dos recursos fundamentais da abordagem é o reforçamento positivo. Em brevíssimas palavras, preconiza que é muito mais eficaz promover o desenvolvimento de comportamentos adequados pela utilização do “reforço” daquilo que vai se aproximando do esperado, ao invés de “punir” os comportamentos inadequados.

Pensando, por exemplo, na educação de nossas crianças, dá muito mais resultado validar genuinamente (preste atenção nesse conceito) as conquistas dos pequenos, que assim se sentem amparados e confiantes de continuar buscando ampliar seus horizontes, do que castigá-los por não estarem conseguindo se comportar de forma que contemple nossa expectativa.

Por uma via (a do reforço) há um investimento na auto-estima, na percepção de que se é capaz e, finalmente, na autonomia do sujeito que acaba por ter condição de ser responsável em sua atitude frente à vida. Pela outra via (a da punição) degrada-se a condição do sujeito estruturar-se capaz, ele fica receoso e inseguro… está constantemente vulnerável a ser avaliado como “errado” e acaba sempre buscando a aprovação externa, visto que não encontra dentro de si próprio. Sua auto-estima pode ser gravemente comprometida.

Ora, mas o que isso tudo tem haver com a “iluminação”? Lembra-se do grifo no genuinamente? Pois é… foi uma forma de iluminar esse conceito. O reforço é um instrumento extremamente potente para promover a maior frequência do comportamento que está sendo reforçado, portanto deve ser usado com responsabilidade para que apenas o comportamento pretendido seja reforçado. Daí o reforço deve ser genuíno.

Acontece que muitas vezes, por uma somatória de fatores, o meio passa a ser reforçador não apenas dos comportamentos adequados, há um reforçamento não genuíno de fácil conquista e corre-se o risco de se estar investindo no aumento de frequência de comportamentos não pretendidos.

Vamos contextualizar: pais com rotina de trabalho que acabam por torná-los meio ausentes, podem acabar por serem demasiado “permissivos” com seus filhos como uma forma de “substituir” sua falta. Sistemas de avaliação por notas demasiado complacentes que acabam por não “premiar” devidamente os esforços maiores de alguns alunos. Medalhas entregues indistintamente a qualquer criança que participe de uma competição de natação, como forma de premiar a presença ao invés dos resultados, etc.

Todos esses são exemplos de situações que julgo necessário, pelo menos, uma reflexão mais profunda, não há como exaurir o tema, mas pode-se sugerir uma atitude crítica e responsável a esse respeito. Quando eu ilumino tudo, na verdade não estou iluminado nada… quando eu reforço tudo, na verdade eu não estou reforçando nada…

Talvez essa seja uma humilde forma de convidar a reflexão sobre essa sensação de desamparo que acomete um numero enorme de pessoas, será que desde cedo não estamos permitindo a instauração de um sistema em que não há genuinamente a validação de comportamentos que nos sejam essenciais?

E você… o que acha? Comente!

Patrícia Mantovani e Flávio Mesquita

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4 Comentários leave one →
  1. Daniela permalink
    25/06/2015 10:33

    Brilhante!

  2. 14/06/2011 14:22

    Ótimo!

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